sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Candidatos de raça


Entra eleição, sai eleição e um fenômeno se repete pelo Brasil inteiro. Filhos e netos de políticos tradicionais lançam-se candidatos aos mais variados cargos eletivos. Dona do poder, essas famílias tornam-se um clã ou um feudo.

Claro! Essa é uma definição pejorativa para falar de quem domina o poder nos grotões Brasil afora. Afinal, nos estados desenvolvidos da federação essa designação não cai bem. O termo é mais bonito: herdeiro político.

Pode-se mudar o nome, mas a prática é a mesma. O rebento se lança à aventura política mais pelo peso do sobrenome que carrega do que necessariamente pelo trabalho que realiza ou segmento que representa.

A maioria, aliás, não milita em causa alguma, nem acumula experiência de vida suficiente para se propor representante de uma parte significativa da sociedade. Há mais oportunismo que oportunidade.

Não está em discussão a legitimidade dessas candidaturas que - se atendem aos requisitos da legislação eleitoral - não colocam obstáculos para a sua viabilização. Está em discussão, o que significam.

Esses são mais candidatos de si mesmos, de um projeto pessoal e familiar, mas eles juram que se candidatam para trabalhar pelo bem comum, pelo interesse coletivo. Alguém assumiria que não trabalha desta forma?

Um sobrenome não é o problema em si. Do ponto de vista eleitoral, você já conhece a família, suas virtudes e, principalmente, seus defeitos. Assim, excluir esses da possibilidade de voto fica até mais fácil.

Infelizmente, o eleitor vota com a emoção e pouco procura aprofundar sobre o que pensa e defende seus candidatos. Isso quando se trata de eleição majoritária, imagine - então - para cargos do Legislativo. 


Na falta de reflexão sobre os projetos e as propostas, um sobrenome de raça – e conhecido – pode fazer diferença para puxar votos. E raça aqui não tem a ver com força. Está mais para pedigree, ou seja, o status herdado do pai ou do avô famoso.

Imagem: Obra Decalcomania (1966), de René Magritte (1898-1967).

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