sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Fim e começo


A sexta é preta


A friday é black e o consumo é excessivamente consumista.

Mesmo precisando de nada, muitos vão às compras comprar.
O consumidor enlouquece e o vendedor as vendas aquece.
Na loja, os clientes se estapeiam por causa de um... de uma....
Do que mesmo?

Física ou onlinemente, a ordem é gastar, gastar muito, gastar sem ter, gastar para ter.
Televisão, home theater, iPad, pode?
Pode. Pode celular. Pode perfume. Pode sapato. Pode roupa.
Descontos de até 80%?

Comerciante esperto adere à friday black mesmo se aumentou o preço às vésperas.
A propaganda é a arma do negócio.
O desconto é real. 
Só que não.

Da última edição da Black Friday, o sapato ainda está na caixa.
Aquelas sete blusinhas ainda ostentam a etiqueta pretinha.
O multiprocessador virou porta-pão.
A esteira, cabide do roupão.

A friday é black e o consumo é excessivamente consumista.

Foto: Reprodução: Marco Ankosqui/Folhapress.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Inquietudes (234) do Rei

A prisão - histórica - de grandes empresários e executivos brasileiros prova que a corrupção não é uma invenção petista nem tucana; nem de esquerda nem de direita, nem na Petrobrás nem no metrô de São Paulo. É uma atividade humana - desprezível. Combater a corrupção é uma tarefa mais árdua do que combater apenas alguns grupos de corruptos. E o Brasil quer mesmo enfrentar esse problema?

sábado, 22 de novembro de 2014

Gravidez


Corrupção Brasil


A corrupção – para existir – precisa de dois elementos fundamentais. O corrupto e o corruptor. O primeiro recebe dinheiro ilegal. O segundo paga dinheiro ilegal. No Brasil, os políticos são tidos como corruptos e, normalmente, quem paga propina é visto como vítima do agente público mauzinho.

Pego em delito flagrante, empresário corruptor costuma fazer-se de vítima e afirma que foi extorquido, que foi ameaçado de ser prejudicado em seus negócios se não pagasse propina a agentes públicos corruptos. Erton Medeiros Fonseca, da Galvão Engenharia, entre outros encarcerados na Lava Jato, seguem à risca tal cartilha.

O diretor da construtora pagou propina ao ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa e ao doleiro Alberto Youssef. O jornal Folha de S.Paulo afirma que “de acordo com Fonseca, o pagamento foi realizado depois de ameaças feitas por Costa e Youssef. Eles teriam afirmado que, se não fossem atendidos, a empresa seria prejudicada pela Petrobrás nos contratos em andamento.”

Não se duvida que bandidos-réus-confessos-delatores-premiados ameacem empresários a pagar propina para manter seus esquemas criminosos. O que se deve questionar é porquê empresários honestos se submetem ao pagamento de propina.

Fossem honestos pagariam mesmo? Fossem honestos não denunciaram o esquema às autoridades competentes? Fossem honestos não dariam um jeito de registrar a extorsão, a ameaça? Pagar propina e fazer pose de vítima são coisa de gente honesta?

A presidenta Dilma disse que em seu governo não abafa investigação alguma e que não vai ficar pedra sobre pedra. Independentemente do que a presidenta quis dizer, o fato é que parte dos deputados e senadores está apavorada com o rumo das investigações, porque também atingem o Congresso Nacional.

O esquema de corrupção da estatal, além, de irrigar partidos do governo e da base aliada (PT, PMDB, PP entre tantos) irrigou a oposição em outros tempos, como PSDB e o PSB. A sangria não é nova e mexe com a estrutura político-partidária do país.

Infelizmente o combate à corrupção no Brasil é seletivo. As instituições combatem os corruptos dos quais não gostam. Basta ver o tratamento dado ao tema pela Polícia Federal e pela
 imprensa.

O tratamento seletivo da PF e da justiça mostra que delegados da Polícia Federal no Paraná que comandam as investigações da Lava Jato, durante as eleições, atacaram o PT e Dilma, enaltecendo Aécio.

Isso coloca em xeque a credibilidade das investigações e reforçam as suspeitas do vazamento de informações durante o primeiro e o segundo turnos das eleições para beneficiar a campanha do tucano em detrimento da campanha petista. Tanto que – antes tarde do que nunca – o juiz Sérgio Moro quebrou o sigilo da investigação para conter os vazamentos seletivos.

O vazamento de informações por conveniência teria sido operado por um ex-tucano e ex-delegado da PF, o atual deputado paranaense Fernando Francischini. O advogado de Youssef tem estreitas ligações com o PSDB do Paraná. Antonio Figueiredo Basto foi indicado pelo governador tucano Beto Richa para o conselho da Sanepar.

"O advogado [Antonio Figueiredo Basto] começou a vazar coisa seletivamente. Eu alertei que isso deveria parar, porque a cláusula contratual diz que nem o Youssef nem o advogado podem falar (...) Se isso seguisse, eu não teria compromisso de homologar a delação." As afirmações são de ninguém menos que Rodrigo Janot, procurador-geral da República.

A imprensa

A imprensa tradicional – de modo geral – também não combate a corrupção, mas apenas os corruptos dos quais não gosta. Pesquise, por exemplo, a diferença editorial entre os mensalões do PT e do PSDB; o trensalão que investiga os desvios de dinheiro público nos trens e metrôs de São Paulo, sob a supremacia tucana há 20 anos.


Análise pertinente vem do jornalista Fernando Brito. Ele discute como a Folha de S.Paulo trata crimes iguais. Em manchete do último dia 20, o jornal escreveu na capa "Doações de investigadas na Lava Jato priorizam PP, PMDB, PT e oposição". Ou seja, o governo tem partido e a oposição não. 

A Folha, quando pode, esconde as siglas PSDB e DEM das investigações. À medida que as investigações implicam os tucanos, membros do partido silenciam sobre o escândalo, até então usado como arma contra os petistas na disputa eleitoral. Por onde anda Aécio Neves, que discursava fervorosamente contra Dilma?

Sim, meu caro internauta, você pode apontar que esse texto tem vários links da mídia tradicional. E tem mesmo. A mídia publica denúncias contra os tucanos, mas amplifica e martela as acusações de corrupção contra o PT, minimiza e suaviza as dos PSDB. 

Neste sentido, o herói atual da imprensa contra o governo vem da base aliada, rachada, mas aliada e atende pelo nome de Eduardo Cunha, deputado federal pelo Rio de Janeiro. Ele cumpre agora o papel que foi de Joaquim Barbosa nas críticas ao governo e, convenientemente, a mídia – por enquanto – não publica com destaque a biografia dele, por estar ao lado dos donos dos grandes veículos de comunicação.

Eduardo Cunha concorre ao posto de presidente da Câmara de Deputados e, mesmo sendo da base do governo, é um nome propício para enfrentar o governo federal. Cunha promete que se for eleito, projeto algum de regulamentação da mídia passará. Como se sabe, a regulação econômica é uma proposta da presidenta para seu segundo mandato.

O homem que promete não deixar projeto de regulação da mídia passar, se for presidente da Câmara, é o mesmo que moveu cerca de 50 processos contra jornalistas e veículos de comunicação. Como se vê, a liberdade de expressão – para Eduardo Cunha – tem conceitos bastante elásticos.

A corrupção não é uma invenção petista nem tucana; nem de esquerda nem de direita, nem na Petrobrás nem no metrô de São Paulo. É uma atividade humana - desprezível. Combater a corrupção é uma tarefa mais árdua do que combater apenas alguns grupos de corruptos. E o Brasil quer mesmo enfrentar esse problema?

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Tem dono sim!


“Violências sexuais, trotes violentos, castigos físicos, humilhações, machismo, racismo e discriminação social.“ Esse é o ambiente descrito em uma das mais tradicionais escolas de Medicina do país, a Faculdade de Medicina da USP. 

A reportagem, que desnuda a violência praticada por alunos veteranos e abafada pela direção da instituição, é assinada por Tatiana Merlino, Igor Ojeda, Caio Palazzo/Vídeos e Rafael Bonifácio, no site Ponte.

“As violências se tornam rituais que se repetem a partir de uma ideia de tradição que querem manter, que não é exatamente do curso, mas uma tradição de algumas festas e instituições que se torna escandalosa”, afirmou - ao site Ponte - Heloísa Buarque de Almeida, coordenadora do programa USP Diversidade.

Para se ter uma ideia da gravidade da situação, em que estupro é registrado em festas organizadas por entidades de estudantes da faculdade, o grito de guerra de muitos estudantes revela-se abjeto.

– Buceta! Buceta! Buceta eu como a seco! No cu eu passo cuspe! Medicina é só na USP!

Espanta o grau de violência sexual e discriminação social cometidas por futuros médicos, os mesmos que cuidarão da minha e da sua saúde em pouco tempo. Serão profissionais da saúde pública e conveniados aos planos de saúde. Como lidarão com a violência contra a mulher, por exemplo?

Tão vil quanto a violência praticada por universitários, cuja formação profissional é paga com dinheiro público, é a tentativa de muitos e muitas machistas em explicar o comportamento predador, colocando a responsabilidade nas vítimas.

Há quem justifique tal brutalidade apenas como consequência das meninas que não se valorizam; das meninas que usam roupas “provocantes”; das garotas que não se dão ao respeito; das garotas que participam dessas festas; daquelas que se embebedam. Ao contrário do que muitos predadores gostariam, cu de bêbado tem dono sim. 

Bebida não é senha para violência sexual. Abusar de uma pessoa nessas circunstâncias mostra o caráter (mal e mau) do abusador, que aproveita da situação para satisfazer seus desejos mais primitivos e, ainda, colocar a culpa na vítima.

O processo de culpabilização da vítima é duplamente amargo. Primeiro, está explícito, porque culpa a estuprada pelo acontecimento. Segundo, porque é expressão de uma sociedade machista que avaliza o homem a seguir seus instintos, mesmo que criminosos, e determina o "recato" à mulher.

Ninguém tem o direito de violar o corpo de ninguém. E sexo consensual é muito diferente de sexo forçado. O combate à violência sexual passa pelo combate ao machismo e às técnicas para livrar os machistas das suas responsabilidades, mas nossa sociedade quer fazer isso?

sábado, 15 de novembro de 2014

Inquietudes (233) do Rei

Enquanto o brasileiro achar que tem mais direito que o outro, os privilégios e as regalias nunca deixarão de existir.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Desinformação e preconceito

O Brasil atual exala desinformação e preconceito!
As urnas do Sul e do Sudeste mostram a cara de quem vota com o estômago, mas recriminam quem vota com o estômago no Norte e no Nordeste.

O Brasil atual exala desinformação e preconceito!
Bolsa Família é coisa de vagabundo, mas bolsa científica é auxílio para a produção do conhecimento.

O Brasil atual exala desinformação e preconceito!
Movimento social que reúne pobre e trabalhador é coisa de comunista e bolivariano, mas organização de empresário é arranjo do setor produtivo.

O Brasil atual exala desinformação e preconceito!
Participação social no governo é atentado à representatividade do Congresso Nacional, mas pedir a ditadura e a volta dos militares é democracia.

O Brasil atual exala desinformação e preconceito!
Regular a mídia economicamente é censura, mas produzir notícia segundo o interesse das empresas de comunicação é liberdade de imprensa.

O Brasil atual exala desinformação e preconceito!
Indicar os ministros do STF, conforme prevê a Constituição, é aparelhar outro poder, mas condenar sem provas – ou provas tênues – é justiça.

O Brasil atual exala desinformação e preconceito!
Mas será que não foi sempre assim?

domingo, 9 de novembro de 2014

O cidadão infrator e a agente de trânsito


Imagine um cidadão sem carteira de habilitação, dirigindo um caro sem documentos e sem placas.
Multa. Aliás, várias multas por dirigir sem habilitação, um carro sem placas e sem documento.
Mas... o motorista infrator está no Brasil.
Ao ser parado numa blitz, ele usa o cargo – o de juiz de primeira instância –para escapar das infrações.
Uma agente de trânsito diz que “juiz não é Deus” e vai cumprindo a sua função.
Sentindo-se desrespeitado em seu ego infrator, o motorista – ou melhor, o juiz – dá voz de prisão à agente.

Não se trata de ficção, o juiz que cometeu várias infrações chama-se João Carlos de Souza Correa.
A agente de trânsito é Luciana Silva Tamburini.
O episódio ocorreu durante uma blitz da Lei Seca, em 2011, no Rio de Janeiro. 
E nesta semana, saiu a decisão de uma ação por danos morais do juiz-cidadão-infrator contra a agente de trânsito.
Luciana Tamburini foi condenada pelo desembargador José Carlos Paes, da 14ª Câmara Cívil do Tribunal de Justiça (TJ) do Rio. 
O valor da indenização é de R$ 5 mil.
Com a solidariedade da internet, a agente já conseguiu o valor para pagar a indenização, mas ávida que vai recorrer da decisão. 

O episódio do juiz-cidadão-infrator e da agente de trânsito revela muito sobre as autoridades brasileiras e sobre o próprio país. Arrisco algumas considerações.

1) O juiz-cidadão-infrator não representa o judiciário como um todo, mas a sua postura revela a arrogância típica de quem usa o poder em benefício próprio. Fosse honrado pela função que desempenha – fazer justiça – ao cometer uma infração, o juiz daria o exemplo e não usaria o cargo – pago com dinheiro público – para se safar das irregularidades que cometeu – fora do cargo.

2) Você-sabe-com-quem-está-falando?. O famoso carteiraço é típico de uma sociedade acostumada a privilégios de classe. O cidadão de posses usa o poder que tem ou o poder dos amigos que tem para conquistar coisas ou apagar situações irregulares do seu currículo. Isso é uma herança da colonização do país, que revela uma elite mesquinha e egoísta. Nem todo mundo é igual perante a lei.

3) A decisão do desembargador José Carlos Paes de obrigar a agente a indenizar o juiz-cidadão-infrator é de um corporativismo deslavado e vergonhoso. Deslavado porque o juiz - parado em blitz - não estava na condição de juiz, mas como cidadão infrator. Vergonhoso porque mostra que a dama da justiça enxerga de forma seletiva. Se é para beneficiar os iguais, passemos por cima da lei, do decoro, da vergonha na cara.

4) E por ser uma decisão deslavadamente corporativa, mostra-se urgente a necessidade de uma reforma do Judiciário, um poder fechado hermeticamente. É muito pouco apenas uma instância - o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) – para julgar o crime de magistrados, principalmente, porque quando o CNJ condena algum juiz, a pena – invariavelmente – é a aposentadoria compulsória. Isso significa dizer que se o juiz foi condenado – provou-se a culpa – e mesmo culpado – vai para casa com o salário pago pelos contribuintes, em vencimentos integrais.  

5) O Judiciário goza de muitos benefícios com baixo retorno dos serviços públicos à população. O acesso à justiça é caro e moroso. E não há garantia de que justiça vai ser feita. Recentemente, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, decidiu pelo pagamento de R$ 4.300,00 de auxílio-moradia para juízes federais. Juízes do Rio de Janeiro, o mesmo estado do juiz-cidadão-infrator, querem auxílio-educação de R$ 7,2 mil. 

6) A sociedade brasileira, de modo geral, não se levanta contra os privilégios do funcionalismo público das três esferas – cujos serviços são de baixa qualidade e quantidade. Basta ver a indústria de cursos preparatórios para cargos públicos. Além disso, falta comprometimento social de grande parte do funcionalismo. O trabalhador desse setor deve sim ser bem remunerado e ter benefícios reais, mas o mecanismo de controle da qualidade do serviço prestado deve também ser aprimorado. Afinal é muito alto o investimento de recursos públicos no funcionalismo, pelo baixo retorno que dá á população.

7) O Brasil está acostumado a uma sociedade de privilégios, que ataca –impiedosamente – os direitos básicos do outro. Muitos que defendem auxílio-isso, auxílio-aquilo para si mesmo berra contra o bolsa-isso e o bolsa-aquilo. 
Auxílio-isso é direito. Bolsa-isso é esmola.
Auxílio-aquilo é prêmio para desempenho pessoal. Bolsa-aquilo é estímulo à acomodação.
Como se vê, persistem os dois pesos e as duas medidas, dependendo dos interesses e dos envolvidos. Enquanto o brasileiro achar que tem mais direito que o outro, os privilégios e as regalias nunca deixarão de existir. 

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Entre a irresponsabilidade e a maldade


“Não tenho bola de cristal. É importante que [o STF] não se converta numa corte bolivariana.” A declaração é do ministro Gilmar Mendes, em entrevista - hoje - ao jornal Folha de S.Paulo. Mendes refere-se à possibilidade de, em 2016, o Supremo Tribunal Federal (STF) ter 10 de 11 ministros indicados pelos governos Lula e Dilma. Ele seria o único a não ter sido indicado, já que é indicação de Fernando Henrique Cardoso.

A Folha de S.Paulo explica que “a expressão bolivarianismo serve para designar as políticas intervencionistas em todas as esferas públicas preconizadas por Hugo Chavez (1954-2013) na Venezuela e por aliados seus, como Cristina Kirchner, na Argentina”.

A declaração do ministro Gilmar Mendes flerta com a irresponsabilidade e a maldade, além de ser um insulto grave aos seus colegas de toga.  A irresponsabilidade de Mendes se caracteriza ao associar o bolivarianismo ao PT, democraticamente eleito nas últimas quatro eleições presidenciais, sem considerar os mecanismos para indicação dos ministros.

Conforme parágrafo único, do artigo 101 da Constituição Federal, “os ministros do Supremo Tribunal Federal serão nomeados pelo Presidente da República, depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal.” O ministro, conforme o mesmo artigo, deve ter “notável saber jurídico e reputação ilibada.”

Isso significa que cabe somente ao presidente da República a nomeação dos ministros depois de serem sabatinados no Senado.  As regras de indicação para o STF seguem o Estado Democrático de Direito e passam longe do intervencionismo sugerido por Gilmar Mendes. Se essas regras não são suficientes que sejam pensadas as mudanças necessárias para o aprimoramento do sistema.

O próprio Gilmar Mendes, quando foi indicado pelo presidente FHC, passou por uma sabatina no Senado, que durou cerca de seis horas.  Mendes era advogado geral da União, ou seja, vinculado ao presidente que o indicou. Ministro, o senhor acha que a sua indicação foi bolivariana?

Antes mesmo da possibilidade de Mendes vir a ser ministro do STF, o jurista Dalmo Dallari escreveu, também na Folha de S.Paulo, que Mendes “especializou-se em “inventar” soluções jurídicas no interesse do governo”. Precisa dizer mais sobre o personagem em questão?

Então, com a palavra, novamente, Dalmo Dallari. “A comunidade jurídica sabe quem é o indicado e não pode assistir calada e submissa à consumação dessa escolha notoriamente inadequada, contribuindo, com sua omissão(...) É assim que se degradam as instituições e se corrompem os fundamentos da ordem constitucional democrática.”
  
A maldade das afirmações do ministro Gilmar Mendes se configura pelo momento que vive o Brasil. Uma parcela da população, inconformada com a vitória de Dilma Rousseff, vai às ruas pedir o impeachment da presidente, acusando a reeleição de ter sido fraudada, sem sustentar como teria ocorrido a fraude.

No último final de semana, em São Paulo, manifestantes pediram a volta da ditadura militar.  São os mesmos que criticam a ditadura de Cuba, mas se sentem saudosos do pau-de-arara brasileiro. São os mesmos que atacam o decreto presidencial que instituiu a Política Nacional de Participação Social. Sãos os mesmos que rotulam os movimentos sociais do país de bolivarianos.

Portanto, as declarações do ministro Gilmar Mendes consistem em jogar combustível numa fogueira alimentada pelo ódio, pela desinformação, pelo preconceito, podendo gerar violência. Se o Brasil está mesmo dividido, Mendes contribui para aumentar essa cisão, o que não é compatível com uma “reputação ilibada”, exigida pelo cargo que ocupa.

domingo, 2 de novembro de 2014

Inquietudes (232) do Rei

Quem não tem voto, caça com militares?

Inquietudes (231) do Rei

Defender a justiça com as próprias mãos é atestado de falência da crença na justiça, por um lado; e a execução do discurso do ódio, por outro. Enfim, a humanidade precisa se repensar urgentemente.