sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Inquietudes (230) do Rei

Pensar não é uma tarefa fácil. Pensar e manifestar o pensamento com respeito e responsabilidade é ainda mais difícil. Você está preparado para isso?

Aprendizado Brasil



As eleições de 2014 ensinam muitas coisas para o Brasil.
Se o brasileiro quer aprender com elas é outra história.

O Brasil não sai das urnas dividido porque não se divide o que está dividido.
A divisão não é geográfica; é social.
Essa divisão não é homogênea.

Muitos eleitores pobres e de classe média baixa votaram em Aécio.
Muitos eleitores de classe média alta e alta votaram em Dilma.
Muitos eleitores pobres e de classe média anularam seus votos.
Muitos eleitores de classe média alta e alta anularam seus votos.

O senso comum que aflora durante as eleições não é novidade.
Assim como não é novidade o ódio despejado contra o candidato vencedor.
A desqualificação do eleitor do vencedor mostra a intolerância para aceitar a derrota.
Não foi meu candidato bom que perdeu.
Foi o candidato ruim que venceu.
Já repararam que é sempre o outro que vota errado?

O preconceito é irmão da discriminação.
Todo nordestino não é vagabundo.
Todo paulistano não é trabalhador.
Separar o Brasil?
Construir um muro do Acre ao Espírito Santo?
Deixar o país?
Se propostas segregacionistas fossem a solução, o mundo viveria em paz.

Respeitar o outro é um processo de aprendizagem.
Acatar a vontade da maioria é um processo de aprendizagem.
Viver a democracia é um processo de aprendizagem.
E a gente só aprende tudo isso se estiver disponível para isso.

As eleições de 2014 ensinam muitas coisas para o Brasil.
Se o brasileiro quer aprender com elas é outra história.

Imagem: autor desconhecido.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Sem debate

Dois projetos de Brasil: um neoliberal, voltado para o mercado e a preocupação excessiva com os investidores; outro, desenvolvimentista, preocupado com o social sem jogar a conta para o trabalhador e os mais pobres. O que significa o estado mínimo e o estado intervencionista? 

Infelizmente o discurso contra os corruptos - DO OUTRO - escondeu esse debate, tão necessário. Escândalos? PT e PSDB colecionam casos. Pena que não há equilíbrio nas instituições para aprofundar o tema. O MP e a Justiça andam partidarizados. Combater a corrupção é uma tarefa mais difícil do que combater apenas os corruptos dos quais não gostamos.

A imprensa, que poderia jogar luz sore esse tema, toma partido cada vez mais de candidatos, sem o mínimo de honestidade editorial, muitas vezes, buscando até interferir no resultado das urnas. O debate público vira palco para rótulos, transformando as redes sociais em ringue: preconceito, discriminação e violência.

O Brasil sai das urnas dividido. Não foi Aécio nem Dilma que dividiram. O país é dividido porque não se conciliam interesses inconciliáveis. Por exemplo: fortalecimento dos direitos do trabalhador X flexibilização da CLT. E, por isso, a chefe da nação tem de estar disponível ao diálogo, à negociação, quando preciso; ao recrudescimento, quando necessário. 

Torço para que Dilma consiga cumprir esse papel. Se não conseguir governar para todos, que siga a preferência explicitada na sua campanha: a maioria que precisa mais do Estado. 

sábado, 25 de outubro de 2014

Inquietudes (228) do Rei

Consumir informação contaminada pode causar infecção. Será por isso que há tanta gente doente nas redes sociais?

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Projeto de Brasil


Como classe média, pago impostos e, geralmente, uso pouco os serviços públicos.

Tenho filho em colégio (particular) de ensino fundamental e médio, por isso não uso a escola pública. 

Tenho plano de saúde, por isso uso o SUS em alguns serviços de baixa e de alta complexidade. Os planos só cobrem majoritariamente os serviços de média complexidade (consulta e exame de especialidade) e ainda com participação do usuário.  

Tenho carro financiado com juros extorsivos de instituição financeira privada, por isso uso muito pouco o transporte coletivo. Somente quando o carro - financiado com juros extorsivos de instituição financeira privada - está na oficina.

Tenho casa própria financiada diretamente com a construtora, sem subsídio do governo federal, mas tenho empréstimos pessoais em banco público cuja taxa de juro é menos da metade da praticada pelos bancos privados das necas da vida.

No próximo dia 26, escolheremos o nome que vai ocupar a Presidência da República para o período 2015/2018.

Aécio Neves defende um projeto neoliberal, conservador e já acenou que vai governar, preferencialmente, para o mercado. 

Os rentistas e especuladores excitam-se na Bolsa de Valores quando o tucano sobe nas pesquisas, numa clara demonstração de que é o preferido do mercado financeiro.

Suas propostas de estado mínimo com corte dos gastos (para o mercado, pobre é gasto e não investimento), redução da participação dos bancos públicos (BNDES, Caixa e BB) e cumprimento do tripé econômico mobilizam os agentes financeiros. 

As medidas tucanas colidem diretamente com as propostas da petista Dilma Rousseff, que defende o estado como agente do desenvolvimento fortalecendo as políticas sociais, ou seja, o investimento em quem mais precisa; a expansão da atuação pública dos bancos estatais e política econômica com valorização do salário mínimo e manutenção dos direitos do trabalhador. 

Portanto, são dois projetos políticos claros – para citar alguns exemplos – cujas propostas ora convergem, mas que na maioria das medidas se distanciam.

Por isso, no próximo domingo votarei no projeto de desenvolvimento que prevê a garantia das conquistas dos últimos 12 anos, conquistas que puseram milhões de pessoas no mapa do Brasil.

Como classe média, não uso a escola pública fundamental e média, mas me representa um projeto que prioriza o investimento na escola pública e no acesso ao ensino técnico e superior, que precisa melhorar muito ainda. 

Como classe média, uso pouco o SUS, mas me representa um projeto que prioriza a saúde pública, que precisa melhorar muito ainda.

Como classe média, uso muito pouco o transporte coletivo, mas me representa um projeto que prioriza a mobilidade urbana, que precisa melhorar muito ainda.

Como classe média, uso muito pouco os juros subsidiados para a casa própria, mas me representa um projeto que prioriza a habitação popular, que precisa melhorar muito ainda.

Como classe média, meu voto não é para mim nem para os iguais a mim. Meu voto é para os diferentes que precisam do governo para disputar – comigo e com os iguais a mim – em condições de igualdade.

sábado, 18 de outubro de 2014

Desvio de caráter


O debate das ruas, referente às eleições de 2014, são as eleições de 2010. 
Ainda pior.
O aborto foi substituído pela corrupção.
A discussão eleitoralmente cínica e moralmente hipócrita.

O PT é o partido mais corrupto da história.
O PSDB é o partido mais corrupto da história.
Se o tema é corrupção, ambos ostentam escândalos e escândalos.
Que tal transformarmos a pauta negativa em positiva?
Podemos verificar qual partido – no poder – criou mais mecanismos de combate à corrupção.
E não esqueçamos que se existe um político corrupto, há um empresário corruptor.
Simples assim.

Aviso aos navegantes. 
Não sou filiado ao PT, sou simpatizante e voto em Dilma
E este texto é opinativo e opinião não é isenta. 
A opinião é parcial, mas pode ser honesta.
Por isso, os links para conferir as informações aqui publicadas.

As eleições deste ano também consolidam o discurso de ódio contra o PT e os petistas que vem sendo semeado, regado há algum tempo.
Lembram-se de quando ACM Neto (PFL, hoje DEM) e Arthur Virgílio (PSDB) ameaçaram - da tribuna do Congresso Nacional - dar uma surra em Lula, presidente da República?
Dar uma surra não era mera figura de linguagem, era uma vontade, um desejo que, agora, colhe frutos em formato de intimidação e violência.

Muitos militantes e simpatizantes têm sido agredidos verbalmente nas redes sociais e até fisicamente.
A agressão do ator Dado Dolabella ao ator Gregório Duvivier, que declarou apoio a Dilma, não é apenas efeito colateral, é consequência também de uma cobertura desiquilibrada da imprensa brasileira, que potencializa os crimes do PT e ameniza ou esconde os crimes do PSDB.
Duvivier  ainda foi agredido em um restaurante no Rio de Janeiro.

Os mesmos que destilam ódio aos “petralhas corruptos”, geralmente, declaram apoio a Aécio e fingem não ver os escândalos de corrupção que envolvem o político mineiro.
A “tucanalha” varre para debaixo do tapete vários casos de corrupção tucana, nepotismo e desvio de recursos da saúde e da educação.
O discurso da moralização do governo federal é hipócrita porque não se combate a corrupção, mas os corruptos do outro, para – simplesmente – voltar ao poder.

O ódio plantado e regado é colhido em forma de mais violência.
Um cadeirante, em São Paulo, foi agredido por um grupo que se acha acima do bem e do mal.

O PT no governo cometeu muitos erros – sem dúvida – e a Justiça está aí para julgar, condenar e prender: mensalão, Petrobrás e outros. 
O PT no governo abandonou muitas causas – bandeiras históricas – em nome da tal governabilidade.
O PT no governo fez muitas concessões a grupos conservadores históricos.
Mas no governo, o PT também tirou milhões da miséria, em que pesem os que comem bem agredirem o Brasil que passa fome.
Mas no governo, o PT também promoveu uma inclusão social significativa – a partir da educação – nos últimos anos, com a criação de programas como Fies, Prouni e Pronatec.
Isso é informação e não opinião.
Mas no governo, o PT colocou o Brasil em posição de destaque no cenário internacional com os Brics e o Mercosul.

Votar em Aécio Neves - para quem acredita e defende o seu projeto neoliberal, de direita e conservador - é legítimo.
Votar em Aécio Neves porque ele vai combater a corrupção do PT é – antes de tudo – desinformação ou má fé.
Não se combate a corrupção, atacando apenas os corruptos dos outros. 
E o pior: concordar – e estimular a violência contra petistas e simpatizantes (verifiquem quantos militantes tucanos foram agredidos ou mortos) é – em primeira e última análise – desvio de caráter. 

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Aí, a igualdade

Aí... o meu conhecido diz que no Brasil não existem diferenças de classes, que todo brasileiro é igual. Eu pergunto.

__O que você achou do resultado do primeiro turno para presidente?
__Um absurdo. Quem botou a Dilma em primeiro lugar foram os pobres - esses mortos de fome - porque vivem de esmola do governo. 
__Estão dizendo que a diferença veio do Nordeste.
__Não foi não. São os pobres mal informados que votam no PT e pobre tem tudo que é lugar. Depois vivem na miséria e não sabem o motivo.

Isso porque o conhecido diz que não existe luta de classes no Brasil. Já pensou como seria se existisse?

sábado, 11 de outubro de 2014

Aí, a alternância

Aí... o meu conhecido argumenta que quer alternância no poder. Diz que 12 anos para o PT são suficientes. Eu pergunto.

__Em quem você votou para senador?
__Álvaro Dias. Voto nele desde 1998.


Então, alternância no poder dos outros é refresco.

Inquietudes (227) do Rei

Por que todo racista e homofóbico começa seus textos justificando não serem racistas e homofóbicos, para - em seguida - praticar o racismo e a homofobia?

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Inquietudes (226) do Rei

Já que um dos temas deste segundo turno das eleições presidenciais é corrupção, em vez de discutir quem é mais corrupto - PT ou PSDB - até porque ambos contam com muitos escândalos, poderíamos ter um debate mais propositivo sobre o tema. Sugiro três perguntas básicas para nortear o debate.

- Qual partido, no poder, criou quais mecanismos de combate à corrupção? 
- Que mecanismos são esses e quando foram criados?
- Qual o resultado prático dos mecanismos criados para combater a corrupção?

domingo, 5 de outubro de 2014

Confissão

Ao final deste primeiro turno das eleições 2014, eu confesso.
Confesso que estou sem ânimo para entrar em debate estéril.
Confesso que estou sem vontade para contra-argumentar a argumento estúpido.
Confesso que estou sem desejo para rebater avaliação cretina.
Confesso que estou sem tesão para estabelecer o contraditório.
Confesso que estou sem disposição para revidar ao senso comum.
Isso é sinal de amadurecimento? Ou depressão? 

Brasil nas urnas


O Brasil vai às urnas hoje escolher deputado estadual, deputado federal, senador, governador e presidente da república. Nas últimas semanas, os candidatos se engalfinharam nos palanques das ruas e nos palanques dos debates eleitorais. Arrisco algumas considerações acerca do processo eleitoral para presidente.

1) Os candidatos sustentam-se mais na imagem que ajudaram a construir do que necessariamente pelas propostas que defendem.

2) As pesquisas eleitorais dominaram mais uma vez a cena eleitoral. Pela discrepância dos resultados, as pesquisas mostram-se com pouca credibilidade. A Justiça Eleitoral tem de rever a atuação dos institutos de pesquisa. Não basta apenas o registro, conforme prevê a Lei Eleitoral. 

3) A Bolsa de Valores sobe com o bom desempenho – nas pesquisas – de Marina e Aécio e cai com o bom desempenho de Dilma. Alguém ganha dinheiro especulando com a dobradinha Bolsa de Valores e institutos de pesquisas. O Brasil não pode ser refém do mercado que quer decidir o nome que vai ocupar a Presidência da República.

4) Os debates eleitorais da TV parecem interferir muito pouco na intenção de votos e servem mais para captar imagens para os programas de TV e alimentar o eterno embate dos eleitores, agora potencializado pelas redes sociais. Cada militante enxerga o que e como quer no desempenho de seus eleitos.

5) Os candidatos nos debates perdem mais tempo atacando uns aos outros do que apresentando propostas e aprofundando a discussão sobre temas importantes. Isso também se deve, no caso televisão, pela organização que prioriza mais os sopapos entre os postulantes à presidência que o debate propriamente dito.

6) As eleições para deputado e senador ficam em segundo plano porque os candidatos a presidente e governador roubam a cena. A coadjuvância do debate para esses cargos acaba refletindo nas próprias instituições. Quem costuma acompanhar a atuação de seus deputados e senadores?

7) Temas espinhosos como aborto, legalização da maconha, casamento gay causam calafrios nos candidatos com maior chance de se eleger. O medo de perder votos faz com que não declarem suas posições ficando sujeitos a acordos que impedem o avanço nessas áreas.

8) O Brasil está polarizado em dois projetos: PT e PSDB. Marina tentou ser a terceira via, mas se perdeu por assumir posições da direita logo depois da morte de Educado Campos, tanto que o representante legítimo da elite – Aécio – reconquistou muitos votos que haviam migrado para ela. 

9) Para romper a polarização PT e PSDB não basta apresentar-se como um novo nome. Marina fez campanha sob o mote da nova política, mas associou-se a velhos expedientes, como o poder econômico estampado no empresariado da Natura e do Itaú. Deu no que deu. É necessário definir um programa que seja uma alternativa aos dois partidos citados. Neste item,  Luciana Genro conseguiu emplacar propostas agradando uma parcela importante do eleitorado, principalmente, o jovem. Se vai conseguir se consolidar como alternativa é outra história.

10) Em junho de 2013 – com os protestos – era difícil imaginar que Dilma se reelegesse. Sua imagem pessoal e a avaliação do governo perderam muito com os protestos, mas ela entrou na campanha – meses atrás – como favorita; perdeu o favoritismo para Marina e recuperou agora na reta final.  Nunca é tarde para lembrar que governo é governo e campanha é campanha.

Imagem: Fonte: Blog Justiça de A a Z.