quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Prometo nada

Para 2015 vou renovar promessa nenhuma.
Não cumpri o que prometi em 31 de dezembro de 2014, de 2013, de 2012...

Por isso, não prometo coisa alguma.

Não prometo fazer mais exercício físico,
não prometo emagrecer,
não prometo parar de beber,
não prometo trabalhar menos,
não prometo parar de ser crica,
não prometo estudar mais,
não prometo não falar o que vem à cabeça,
não prometo parar de entrar em discussão - à toa - sobre política.

Ano novo termina no dia 2 de janeiro, quando tudo volta ao normal.
Posso prometer nada, mas quero que 2015 seja melhor,
mesmo que você não faça exercício físico,
mesmo que você engorde,
mesmo que você não pare de beber,
mesmo que você trabalhe demais,
mesmo que você seja crica,
mesmo que você não estude mais,
mesmo que você fale tudo o que vem à cabeça,
mesmo que você entre em discussão - à toa - sobre política.

Ninguém muda de uma hora para outra só porque janeiro chegou mais uma vez.
A mudança é para valer somente quando algo nos incomoda demais.
E isso pode acontecer em qualquer época do ano.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Se a moda pega... ou já pegou?

No Brasil, onde muitos querem levar vantagem,
no Brasil, onde desonesto é sempre o outro,
no Brasil, onde você precisa saber com quem está falando,
no Brasil, onde autoridades deveriam ser exemplo,
o juiz Marcelo Testa Baldochi e um tenente da Aeronáutica podem fazer escola. 

Ambos perderem o voo e deram voz de prisão a funcionários da companhia aérea.
Por isso, não se espante se ler algum dia coisas do tipo.

- Aluno tira zero na prova e dá voz de prisão ao professor.

- Filho dá voz de prisão à mãe que o mandou arrumar o quarto.

- Namorado dá voz de prisão à namorada que demorou para se vestir.

- Motorista infrator dá voz de prisão ao policial que não aceitou propina para não registrar a multa.

Como diz um meme que corre a internet, o errado é errado mesmo que ninguém veja.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Aí, o emprego

Aí, a minha conhecida - que é trabalhadora - disse.

__O empregado tem de levantar as mãos para o céu, agradecer pelo seu emprego e abençoar o seu local de trabalho por dar o seu pão de cada dia.

Eu tive de complementar.

__É verdade! E o patrão também tem de levantar as mãos para o céu, agradecer pelos seus empregados que ajudam a dar o seu lucro de cada dia.

Será que é por isso que chamamos de relações trabalhistas?

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Aí, a homofobia

Aí, o meu conhecido diz que detesta o deputado Jair Bolsonaro porque ele é homofóbico.

__É uma falta de respeito e de tolerância. Bolsonaro odeia os gays. Acho que ele deve ser um viado enrustido, isso sim. É uma bichona.

Eu tive de perguntar.

__Por que você ataca o Bolsonaro afirmando que ele é homofóbico e você usa adjetivos homofóbicos para desqualificá-lo?

sábado, 13 de dezembro de 2014

Aí, o machismo

Aí, o meu conhecido diz que não é machista. E começamos a falar do episódio que envolveu o deputado Jair Bolsonaro e a deputada Maria do Rosário.

__Um absurdo. Ela provocou o deputado e não aguentou o tranco. É feia, não merece mesmo ser estuprada. Uma vagabunda.

Eu tive de responder.

__Além de machista, você comete o mesmo crime do Bolsonaro, faz apologia ao estupro. E você sabe por que Bolsonaro faz tanto sucesso?

Ele responde entre a arrogância e o escárnio.

__Não! Não sei.
__Porque existe muita gente igual a ele. Um exemplo é você.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Inquietudes (239) do Rei

Chamar uma mulher de vagabunda - defendo - é um ato machista, pelo fato de se usar a condição de gênero de forma pejorativa para degradar uma mulher. Há outros adjetivos do mesmo calibre: vaca, biscate, puta, rameira. Está implícito nesses adjetivos a depreciação a partir do gênero.

No entanto, chamar um homem de vagabundo não é feminismo porque você estaria fazendo uma espécie de machismo às avessas. E isso, para mim, não existe. Mas chamar um homem de viado é machismo exatamente porque está na conta da depreciação pela orientação sexual. 

O macho é superior às vagabundas e aos viados? Portanto, esses são xingamentos machistas. E esse machismo pode ser tanto de homens quanto de mulheres. Aliás, existe muita mulher machista por aí.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Bolsonaro, estupro e dedos


“Eu estupraria Mª do Rosário... mas com os dedos, pq c/aquele cara, #nemcomviagranaveia.”

Esse é o tipo de atitude que o nada nobre deputado Jair Bolsonaro (PP/RJ) desperta quando afirma, do alto da tribuna do Congresso, que não estupra a também deputada Maria do Rosário (PT/RS) porque ela “não merece”.

Então mulher feia deve ser estuprada com os dedos? E mulher bonita deve ser estuprada com o pênis? Ou com cabo de vassoura e outras armas? Sim, estuprador faz do próprio pinto e outros objetos uma arma. Por isso, é que se trata de uma violência contra as mulheres. 

Aliás, uma violência tipificada como crime. Não se iludam! Há quem argumente que esse tipo de frase é uma brincadeira, liberdade de expressão. Não é! É crime e deve ser punido. O autor da frase acima, postada com foto e tudo no Facebook, deve ser processado. 

Para variar, o perfil já foi apagado. Muitos vão tentar dizer que a repercussão negativa - a tal patrulha politicamente correta nas redes sociais - tem esse poder e - acuado - o dono do perfil saiu da rede. 

Nada disso. O perfil foi apagado também pela pressão e, talvez, porque o autor, se não sabia - já sabe, fez apologia ao crime. Portanto, evita com isso que se caracterize o fato em si. Ainda bem que a patrulha politicamente correta fez o print antes. A prova está aí.

Esse comentário é também reflexo da cultura do estupro que se perpetua por causa do machismo incrustado em todas as classes sociais. Numas mais, noutras menos, mas o fato é que o machismo é pai de muitos filhos. Além do estupro, da violência física, da violência psicológica e do assassinato. Sim, o machismo mata.

Jair Bolsonaro desperta em milhares o que há de pior no ser humano. Ele não agride apenas as mulheres; agride também os homens que lutam por uma sociedade mais justa, menos racista, menos sexista, menos homofóbica. Cassar o mandato de Jair Bolsonaro é uma atitude que o Congresso Nacional deve ao Brasil. Pelo menos à parte do Brasil que respeita e aceita o próximo.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Bolsonaro, mais uma vez

O deputado Jair Bolsonaro, do PP do Rio de Janeiro, disse do alto da tribuna da Câmara, hoje (dia 9), que não estuprava a colega deputada Maria do Rosário, do PT do Rio Grande do Sul, porque ela “não merece”. Vale perguntar se Bolsonaro já estuprou alguma mulher que merecesse. Se estuprou, cometeu um crime grave.

A agressão de hoje foi a resposta do deputado machista, racista e homofóbico ao discurso da gaúcha que criticou os movimentos que pedem a volta da ditadura militar, a qual classificou de “vergonha absoluta”. Bolsonaro é militar da reserva. O pior é que o deputado já havia agredido Maria do Rosário, em 2003, a quem chamou de "vagabunda".

Jair Bolsonaro protagonizou muitos episódios que condenariam qualquer cidadão comum e, pelo visto, continua transgredindo as regras da democracia como um bom militar que atuou durante o regime militar; o mesmo regime que torturou, matou e escondeu brasileiros país afora.

Ao não punir Jair Bolsonaro, o Congresso Nacional torna-se não apenas conivente com as suas agressões, mas seu cúmplice. A imagem de deputados e senadores - que não é boa - piora cada vez mais. 

Nas eleições de 2014, Bolsonaro foi o deputado federal mais votado do Rio de Janeiro. Ele foi reeleito para o 7º mandato, com mais de 464 mil votos. Sim. O deputado Jair Bolsonaro, entre polêmicas e agressões, faz muito sucesso. Infelizmente, existe no Brasil muita gente como ele.

Crédito da imagem: Carlos Latuff.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Aí, o aborto

Aí... a minha conhecida diz que é contra o aborto e a favor da vida.

__Se o aborto fosse legalizado, um Mahatma Gandhi poderia não ter nascido.
Escuto. Depois emendo.
__É verdade! E se o aborto fosse legalizado, um Hitler também poderia 
não ter nascido.

Argumento fraco se combate com argumento fraco.

Aí, a ditadura

Aí... o meu conhecido diz que votou contra o PT porque não quer que o partido se perpetue no poder.

__O Brasil vai virar uma Venezuela! Não pode se perpetuar no poder. Isso é ruim.
__Então é simples... apresente um projeto melhor, convença e mobilize a maioria dos eleitores e vença na urnas.

Simples não?

Saudades (II)


sábado, 6 de dezembro de 2014

Inquietudes (237) do Rei

O Brasil está acostumado a uma sociedade de privilégios, que ataca – impiedosamente – os direitos básicos do outro. Muitos que defendem auxílio-isso, auxílio-aquilo para si mesmo berra contra o bolsa-isso e o bolsa-aquilo. Auxílio-isso é direito. Bolsa-isso é esmola. Auxílio-aquilo é prêmio para desempenho pessoal. Bolsa-aquilo é estímulo à acomodação. Como se vê, persistem os dois pesos e as duas medidas, dependendo dos interesses e dos envolvidos. Enquanto o brasileiro achar que tem mais direito que o outro, os privilégios e as regalias nunca deixarão de existir. 

Inquietudes (236) do Rei

Bebida não é senha para violência sexual. Abusar de uma pessoa embriagada mostra o caráter (mal e mau) do abusador, que aproveita da situação para satisfazer seus desejos mais primitivos e, ainda, colocar a culpa na vítima.

Sexo, internet e suicídio


Um vereador de uma cidade do interior do Rio Grande do Norte do Norte foi flagrado fazendo sexo com outro homem em um banheiro. O caso ganhou repercussão em blogs e sites do nordeste, que exibiram a imagem do ato sexual. 


Algumas publicações divulgaram que o cidadão teria se suicidado por não ter aguentado a pressão por causa da divulgação das imagens. Outros dizem que ele tentou o suicídio, mas não teria tido êxito. De qualquer forma, o vereador virou chacota na cidade e caiu no mundo obscuro das redes sociais. O episódio suscita algumas reflexões. Arrisco algumas.

1) Com ou sem suicídio, a repercussão do caso ainda fica centrada no fato do cidadão ter feito sexo com outro homem. A discussão é moral e muita gente condena não o ato não sexual, mas homossexual. Se fosse flagrada uma relação hetero, para a maioria certamente o homem seria pegador e a mulher vagabunda. Isso revela muito sobre os preconceitos e os preconceituosos. 

2)  A exposição on-line levou o vereador a tentar o suicídio. Isso é fato. Se ele conseguiu se matar ou não, pouco importa. A pessoa que fez as imagens e as divulgou é responsável por isso, assim como quem reproduziu em seus blogs e sites. A responsabilidade deve ser compartilhada por quem ajudou a propagar o episódio.

3) No imaginário coletivo da cultura machista – aquela mesma em que a mulher dona de seu nariz é vadia -  viado é o homem que faz sexo passivo, ou seja, o que dá. O homem que come é macho, mesmo comendo outro homem. Na repercussão desse caso, o homossexual ativo nem é citado. Na internet, você percebe o nível dessa realidade nos comentários de leitores dos blogs e sites, que reproduziram as imagens do banheiro indiscreto.

4) A intimidade de uma pessoa interessa somente a ela e a quem faz parte da sua intimidade. Se o vereador – como pessoa pública - não patrocinou sexo com dinheiro público, o fato de transar com outro homem interessa a ninguém. Se a amante de uma autoridade não é notícia, porque está na esfera privada, também não são notícia as preferências sexuais de um vereador. Essa percepção é reforçada pelo fato de o cidadão ser vereador em Janduís e a cidade onde foi feita a imagem de sexo no banheiro ser outra: Caraúbas. O vereador não estava em missão oficial da Casa que representa.

5) Ninguém nasce preconceituoso. As pessoas aprendem a discriminar. E se aprendem a discriminar podem também a aprender a aceitar as diferenças. Isso se chama educação, mas como educar para a diversidade se pais, mães, outros familiares e também a igreja e a escola oprimem e reprimem as minorias?

6) A violência contra homossexuais é gritante. Em 2013, segundo pesquisa do Grupo Gay da Bahia, um homossexual/lésbica/travesti foi assassinado a cada 28 horas no Brasil. O que isso tem a ver com o vereador que se suicidou no RN? Gravar a intimidade um homem fazendo sexo com outro homem e expor na rede não é uma violência que o levou ao suicídio?

7) A onda conservadora que tomou conta do Brasil, impulsionada pela radicalização política nas campanhas presidenciais de 2010 e 2014, revela a violência contra esses grupos. Todo mundo sabe quem são os políticos, os religiosos e as autoridades/celebridades homofóbicas. O
país tem a obrigação moral de criminalizar a homofobia. E o governo Dilma tem a obrigação política de gestionar para que esse projeto seja aprovado no Congresso Nacional.

A sexualidade humana é muito mais complexa do que gostariam os rótulos simplistas dos preconceituosos de plantão. A repercussão de um episódio como esse, que para a maioria foge às regras da “normalidade”, mostra como as pessoas lidam com a sexualidade alheia e, principalmente, com a sua própria sexualidade.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Inquietudes (235) do Rei

As decepções não seriam grandes se as expectativas tivessem o tamanho que deveriam ter. Ao cevar nossas expectativas podemos engordar decepções futuras. E o pior, sempre transferimos a responsabilidade.