quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Pau de selfie


Não somos supersticiosos, mas


Não acreditamos em simpatias ou crendices tolas, nem mandingas ou receitas para conquistar ou reconquistar amor, bens materiais, harmonia familiar, ter sorte boa, ganhar bastante dinheiro, mas.

A bermuda, a saia, a cueca, a camisa, a camiseta o vestido – tudo branco – para recepcionar 2016 é para trazer paz e harmonia em todos os ambientes familiar, trabalho, amizades...

Alguns usam um detalhe vermelho para conquistar amor; outros, amarelo para atrair dinheiro; outros, verde para ter saúde...

Na última ceia do ano, não comemos ave alguma; é que elas ciscam para trás e atraem má sorte.

O prato principal vai ser pernil, afinal seu dono fuça para frente; quem não gosta de porco vai de peixe. 

As lentilhas... ai as lentinhas; há décadas são feitas e sobra quase tudo para o dia seguinte.

Entre as frutas não podem faltar romãs; sete sementinhas chupadas e uma vai para a carteira atrair mais dinheiro.

Se estivéssemos na praia, pularíamos as primeiras ondas para receber 2016.

Não acreditamos em simpatias ou crendices tolas, nem mandingas ou receitas para conquistar ou reconquistar amor, bens materiais, harmonia familiar, ter sorte boa, ganhar bastante dinheiro, mas.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Aí, o caolho

Aí... meu conhecido repete os revoltados online para atacar - sem novidade alguma - a presidenta Dilma.

__A presidente inventou esta crise que está aumentando a inflação e o desemprego. E a corrupção na Petrobrás? A Lava Jato está revirando a empresa e achando todos os podres dela. Dilma e o PT estão acabando com o Brasil. O pior cego é o que não quer ver.

Eu tive de provocar.

__Sabe do que mais gosto? O caolho se acha mais inteligente que o cego e o problema é sempre a cegueira alheia.
__O que você quer dizer com isso?
__Ué! Você não enxerga longe? Deveria saber do que estou falando.


Há!

Inquietudes (294) do Rei

Leitor-ouvinte-espectador que consome informação contaminada acaba infectado. Em se tratando de política ou economia, a infecção pode evoluir para uma doença emocional muito grave: o ódio.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Inquietudes (293) do Rei

As maitês proenças, as mesmas que destilam ódio às políticas públicas de combate à pobreza, não têm a coragem das mães que devolvem o cartão do Bolsa Família.

Sem saudades, mas nunca esquecido


2015 vai terminando e não deixa saudades, mas não pode ser esquecido pela sua importância histórica

Como assim?

2015 mostrou que o Brasil não vai aceitar um golpe na democracia armado por uma oposição oportunista e uma elite rancorosa. As manifestações contra o impeachment venceram os favoráveis à derrubada de Dilma.

2015 mostrou que os revoltados on line saíram do armário para atacar quem ousa pensar e agir diferente. Chico Buarque não é efeito colateral.

2015 mostrou que a Lava Jato pode passar o Brasil a limpo, mas a operação não pode ser seletiva e deve apurar todas as acusações de corrupção; do governo FHC ao governo Dilma. 

2015 mostrou que a corrupção não é apenas política e que o empresariado pego na Lava Jato e os cartolas do futebol mundial também não são efeitos colaterais.

2015 mostrou que a política contaminada infecta a economia e os mais pobres sofrem mais. Alguma novidade?

2015 mostrou que a inflação está de volta e os desempregos aumentando e que ajuste fiscal deve ser feito na conta de quem nunca perdeu: o mercado financeiro.

2015 mostrou que a crise é grave mas não tão grave quanto gostariam algumas páginas jornais, afinal - apesar da crise - Rio de Janeiro tem recorde de turistas e as vendas pela internet no período de Natal cresceram 26% em relação ao ano passado.

2015 mostrou que apoiar eduardos cunhas para a Presidência da Câmara, só para infernizar a presidenta Dilma, não faz bem ao país.

2015 mostrou que um Congresso Nacional liderado por um deputado conservador, fartamente acusado de corrupção e movido a ódio, chantagem e vingança faz o Brasil retroceder décadas.  

2015 mostrou que há esperanças no estado democrático de direito quando o Supremo Tribunal Federal (STF) barra ritos de impeachment que ferem frontalmente a lei.

2015 mostrou que jornalismo não é propaganda política e formação de opinião não deve ser feita à moda de torcida organizada; tomara que mervais pereiras tenham aprendido a lição.

2015 vai terminando e não deixa saudades, mas não pode ser esquecido pela sua importância histórica.

Sabia(´) mesmo?


domingo, 13 de dezembro de 2015

Inquietudes (292) do Rei

Em que país - minimamente civilizado - um ministro da Suprema Corte, a exemplo de Gilmar Mendes, que deve participar do julgamento para definir o rito do pedido de afastamento de um presidente, diz que o vice seria um ótimo governante? Não tem outro nome para isso, além de golpe. 

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

domingo, 6 de dezembro de 2015

Pensamentos


Inquietudes (290) do Rei

Vamos combinar? Crise econômica e incompetência política de Dilma não são motivos para o impeachment. Conforme juristas renomados do país, como Dalmo Dallari, não há fundamento jurídico para a cassação do mandato de Dilma.

Portanto, defender um pedido aceito por Eduardo Cunha, atolado na Lava Jato e bancado pelos oportunistas PSDB, DEM e PPS, é golpe. Aécio Neves atacou Eduardo Cunha quando explodiram as acusações contra o presidente da Casa. Agora, Aécio e o PSDB abraçam Cunha na eterna tentativa de tirar Dilma do Planalto por não aceitarem os resultados das urnas em 2014.

Você que diz defender a legalidade e a democracia não pode compactuar com isso. O seu ódio à Dilma e ao PT não são motivos para impeachment, por mais que você queira. Fora da legalidade, o afastamento de Dilma é golpe. E quem apoia golpe é golpista. Simples assim.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Aí, o ditador

Aí... o meu conhecido repete as acusações de que o governo da presidente Dilma é ditatorial porque o PT é um partido bolivariano.

Não! Não sei se ele sabe o que isso significa, mas a acusação está na ponta da língua.

__É um partido de ditador que transformando o Brasil em uma Venezuela.
Não aguentei. Tive de comparar.

__Se o PT, no governo, é ditador, o que você fala do governo do PSDB de São Paulo, onde o governador Geraldo Alckmin esmurra estudante menor de idade? E o governador do Paraná, o também tucano Beto Richa, que espanca professor? 

__Meu celular está tocando. Só um momento.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Inquietudes (289) do Rei

Deixe-me ver se entendi. O cara é um ladrão confesso, faz acordo de delação premiada, fica com uma parte do dinheiro que roubou para desfrutar. A receita quer cobrar Imposto de Renda, mas o Ministério Público (MP) discorda? 

O MP alega que cobrar imposto de criminoso pode dificultar o fechamento de novas delações, ou seja, o MP não consegue provar o crime, precisa do criminoso para isso e ainda devolve um dinheirinho pela contribuição. 

Definitivamente, o crime compensa e com aval do Ministério Público e da Justiça.

domingo, 29 de novembro de 2015

By Aleijadinho


Inquietudes (288) do Rei

Jornalista que realiza um trabalho sério de investigação, que coleta, checa informações com responsabilidade, ética, que atende ao princípio de ouvir todas as versões e publica acusações com provas não teme o direito de resposta. Não há antídoto contra a verdade!

sábado, 28 de novembro de 2015

Inquietudes (287) do Rei


Em Colorado Springs, no estado do Colorado (EUA), um atirador abriu fogo contra uma clínica de aborto e feriu cerca de 10 pessoas. Quem atira contra pessoas tem a intenção de matar. 

O atirador é contra o aborto, defende a vida e tenta matar quem faz ou apoia a prática do aborto. Gente nesta condição defende a vida de quem mesmo? A vida de inocentes?

Portanto, quem defende a pena de morte para quem considera criminoso não defende a vida. Afinal, vida é vida, o resto é interpretação e preconceito.


Imagem: Reprodução portal Brasil 24/7.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Por que o direito de resposta assusta?


As associações dos Editores de Revistas (Aner), Brasileira das Empresas de Rádio e Televisão (Abert), Nacional dos Jornais (ANJ) esperneiam contra o projeto de Direito de Resposta, de autoria do senador Roberto Requião, sancionado – recentemente – pela presidente Dilma Rousseff. Em manifesto, a ANJ fala em inconstitucionalidade

Mais uma vez o debate sobre os limites da imprensa – sim! a imprensa pode muito, mas não pode tudo – é tumultuado pelo fantasma da censura. Estas entidades defendem corporativamente seus interesses e não necessariamente os da coletividade.

Tanto que em evento da Aner, nesta semana, o juiz Sérgio Moro, cita a possibilidade de censura. Isso mesmo! Sérgio Moro, o mesmo juiz que foi condecorado com prêmio oferecido pela Globo, que integra a Aner. Aliás, o mesmo prêmio foi entregue ao ex-ministro do STF Joaquim Barbosa (lembra-se do menino pobre que mudou o Brasil? ha ha ha), quando do julgamento da AP 470, o mensalão do PT.  

Moro comanda a operação Lava Jato, conhecida por seus promotores e policiais federais por vazarem informações das operações contra o governo federal, seu partido e aliados. É natural que ele ataque o projeto de direito de resposta, simplesmente pelo fato de ser a mídia o maior parceiro da Lava Jato,

O juiz defende a imprensa para influenciar a opinião pública, com ampla publicidade dos atos da operação. Para ele, "o segredo deve ser excepcional". Se a publicidade da operação fosse geral, sem vazamento seletivo nem direcionado, a atitude de Sérgio Moro seria louvável. Estaria a Lava Jato usando a imprensa para vazar informações contra determinados grupos e protegendo outros? 

Jornalista que realiza um trabalho sério de investigação, que coleta, checa informações com responsabilidade, ética, que atende ao princípio de ouvir todas as versões e publica acusações com provas não teme o direito de resposta. Não há antídoto contra a verdade! O direito de resposta é uma realidade em países como Estados Unidos e Inglaterra, que vão mais longe, regulando o setor. 

Uma suposta censura (a sociedade deve mesmo se preocupar com isso) apavora as entidades corporativas da imprensa e seus parceiros de investigação seletiva menos por causa da resposta e mais pelo controle imposto. Controle exercido pela responsabilidade de fazer jornalismo com qualidade. O direito de resposta vai inibir jornalistas que acusam sem provas. 

Não é censura a redação barrar – na pauta – reportagens com acusações que não se sustentam, que não contenham provas. Isso se chama responsabilidade. Trata-se de um princípio ético. Quem acusa tem de provar a acusação. Não cabe ao acusado provar sua inocência. Isso contribui para a democracia do Brasil, uma adolescente cheia de conflitos.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Sobre bananas, justiça e consciência


Dois entregadores - William Dias Delfim e Leonardo Valentim Silva – foram injuriados na última sexta-feira (dia 20), no Dia da Consciência Negra, com bananas. O feito é do gerente do restaurante Garota da Tijuca, Ascendino Correa Leal, região norte do Rio.

Não precisa lembrar o que significa quando alguém dá bananas para pessoas negras. O ato do gerente é repulsivo e teve o tratamento adequado pelos dois entregadores. Ambos chamaram a polícia, registraram boletim de ocorrência e o elemento foi preso em flagrante.

Ascendino Correa Leal pagou fiança de R$ 800,00, foi solto e - se condenado em processo judicial - pode pegar de um a três anos de prisão. A legislação também prevê o pagamento de multa aos condenados. 

Segundo reportagem do site Pragmatismo Político, os entregadores teriam afirmado que o gerente, ao perceber a confusão na qual se metera, teria tentado minimizar, afirmando que se tratava de uma brincadeira.

Ascendino Leal deve acreditar mesmo ter feito apenas uma brincadeira porque é próprio de um país racista ridicularizar quem considera menor, inferior. O foco é constranger e se esconder atrás do humor.

Em um país racista, essas “brincadeiras” revelam o caráter das pessoas que costumam “brincar” com a cor da pele negra, com o cabelo crespo. Adjetivos pejorativos não faltam no repertório das brincadeiras racistas.

Infelizmente o caso dos entregadores não é isolado. A gaúcha Patrícia Moreira, torcedora do Grêmio, chamou o goleiro Aranha de macaco. O episódio teve repercussão nacional. Patrícia foi processada também por injúria racial e fez um acordo.

No entanto, nem sempre a justiça é juta. O humorista de humor duvidoso Danilo Gentili também ofereceu bananas a um internauta, foi processado e absolvido. O juiz da 10ª Vara Criminal da Justiça de São Paulo, Marcelo Matias Pereira, disse na decisão:

"Seria necessário algo a mais do que uma piada grosseira e infeliz, vale dizer, um intuito de realmente ofender a vítima, desqualificando-a pela cor de sua pele, o que não ocorreu no caso em questão."

O juiz Marcelo Matias Pereira viu em Gentili, apenas uma “brincadeira”, grosseira e infeliz. Infelizmente, a noção equivocada de que chamar um negro de macaco e oferecer-lhe uma banana é brincadeira está arraigada até no Judiciário. Mas justiça que absolveu uma celebridade vai absolver um gerente de restaurante?

As pessoas ofendidas com atos de injúria quando não se calam e vão à Polícia revelam a consciência de raça, necessária para estancar o preconceito e atos de racismo. Enquanto os negros concordarem que isso é uma brincadeira, os brancos racistas sentirão incentivados a fazer o que fazem de melhor: racismo.

Imagem: Reprodução Pragmatismo Político.

Inquietudes (286) do Rei

Desde Cabral, os racistas afirmam que o negro não presta, não é gente, é preguiçoso. E feio. E agora - quando se fala em consciência negra - muitos querem que o negro tenha a autoestima inabalável.

Não use o preconceito do próprio negro para justificar o seu. É por essas e outras que as campanhas 100% negro, orgulho negro e orgulho da raça são necessárias. Para desconstruir um discurso repetido há séculos.

sábado, 21 de novembro de 2015

Negros têm traços bonitos sim!


“Não querendo parecer racista, mas negros não tem traços bonitos.”

A afirmação causa indignação, gera polêmica e é inevitável a contra-afirmação. __A moça é racista. Espere um pouco. Mais adiante, a moça afirma “Eu sou morena clara, tenho olho escuro e não me sinto desvalorizada pq uma loira ganhou.” 

Esperaí! Ela não se sente desvalorizada como morena clara, mas negros nunca têm traços bonitos e belas, como Thais Araújo, são um exemplar raro. Definitivamente, o caso da moça não é de polícia, mas de terapia.

Negros têm traços bonitos sim!  

A chave para entender os motivos de a moça achar que os negros têm traços feios está na autoestima negra construída há séculos. Pare e pense. Desde Cabral ouve-se que o negro não presta, não é gente, é preguiçoso. E feio.

E você quer que o negro tenha – de uma hora para outra – a autoestima inabalável? Não use o preconceito do próprio negro para justificar o seu. É por essas e outras que as campanhas 100% negro e orgulho da raça são necessárias. Para desconstruir um discurso repetido há séculos.

Negros têm traços bonitos sim!  

A moça do post deve ser compreendida exatamente porque repete o discurso da maioria: um padrão branco de beleza. "Não adianta, brancos de olhos claros são mais bonitos. É universal." Padrão criado e circulado na indústria branca da moda, com respaldo cúmplice da mídia branca e do estado branco.

Por que do estado? Porque a importação de mão de obra europeia com a imigração, no fim da escravidão no Brasil, também atendeu a uma política de branqueamento da população brasileira, tida como “escura” demais.

Negros têm traços bonitos sim!  

A origem das relações sociais no Brasil é racista e é ela que deve ser combatida. Deve-se combater o discurso de que o negro é feio e o branco bonito; que o negro é mal e o branco bom. A lei que criminaliza o racismo é fundamental neste processo.

E também devemos mudar o enfoque construído historicamente. Sem desconstruir o discurso de que “negros não tem traços bonitos”, continuaremos a ver negros morenos claros repetindo que “negros não tem traços bonitos.”

Mudar esta realidade não é um trabalho com resultados imediatos. Esta é uma tarefa para algumas gerações, mas se não começarmos, tudo continuará como está. 

Negros têm traços bonitos sim!

Nos trilhos


quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Escolhas e dores



Para vingar o sangue francês, o presidente François Hollande promete mais sangue.
O terror combate o terror.

Os mortos de Paris têm nome e rosto.
Os mortos da Síria não têm nome nem rosto.

Em uma guerra, não há como matar apenas o inimigo que se combate.
Alvos civis se tornam alvos fáceis.

A morte de civis em ataques da França é efeito colateral.
E a morte de civis em ataques terroristas é o que mesmo?

Quem diria! os ditadores do Oriente Médio mantinham suas tribos sob controle.
A invasão do Afeganistão e do Iraque, pelos Estados Unidos, a pretexto de levar a democracia, conseguiu desestabilizar ainda mais a região.

A Primavera Árabe, para tirar ditadores ex-aliados do poder, virou o Inv(f)erno Mundial.
Ruim com os ditadores, pior sem eles?

Grupos dissidentes armados e treinados.
E as armas também vão parar nas mãos de um tal Estado Islâmico.

O extremismo é orientalmente religioso e ocidentalmente ganancioso.
Um quer controlar o outro.

Terrorismo clandestino.
Terrorismo institucional.

Ação e reação.
Causa e consequência.

O mundo chora suas as dores.
E se esquece que são as dores das suas próprias escolhas.

Crédito da imagem: Reprodução Blog Versos e Rimas.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Inquietudes (285) do Rei

Reduzir os ataques a Paris a atentados terroristas de fanáticos radicais, sem considerar o desmantelamento do Oriente Médio com a deposição de governos autoritários (outrora amigos); as relações sociais das diversas tribos/etnias, o caráter religioso da região é ignorar a complexidade do cenário, acirrando ainda mais os problemas.

Se eliminar o terror fosse tão fácil, como pregam muitos simplistas, por que os Estados Unidos e os alinhados de sempre não conseguiram acabar com os terroristas, desde a invasão do Afeganistão e do Iraque, a pretexto de encontrar armas de destruição em massa, nunca encontradas?

domingo, 15 de novembro de 2015

Receita de terror

Ingredientes
- Algumas potências gananciosas
- Uma porção de governos ditatoriais
- Alguns grupos dissidentes
- Milhões de barris de petróleo
- Uma porção de etnias   
- Alguns quilos de intolerância religiosa
- Ganância, interesse privado, poder político e fanatismo a gosto 

Modo de preparar

A massa
Pegue as super potências, cujos recursos naturais estão exauridos; adicione - a gosto - a ganância, o interesse privado e o poder político. Misture bem e deixe descansando. Depois que a opinião publicada estiver favorável, invada os países inimigos e controle tudo.

O recheio
Pegue os grupos dissidentes, adicione armamento pesado e treinamento para combater os governos ditatoriais. Bata no liquidificador até virar um molho homogêneo. Leve ao fogo e mexa de vez em quando, controlando a fervura. 

Quando o recheio estiver no ponto, abra a massa e espalhe-o. Acrescente as etnias e todos os seus problemas, enrole tudo e leve ao forno.

A cobertura
Pegue o petróleo no território invadido e destruído, reprima o inimigo, não respeite suas crenças, nem cultura. Combata a intolerância dele, intolerantemente. Espalhe a cobertura sobre a massa assada.

Sirva com fanatismo. Rende muitas porções de atentados terroristas.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Inquietudes (284) do Rei

Então quer dizer que para a imprensa de São Paulo, o estado de Geraldo – o Alckmin – fechamento de escola é reorganização da educação; violência policial contra estudantes em manifestação é repressão a protesto; falta de água é crise hídrica e desvio de recursos públicos do metrô é cartel de empresários? A escolha das palavras dos veículos de comunicação mostra muito sobre os seus posicionamentos ideológicos, ou seja, revela quem é defendido e quem é atacado. A palavra revela muito mais do que diz.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

A sombra do coqueiro


Aí, o Muro de Berlim

Aí... meu conhecido, para rebater minhas defesas de desconcentração de renda e melhor distribuição de riquezas, diz que o comunismo ruiu faz tempo.

__Meu caro, o Muro de Berlim caiu. Isto é a prova do fracasso do comunismo.

Eu não havia defendido o comunismo - este fantasma persegue muita gente, mesmo. Eu havia falado de uma sociedade mais justa, onde todos devem ter oportunidades. Já que ele atravessou os temas, tive de perguntar.


__Se a queda do Muro de Berlim está para o fim do comunismo, podemos pensar que a queda das Torres Gêmeas está para o fim do capitalismo selvagem?

E aí, um outro mundo ainda é possível?

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Ah, a ideologia


Toda vez que leio ou ouço alguém acusando o outro de ser ideológico, sinto um frio correr pela espinha. O cidadão diz que não tem ideologia, mas afirmar isso não é um posicionamento ideológico? A qual ideologia esta negação se presta?

Na sociedade atual, um contingente importante (assembleias legislativas, igrejas, Congresso Nacional) nega a discussão, por exemplo, da ideologia de gênero, do feminismo e da religião na escola. 

Ao não permitir que ideologias ‘tidas como minorias’ (na falta de um termo melhor, uso este mesmo) sejam explicitadas, as dominantes continuarão prevalecendo. Dizer que não tem ideologia é uma falácia, até porque este é um posicionamento ideológico. 

A linguagem é essencialmente ideológica e parte constituinte do ser humano, independentemente do conceito usado para o termo, já que não há um consenso pacífico para o que venha ser ideologia. Isso vai além, por exemplo, da relação capitalismo-comunismo.

A dominação não se dá apenas pelo sistema político e pelo poder econômico. O tema é mais amplo e, por isso, negar o debate sobre ideologia das ‘minorias’ na escola é fazer prevalecer uma ideologia nas relações de dominação.

Quando se nega o debate sobre o gênero e todas as suas implicações sociais, prevalece a ideologia machista (e não é só o homem machista, mulheres também o são). E quem sempre dominou e como dominou? A violência contra a mulher, travestis, gays, transexuais é fruto do que mesmo?

Este raciocínio pode ser aplicado à religião; ao negar a abordagem aos cultos afros e aos ateus, prevalece qual ideologia religiosa? A intolerância religiosa é fruto do que senão das relações de dominação de sempre? 

Naturalmente este tema - seus conceitos e contradições - não se esgota em poucas palavras e, por isso, mesmo é que precisa de mais perguntas em busca de respostas, enfim mais debate

No entanto, o que fazer quando a ideologia das 'minorias' assusta a maioria, por não saber lidar com isso? A a repercussão ao pensamento de Simone de Beauvoir, em uma questão do Enem, é um sintoma deste estado de indigência mental.

Empurrar a afirmação de Beauvoir - não se nasce mulher, torna-se mulher” - ao aspecto meramente biológico, desconsiderando a complexidade social e de papéis é uma espécie de interdição do debate. 

É por isso que muitos não nascem estúpidos, tornam-se e, ao longo da vida, arrebanham outros para a causa. E as redes sociais se ocupam de tornar pública a estupidez que antes era privada.

Imagem: "O pensador", de Augusto Rodin.

A lama da plutocracia


A lama é da Samarco e das grandes corporações que sugam o Brasil, com a cumplicidade de seus governantes, seja em nível estadual seja na esfera federal.

A Samarco explora minérios em Minas Gerais e é responsável pela catástrofe de Mariana, cuja barragem de rejeitos varreu um distrito do município e contaminou rios da região que abastecem milhões de pessoas.

Conforme informações do jornalista Luiz Carlos Azenha, a mineradora é uma "joint venture da Vale [do Rio Doce] com a australiana BHP Billiton, teve um lucro líquido de R$ 2,8 bilhões em 2014."

Isso mesmo, R$ 2,8 bilhões de reais de lucro durante o ano passado; lucro auferido com a exploração da mão de obra; com a falta de cuidado com o meio ambiente e a relação promíscua com o poder público. 

"Como se sabe, o Brasil é uma “mãe” para as mineradoras." (...) 
"O “pai” das mineradoras é Fernando Henrique Cardoso. Em 1996, com a Lei Kandir, isentou de ICMS as exportações de minérios!" (...)

Azenha também afirma que "infelizmente, a elite brasileira até hoje se mostrou incapaz de formular um projeto soberano de país. Isso vale para PSDB, PT e todos os outros, como ficou evidente na tragédia de Mariana."

Nesta perspectiva, a lama da Samarco se soma à lama do estado, associado à plutocracia, que "significa governo da riqueza, ou seja, trata-se de um sistema político em que o poder está concentrado nas mãos dos indivíduos que são detentores das fontes de riqueza da sociedade."

Antonio Gasparetto Junior, para o site InfoEscola, afirma que "a plutocracia é um conceito, não um tipo de poder institucionalizado de maneira oficial. Porém pode ser muito presente. O que acontece comumente é o financiamento de agentes políticos por pessoas ou grupos detentores de poder econômico."

A relação do poder econômico com o estado brasileiro data desde sempre e romper com isso demanda boa vontade e muito, mas muito esforço mesmo. Os plutocratas, geralmente, são os mesmos que rechaçam as políticas afirmativas.

Os ataques a programas como Bolsa Família não são efeito colateral; são a marca do segmento que gosta de falar em ensinar a pescar em vez de dar o peixe, mas vive da piracema do estado.

Desde 2002, quando um operário chegou à Presidência da República, milhões sonharam com um governo mais justo e distributivo. E isso aconteceu de fato, mas as conquistas não estão garantidas. 

Ainda não foi viabilizado um processo para barrar qualquer tentativa de retrocesso. O sistema político-partidário não ajuda; as reformas de base não saem do papel; o Executivo vive em cárcere do Legislativo.

A lama em Mariana revela muito mais do que o rejeito da mineração barragem abaixo. A lama do interesse privado das grandes corporações com o Estado vai demorar para ser limpada. E enquanto não começar, não há previsão para terminar. 

Crédito da foto: Christophe Simon/AFP. Reprodução G1.

sábado, 31 de outubro de 2015

Aí, o saci

Aí... um grupo de crianças, em pleno Brasil, bate à porta de uma casa na periferia.

__Doce ou travessura? 


Repetem elas o mantra da parte de cima das Américas.
O dono da casa responde.

__Meninos e meninas... não tem doce nem travessura. Vão procurar o saci!

E fecha a porta.

Inquietudes (283) do Rei

O problema não é a doutrinação, mas a doutrinação segundo o outro, porque - para os grupos majoritários - doutrina boa é doutrina minha.

Diversão


terça-feira, 27 de outubro de 2015

Inquietudes (282) do Rei

Por que todo machista ou racista que faz piada machista ou racista, quando confrontado em seu machismo ou racismo, afirma que era uma brincadeira de mau gosto e que não teve a intenção de ofender?

Doutrina boa é doutrina minha


Volta e meia uma palavra é alçada à condição de estrela nacional. É endeusada ou encapetada, conforme as circunstâncias. E a palavra da moda – na atual polarização política – é doutrinação. Felicianos e bolsonaros reclamam da doutrinação feminista na prova do Enem. Deputados religiosos conservadores reclamam da doutrinação de gênero nas escolas. Políticos reclamam da doutrinação político-ideológica também nas escolas. Para esses, a doutrinação é uma espécie de lavagem cerebral.

No Paraná, deputados estaduais apresentaram projeto de lei para proibir que professores das escolas públicas e particulares façam “doutrinação” em temas como gênero, sexo, sexualidade e política. A proposta é assinada por 12 parlamentares, a maioria da bancada evangélica. 

Doutrinação é efeito de doutrinar que é efeito de instruir uma doutrina. E doutrina é, segundo o Dicionário Michaelis, “1 Ensino que se dá sobre qualquer matéria. 2 Conjunto de princípios em que se baseia um sistema religioso, político ou filosófico. 3 Instrução. 4 Opinião em assuntos científicos. 5 Opinião de autores. 6 A doutrina cristã, exposta em catecismos.”

Isso significa dizer que qualquer pessoa doutrina, quando ensina, instrui e/ou opina. Ao entender o significado de doutrinação ficam mais claros os receios de políticos conservadores, e seus correspondentes nas igrejas, sobre os efeitos de um ensino doutrinador. O problema não é doutrinar, mas doutrinar segundo os princípios dos quais os grupos majoritários discordam e fazem oposição. As minorias amedrontam quem sempre doutrinou.

O ensino – sempre ouvimos isto – tem de desenvolver o senso crítico, mas não ao ponto de se voltar contra os políticos que usufruem da falta de capacidade crítica.

O ensino – sempre ouvimos isto – tem de formar cidadãos, mas não ao ponto de se voltarem contra os políticos que preferem lidar com seus eleitores de forma assistencialista.

O ensino – sempre ouvimos isto – tem de emancipar os jovens para serem adultos conscientes, mas não ao ponto destes exigirem um novo modelo de representação político-partidária.

Para quem sempre doutrinou é impossível admitir que outros grupos – principalmente adversários - façam o mesmo, não porque também doutrinariam, mas porque a doutrina seria outra.

Quem sempre doutrinou pelo machismo é inconcebível que se doutrine pelo feminismo ou pela ideologia de gênero.

Quem sempre doutrinou pelos preceitos do homem, é inconcebível que se doutrine segundo os preceitos das mulheres e dos gays.

Quem sempre doutrinou pelos princípios do branco, é inconcebível que se doutrine segundo os princípios de outra raça, principalmente, a negra.

Quem sempre doutrinou pelas causas capitalistas, é inconcebível que se doutrine pelas causas socialistas.

Quem sempre doutrinou pelos dogmas cristãos, é inconcebível que se doutrine pelos dogmas de outras religiões.

A elite brasileira é apegada a sua raiz: homem, heterossexual, branco, cristão e capitalista. Qualquer um que fuja deste padrão é encarado como ameaça.

O problema não é a doutrinação, mas a doutrinação segundo o outro porque - para esses grupos - doutrina boa é doutrina minha.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Inquietudes (281) do Rei

Então quer dizer que os deputados federais Marco Feliciano e Jair Bolsonaro andam rosnando contra o Ministério da Educação no caso da “doutrinação feminista” do Enem! Vossas Excrescências - digo, Excelências - reclamam do suposto proselitismo do governo, mas não se cansam de fazer proselitismo do qual são adeptos: doutrinação religiosa em pleno Estado laico. Sentar-se sobre a própria doutrinação apontando a alheia é, no mínimo, hipocrisia. Proselitismo bom é aquele com o qual concordo, certo, deputados?

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Consciência boa é consciência invisível


Então quer dizer que a luta do movimento negro é igual à luta do branco? O cidadão negro tem as mesmas oportunidades que o cidadão amarelo? Os navios negreiros chegaram ao Brasil do mesmo modo que o Kasato Maru?

Esses questionamentos me inquietam quando leio que “não precisamos de um dia da consciência negra, branca, parda, amarela, albina... Precisamos de 365 dias de consciência humana.” Todo cidadão é igual no exercício da cidadania? Apenas na legislação, cuja letra – sem prática – é morta.

A frase do cartaz vai e volta, principalmente, quando se aproxima o feriado da Consciência Negra, no dia 20 de novembro, data oficializada em muitos municípios e estados. Não se engane. A frase do cartaz, por melhor intenção de seu redator, revela uma falsa defesa dos negros.

Ao igualar negros, brancos, amarelos e albinos (pardo é variação do negro e onde estão os índios?) excluem-se os conflitos raciais existentes em nossa sociedade. Negar esses conflitos é típico de uma sociedade racista que afirma viver uma democracia racial. Definitivamente, o Brasil não vive isso.

Negros, brancos, amarelos e albinos são humanos, mas a condição social não é a mesma para todos. Os negros são preteridos no Brasil. O negro estuda menos e ganha menos, exatamente porque tem menos oportunidades. O debate não é sobre capacidade. Simples assim.

Nivelar a luta do negro com a de todos os humanos é negar os problemas enfrentados pelo segmento; é tornar a luta e o movimento secundários; é tornar o negro invisível, tão ao gosto da elite que domina desde sempre.

Nesta semana, o jornalista Alexandre Garcia disse que o Brasil “não era racista até criarem as cotas”. O cinismo da elite brasileira não tem limites. As cotas não criaram o racismo. Elas fizeram-no emergir por conta do ódio da parcela branca que não quer dividir direitos.

Na lógica perversa de Alexandre Garcia, que representa milhões - infelizmente, o Brasil não teria racismo desde que os negros se contentassem em permanecer onde ficaram por alguns séculos, na senzala. O negro visível incomoda a elite branca preconceituosa.

“Precisamos de 365 dias de consciência humana.” Esta é uma vontade legítima, mas associá-la ao abafamento da consciência negra é tirar do negro a sua própria consciência. Por isso, quando compartilhar algo do tipo, mesmo com boas intenções, reflita antes.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Hipocrisia transparente


“Cunha é corrupto mas está do nosso lado!” 
A frase do cartaz diz muito sobre os que querem – a qualquer preço – o impeachment da presidenta Dilma Rousseff.
O que salta ao bom senso é que não se trata de combate à corrupção; desde junho de 2013 - quando o gigante acordou - tenho dito isso.
Trata-se de tirar o PT do governo e não combater a corrupção.

Os pontos negativos dos governos Lula e Dilma são muitos, mas nenhum serve para justificar o afastamento da presidenta democraticamente eleita, sem ser classificado como golpe.
Sim, isso mesmo.
Tirar Dilma do poder – que não está envolvida nos escândalos e que criou mecanismos para que fossem investigados – não tem outro nome.
Isso se chama golpe.
Quem defende isso é golpista.
Simples assim.

Apoiar um corrupto para supostamente tirar outro corrupto do poder é hipocrisia.
É a mesma coisa que defender o combate ao estupro, abraçado a Alexandre Frota, que confessou um estupro.
É a mesma coisa que atacar a pena de morte, abraçado a Jair Bolsonaro.
É a mesma coisa que defender o casamento gay, abraçado a Silas Malafaia.
E por que defender a queda de Dilma, acusando-a de corrupção, abraçado a um corrupto?

As pistas estão no ódio de parte da sociedade brasileira, aquela que não gosta de ser chamada de elite branca.
Aquela que diz que o Brasil vive democracia racial; que mulheres não são vítimas do machismo; que os gays não se dão ao respeito; que lugar de pobre é na periferia.
A luta de classes nunca recrudesceu e essa elite branca diz que foi Lula quem a inventou, para dividir o Brasil.

Você vai contra argumentar que muitos pretos, pobres, mulheres e gays também odeiam o PT.
Sim, o ódio também foi terceirizado pelas concessões públicas de TV e de rádio que fazem a verdadeira oposição, como disse uma tal Judith Brito quando ocupava a presidência de uma certa Associação Nacional de Jornais.
O ódio não é homogêneo, mas é infectante.

O antídoto contra isso está explícito na foto acima.
“Cunha é corrupto mas está do nosso lado!” 
A hipocrisia quando se torna transparente deixa de hipocrisia e se torna maldade.
E o mal evidente é mais fácil de ser combatido.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Aí, o trabalho em grupo

Já que o dia é do professor...

Aí... o estudante levanta a mão e pergunta sobre o trabalho em grupo.

__Prof, o trabalho pode ser de quatro?
__Pode, pode fazer o trabalho de quatro, sentado, em pé, deitado, mas tem de ser em trio como eu já falei.


Há!

Ser professor é


Ser professor é ouvir do estudante __prof, hoje vai ter coisa importante na sua aula?; e vê-lo algum tempo depois comprometido com o trabalhos em horários que ele jamais imaginaria estudar.

Ser professor é ouvir do estudante __prof, pra que tenho de estudar isso se não vou usar no mercado?; e ouvir dele muito tempo depois como profissional __eu deveria ter estudado mais aquelas teorias.

Ser professor é ouvir do estudante __prof, vamos fazer semana do saco cheio?; e ouvir dele no bimestre seguinte __prof, aumenta o prazo para entregar o trabalho.

Ser professor é ouvir do estudante __não tem como fazer esse trabalho, a câmera não funcionou, o entrevistado desmarcou, o técnico do laboratório faltou, o grupo não se reuniu. Ah... como queria estar formado!; e ouvir no ano seguinte à formatura __ai que saudades da facul, prof.

Ser professor é ouvir do estudante reclamações e queixas sobre seus prazos, tipos de trabalhos exigidos, leitura e, mesmo assim, ser um dos professores homenageados pela turma toda.

Ser professor é falar __ser professor é uma maravilha, pena que existem estudantes.; e se emocionar quando um estudante supera suas dificuldades com a língua portuguesa, produz textos com enfoques adequados e sustenta suas afirmações e interpretações com dados e fontes pertinentes.

Ser professor é falar __essa turma é ruim demais.; e pouco tempo depois queimar a língua com a qualidade dos trabalhos apresentados.

Ser professor é falar ao estudante __saia do senso comum, qualquer um pensa e diz isso.; e constatar tempos depois um senso crítico responsável.

Ser professor é estar sem paciência e dar respostas atravessadas, mas reconhecer os exageros, sem medo de perder a autoridade. 

Ser professor é um desafio, principalmente, em um país que diz valorizar a educação, mas não coloca isso em prática.

Ser professor é um desafio, principalmente, para revelar ao estudante que existe um mundo muito maior que o mercado de trabalho.

Ser professor é um desafio, principalmente, quando você desenvolve técnicas e habilidades para se vender, no mercado de trabalho, a mão de obra e não a própria consciência.

Ser professor é um desafio, principalmente, para não ser o dono da verdade e instigar o estudante a construir as dele, equilibrando rigidez e afeto.

Ser professor é um desafio.
E eu gosto de desafios.

Ouro Preto


Aí, os joelhos

Aí... eu liguei ao ortopedista da família, solicitando uma consulta.

Tenho um desvio na terceira vértebra lombar, que volta e meia reclama.

Do outro lado, a secretária toda solícita.

__O senhor já é paciente do doutor?
__Não, mas minha esposa e enteados são é há bastante tempo.
__Qual o seu problema?
__Tenho dor na coluna na região lombar.

__Ah... então não vai dar. O doutor não atende mais coluna. Ele está atendendo somente joelhos. 

Respirei fundo, contei até três.

E não adiantou.

Eu tive de responder.

__Não tem problema, eu levo os joelhos junto na consulta.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Aí, o nada e o tudo

Aí... eu peço ajuda para minha esposa auxiliar na formatação da Guia da Previdência Social (GPS) da funcionária lá de casa.

A Marlene me responde, levantando do sofá.

__Mas você não faz nada sem mim mesmo, né!

Eu tive de responder.

__Não é isso não. É que eu faço tudo com você. Há!

Aleijadinho


quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Inquietudes (280) do Rei

Então quer dizer que o Brasil quer o fim da corrupção? O brasileiro foi para as ruas protestar em julho de 2013; voltou diversas vezes depois para pedir o fim do “governo mais corrupto da história”? Dilma sairia do Planalto impedida, renunciada ou morta? O Brasil queria, então, o fim da corrupção? O que aconteceu com este mesmo Brasil, agora que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, foi delatado por vários bandidos confessos? O que aconteceu com este Brasil, agora que foi descoberta uma conta na Suíça em nome do mesmo presidente da Câmara? A seletividade no combate à corrupção é um mal tão perverso quanto a própria corrupção.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Inquietudes (279) do Rei

O deputado federal Alessandro Molon deixou o PT e foi para a Rede. O senador Randolfe Rodrigues e a ex-senadora Heloísa Helena, ambos do Psol, também vão para a Rede. Quem vai disputar as eleições 2016 precisa se filiar ou trocar de partido até sexta-feira (dia 02/10). Do jeito que vai, a Rede de Marina Silva vai ser acusada de crime ambiental: pescar na piracema.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Aí, a família

Aí... uma desconhecida na página de um portal noticioso, sobre a exclusão dos casas gays do conceito de família do Estatuto da Família, escreveu algo mais ou menos assim.

__Os casais homossexuais não podem ser considerados família porque não geram descendentes.

Eu tive de perguntar.

__Fulana, me diga uma coisa... então, um casal formado por homem e mulher, no qual um é estéril e não gera descendente, não pode ser considerado uma família?

Desserviço à nação


A Câmara dos Deputados (em comissão especial) aprovou hoje (dia 24) o texto do Estatuto da Família que promete muita polêmica. O texto prevê que o conceito de família é composto pela união de "homem e mulher".  O art. 2º diz:

"Para os fins desta Lei, define-se entidade familiar como o núcleo social formado a partir da união entre um homem e uma mulher, por meio de casamento ou união estável, ou ainda por comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes."

Neste sentido, criança educada pela avó ou pelo tio ou pelo irmão mais velho não tem família; adolescente educado por padrasto/madrasta ou por madrinha/padrinho não tem família; criança educada por mãe social em abrigo não tem família.

No afã de atingir os gays, os conservadores do Congresso acertaram milhões de famílias que não integram o conceito tradicional. Isso sob o aplauso de uma sociedade que não tolera quem é diferente. O preconceito presta um grande desserviço à nação.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Inquietudes (278) do Rei

Se o governador tucano de São Paulo, Geraldo Alckmin, ganha um prêmio por gestão hídrica, não seria justo honrar o também governador tucano do Paraná, Beto Richa, com o selo de Amigo do Professor?

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Inquietudes (277) do Rei

O ódio contra os pobres saiu do armário com força por causa das redes sociais, mas a elite brasileira é o que sempre foi: mesquinha e promotora da exclusão.

O documentário é dos anos 1990, exibido na extinta TV Manchete. As falas do passado representam muita gente do presente. Infelizmente.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Inquietudes (276) do Rei

Alguém pode me explicar porquê a maioria dos autores dos vídeos do Youtube em seus canais tem de falar rápido e o tempo todo como se a vírgula fosse atrapalhar seu raciocínio e a pausa natural da fala fosse fazer o internauta desconectar ou passar para outro vídeo que se não tiver o mesmo formato também não será visto e ainda a mania desse povo falar meio gritado como se o internauta não tivesse um botão de volume para aumentar o som?

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Aí, o concurso

Aí... a minha conhecida – debatendo política – disse que o governo precisa cortar gastos.

__É preciso enxugar os gastos públicos. 

Eu a estimulei a falar.

__O governo gasta muito, disse ela.
__E gasta muito mal, disse eu.

Ela continuou.

__São muitos programas. Tem de cortar a metade.

Sorri, como que concordando.

__Os gastos têm de ser mais eficientes. Corta o desnecessário.

Balancei a cabeça de cima para baixo. Ela se animou ainda mais.

__ Eu sou pelo estado mínimo. 

Não aguentei. Tive de perguntar. 

__Se você defende o estado mínimo por que você vive prestando concurso público?

Fiz cara de tonto.

__Ah! entendi. Você quer estado mínimo... para os outros, né!

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Inquietudes (275) do Rei

Impor castigo desproporcional à culpa não é justiça. Não impor castigo proporcional à culpa não é justiça. A justiça nem sempre é justa, mas toda injustiça é necessariamente injusta.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Aí, o mérito


Aí... o meu conhecido diz que as pessoas devem vencer pelo próprio mérito; não devem depender do governo e de mais ninguém.

__Porque somente com muito esforço pessoal, você vai vencer na vida.

Não aguentei.

__Seu avô não era um rico fazendeiro, acusado de grilagem, e você não é um dos herdeiros dessas terras?

Me empolguei.

__Seu pai não é um grande empresário acusado de sonegação fiscal e você não é diretor da empresa?

Me empolguei ainda mais.


__Você não mora em um apartamento de alto padrão, herança de uma avó?

Não tinha como voltar.

__ Você não estudou em escolas caras desde o prezinho; nunca andou de ônibus; era buscado na escola com carro com motorista e nunca arrumou a própria cama?

Finalmente, me fiz de sonso.

__ Do que você estava falando mesmo? 

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Inquietudes (274) do Rei

Quer dizer que o mundo está chocado com a morte do menino sírio quando tentava chegar à Turquia, fugindo de seu país? Aylan Kurdi, de 3 anos, virou símbolo da tragédia dos refugiados. Isto é consequência da guerra civil e da expansão do Estado Islâmico instalados naquela parte do mundo, depois que EUA e Europa incentivaram a Primavera Árabe, para tirar ditadores do poder. Ditadores adversários, depois de longo tempo como aliados. Os donos desta conta, agora, não querem os refugiados que ajudaram a criar. Enquanto o mundo não atacar as causas, vai continuar indignado com as consequências.