quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Ruim, perigosa e prejudicial


A despolitização, que se consolida nas eleições deste ano, é ruim, perigosa e prejudicial.


Ruim porque descarta a política como processo de construção de justiça social e melhoria da qualidade de vida. A política pública tem o papel de dar mais para quem tem menos para promover a igualdade, mas os despolitizados apostam, por exemplo, no discurso do esforço pessoal e da meritocracia, como se os governos não fossem responsáveis pelo estabelecimento de medidas que levem à melhoria da vida do cidadão. 

Perigosa porque embaralha a consciência do cidadão, como se fosse possível conciliar interesses distintos e governar sem conflitos. Os despolitizados apostam no discurso de unir todos os segmentos em prol do bem comum. Um exemplo? A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Empregadores querem a sua flexibilização, ou seja, menos direitos trabalhistas. Os empregados o seu fortalecimento, ou seja, mais direitos. Como alinhar posições tão diferentes sem tensão?

Prejudicial  porque nivela os cidadãos, negando as diferenças e as contradições sociais existentes. Os despolitizados apostam, por exemplo, no discurso da democracia racial e da não existência da luta de classes. Os despolitizados costumam dizer que negros e homossexuais têm preconceitos contra si mesmos. Os despolitizados atestam que a vítima é culpada pelo estupro que sofreu. 

Os despolitizados quando negam a política – como produto das relações sociais – passam o recibo para quem pode mais. E tudo pode continuar como está. Ou até piorar. Por isso, a política despolitizada é ruim, perigosa e prejudicial.

Imagem: reproduzido de http://macabal.wordpress.com/2009/08/12/eufemismos-o%E2%80%A6-conducta-del-avestruz/

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