terça-feira, 21 de outubro de 2014

Projeto de Brasil


Como classe média, pago impostos e, geralmente, uso pouco os serviços públicos.

Tenho filho em colégio (particular) de ensino fundamental e médio, por isso não uso a escola pública. 

Tenho plano de saúde, por isso uso o SUS em alguns serviços de baixa e de alta complexidade. Os planos só cobrem majoritariamente os serviços de média complexidade (consulta e exame de especialidade) e ainda com participação do usuário.  

Tenho carro financiado com juros extorsivos de instituição financeira privada, por isso uso muito pouco o transporte coletivo. Somente quando o carro - financiado com juros extorsivos de instituição financeira privada - está na oficina.

Tenho casa própria financiada diretamente com a construtora, sem subsídio do governo federal, mas tenho empréstimos pessoais em banco público cuja taxa de juro é menos da metade da praticada pelos bancos privados das necas da vida.

No próximo dia 26, escolheremos o nome que vai ocupar a Presidência da República para o período 2015/2018.

Aécio Neves defende um projeto neoliberal, conservador e já acenou que vai governar, preferencialmente, para o mercado. 

Os rentistas e especuladores excitam-se na Bolsa de Valores quando o tucano sobe nas pesquisas, numa clara demonstração de que é o preferido do mercado financeiro.

Suas propostas de estado mínimo com corte dos gastos (para o mercado, pobre é gasto e não investimento), redução da participação dos bancos públicos (BNDES, Caixa e BB) e cumprimento do tripé econômico mobilizam os agentes financeiros. 

As medidas tucanas colidem diretamente com as propostas da petista Dilma Rousseff, que defende o estado como agente do desenvolvimento fortalecendo as políticas sociais, ou seja, o investimento em quem mais precisa; a expansão da atuação pública dos bancos estatais e política econômica com valorização do salário mínimo e manutenção dos direitos do trabalhador. 

Portanto, são dois projetos políticos claros – para citar alguns exemplos – cujas propostas ora convergem, mas que na maioria das medidas se distanciam.

Por isso, no próximo domingo votarei no projeto de desenvolvimento que prevê a garantia das conquistas dos últimos 12 anos, conquistas que puseram milhões de pessoas no mapa do Brasil.

Como classe média, não uso a escola pública fundamental e média, mas me representa um projeto que prioriza o investimento na escola pública e no acesso ao ensino técnico e superior, que precisa melhorar muito ainda. 

Como classe média, uso pouco o SUS, mas me representa um projeto que prioriza a saúde pública, que precisa melhorar muito ainda.

Como classe média, uso muito pouco o transporte coletivo, mas me representa um projeto que prioriza a mobilidade urbana, que precisa melhorar muito ainda.

Como classe média, uso muito pouco os juros subsidiados para a casa própria, mas me representa um projeto que prioriza a habitação popular, que precisa melhorar muito ainda.

Como classe média, meu voto não é para mim nem para os iguais a mim. Meu voto é para os diferentes que precisam do governo para disputar – comigo e com os iguais a mim – em condições de igualdade.

Nenhum comentário: