quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Bolsonaro, estupro e dedos


“Eu estupraria Mª do Rosário... mas com os dedos, pq c/aquele cara, #nemcomviagranaveia.”

Esse é o tipo de atitude que o nada nobre deputado Jair Bolsonaro (PP/RJ) desperta quando afirma, do alto da tribuna do Congresso, que não estupra a também deputada Maria do Rosário (PT/RS) porque ela “não merece”.

Então mulher feia deve ser estuprada com os dedos? E mulher bonita deve ser estuprada com o pênis? Ou com cabo de vassoura e outras armas? Sim, estuprador faz do próprio pinto e outros objetos uma arma. Por isso, é que se trata de uma violência contra as mulheres. 

Aliás, uma violência tipificada como crime. Não se iludam! Há quem argumente que esse tipo de frase é uma brincadeira, liberdade de expressão. Não é! É crime e deve ser punido. O autor da frase acima, postada com foto e tudo no Facebook, deve ser processado. 

Para variar, o perfil já foi apagado. Muitos vão tentar dizer que a repercussão negativa - a tal patrulha politicamente correta nas redes sociais - tem esse poder e - acuado - o dono do perfil saiu da rede. 

Nada disso. O perfil foi apagado também pela pressão e, talvez, porque o autor, se não sabia - já sabe, fez apologia ao crime. Portanto, evita com isso que se caracterize o fato em si. Ainda bem que a patrulha politicamente correta fez o print antes. A prova está aí.

Esse comentário é também reflexo da cultura do estupro que se perpetua por causa do machismo incrustado em todas as classes sociais. Numas mais, noutras menos, mas o fato é que o machismo é pai de muitos filhos. Além do estupro, da violência física, da violência psicológica e do assassinato. Sim, o machismo mata.

Jair Bolsonaro desperta em milhares o que há de pior no ser humano. Ele não agride apenas as mulheres; agride também os homens que lutam por uma sociedade mais justa, menos racista, menos sexista, menos homofóbica. Cassar o mandato de Jair Bolsonaro é uma atitude que o Congresso Nacional deve ao Brasil. Pelo menos à parte do Brasil que respeita e aceita o próximo.

Nenhum comentário: