domingo, 5 de outubro de 2014

Brasil nas urnas


O Brasil vai às urnas hoje escolher deputado estadual, deputado federal, senador, governador e presidente da república. Nas últimas semanas, os candidatos se engalfinharam nos palanques das ruas e nos palanques dos debates eleitorais. Arrisco algumas considerações acerca do processo eleitoral para presidente.

1) Os candidatos sustentam-se mais na imagem que ajudaram a construir do que necessariamente pelas propostas que defendem.

2) As pesquisas eleitorais dominaram mais uma vez a cena eleitoral. Pela discrepância dos resultados, as pesquisas mostram-se com pouca credibilidade. A Justiça Eleitoral tem de rever a atuação dos institutos de pesquisa. Não basta apenas o registro, conforme prevê a Lei Eleitoral. 

3) A Bolsa de Valores sobe com o bom desempenho – nas pesquisas – de Marina e Aécio e cai com o bom desempenho de Dilma. Alguém ganha dinheiro especulando com a dobradinha Bolsa de Valores e institutos de pesquisas. O Brasil não pode ser refém do mercado que quer decidir o nome que vai ocupar a Presidência da República.

4) Os debates eleitorais da TV parecem interferir muito pouco na intenção de votos e servem mais para captar imagens para os programas de TV e alimentar o eterno embate dos eleitores, agora potencializado pelas redes sociais. Cada militante enxerga o que e como quer no desempenho de seus eleitos.

5) Os candidatos nos debates perdem mais tempo atacando uns aos outros do que apresentando propostas e aprofundando a discussão sobre temas importantes. Isso também se deve, no caso televisão, pela organização que prioriza mais os sopapos entre os postulantes à presidência que o debate propriamente dito.

6) As eleições para deputado e senador ficam em segundo plano porque os candidatos a presidente e governador roubam a cena. A coadjuvância do debate para esses cargos acaba refletindo nas próprias instituições. Quem costuma acompanhar a atuação de seus deputados e senadores?

7) Temas espinhosos como aborto, legalização da maconha, casamento gay causam calafrios nos candidatos com maior chance de se eleger. O medo de perder votos faz com que não declarem suas posições ficando sujeitos a acordos que impedem o avanço nessas áreas.

8) O Brasil está polarizado em dois projetos: PT e PSDB. Marina tentou ser a terceira via, mas se perdeu por assumir posições da direita logo depois da morte de Educado Campos, tanto que o representante legítimo da elite – Aécio – reconquistou muitos votos que haviam migrado para ela. 

9) Para romper a polarização PT e PSDB não basta apresentar-se como um novo nome. Marina fez campanha sob o mote da nova política, mas associou-se a velhos expedientes, como o poder econômico estampado no empresariado da Natura e do Itaú. Deu no que deu. É necessário definir um programa que seja uma alternativa aos dois partidos citados. Neste item,  Luciana Genro conseguiu emplacar propostas agradando uma parcela importante do eleitorado, principalmente, o jovem. Se vai conseguir se consolidar como alternativa é outra história.

10) Em junho de 2013 – com os protestos – era difícil imaginar que Dilma se reelegesse. Sua imagem pessoal e a avaliação do governo perderam muito com os protestos, mas ela entrou na campanha – meses atrás – como favorita; perdeu o favoritismo para Marina e recuperou agora na reta final.  Nunca é tarde para lembrar que governo é governo e campanha é campanha.

Imagem: Fonte: Blog Justiça de A a Z.

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