quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Política não se discute. Tem certeza?


Em um país onde esquemas de corrupção em empresa pública passam de um governo para o outro;

onde políticos da esquerda à direita recebem propina;

onde candidatos mentem ou dizem o que o eleitor quer ouvir durante a campanha e, depois de eleitos, jogam a conta do ajuste fiscal para o trabalhador; 

onde empreiteiro paga propina para político da esquerda à direita; 

onde deputados e senadores custam muito e trabalham pouco pelo interesse coletivo; 

onde a mídia pesa a mão contra governo adversário e amacia para governo amigo;

onde empresários combinam preço de licitação e loteiam as obras; 

onde funcionário público opera esquemas de desvios;

onde doleiro assina acordo de delação premiada pela terceira vez, depois de não cumprir, as duas anteriores;

onde magistrados não agem conforme a legislação, mas segundo os holofotes e a opinião publicada;

onde juiz anda no porsche que mandou apreender; 

onde juiz manda prender agente de trânsito que o multou por dirigir sem habilitação, carro sem placas e sem documento; 

onde juiz e promotor público corruptos, quando condenados, recebem como punição a aposentadoria com vencimentos integrais;

onde manifestação popular legítima é usada com fins golpistas;

onde dono de posto de combustível e supermercadistas aumentam o valor dos produtos porque bloqueio de caminhoneiros desabastece as cidades; 

onde a sonegação fiscal leva riquezas clandestinas para a Suíça;

onde professor ganha menos que o valor do auxílio-moradia de conselheiro de Tribunal de Conta;

onde médico boicota programa público de saúde;

onde foro de participação popular é rechaçado pela sociedade;

onde tudo o que está descrito acima é sintoma da própria sociedade; 

o que esperar de seu povo que ainda alega que política não se discute? 

A história se repete.
Porque ainda não aprendemos com os nossos próprios erros. 

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Inquietudes (248) do Rei

Não assisto o BBB da Globo, mas existe outro BBB cuja atuação é ainda pior. Este está no Congresso Nacional. Trata-se das bancadas do Boi, da Bíblia e da Bala. O agronegócio, os religiosos sectários e a polícia estão muito bem representados. Como avançar com um congresso tão conservador?

Inquietudes (247) do Rei

Sim. No governo FHC, não se investigava nada. O PT assumiu em 2003 e poderia ter investigado tudo, ter feito auditorias e enviado o resultado para a polícia e a Justiça. E não fez. Vai pagar o preço por isso. No entanto, isso não é desculpa para a Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça não investigarem nem abrirem processos referentes ao governo FHC (se ainda não prescreveram). Se há denúncias de corrupção que aparecem agora - na esteira da Operação Lava Jato - é obrigação legal e moral dessas instituições apurarem tudo. A PF, o MP e a Justiça se gabam de terem atuação técnica e não política. Então que provem isso na prática. O combate à corrupção não pode ser seletivo.

Inquietudes (246) do Rei

Sim. O governador do Paraná, o tucano Beto Richa, quebrou o estado, mas não foi em janeiro deste ano. Foi durante todo o primeiro mandato. E fez isso com a mão amiga dos aliados na Assembleia Legislativa; com a ineficiência da oposição na Assembleia Legislativa; com a falta de confronto (pela imprensa, entidades diversas e movimentos sociais do estado) ao discurso oficial; e com o aval das urnas e o voto da maioria em primeiro turno. Que consigamos aprender de uma vez por todas: política se discute sim!

Aí, o cristão

Aí, um desconhecido na página do Face de uma conhecida, me disse.

__Você não é cristão porque defende o direito ao aborto.

Eu respondi.

__Você, como cristão, não pode me julgar dizendo que não sou cristão.

Ele retrucou.

__Quem defende o aborto não é cristão.

Eu tive de perguntar.

__E quem julga o outro é o que? Um bom cristão? Deus está vendo isso, mas é um problema seu com Ele.
__Se for castigo, aceito com humildade e orgulho.

Humildade e orgulho?

__Orgulho é pecado, mas você como cristão sabe disso.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Inquietudes (245) do Rei

A luta contra quem se declara torna-se mais fácil. Difícil é combater adversários que fazem pose de aliado.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Dê-se ao respeito, viado!


No carnaval, os desejos afloram. Hetero se veste de mulher; homo promove beijaço gay. Os moralistas escandalizam-se; os religiosos rezam e oram pela alma do mundo em retiros espirituais. As vontades são liberadas e os preconceitos cavalgam livres, leves e soltos.

Assim como existem mulheres machistas, homens feministas, negros racistas, existem também homossexual conservador e, até mesmo, preconceituoso. E muitos desses dizem que a discrição é afrontada pelos beijaços do mesmo sexo e pelas paradas, que não garantem direitos e ridicularizam o movimento diante da opinião pública.

Essa percepção vem em péssima hora, quando o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, desenterra projetos de lei que estabelecem o Dia do Orgulho Hetero e a proibição da adoção de crianças por dois homens ou duas mulheres.

Hetero não precisa de dia para ter orgulho porque não há necessidade de se afirmar na sociedade nem exigir direitos. Tudo está garantido na Constituição Federal. Precisam se autoafirmar os heteros que não têm sua sexualidade resolvida e questionam, mesmo inconscientemente sua orientação. Melhor seria trocar de avenida e de parada.

Portanto, beijaço hetero e dia do orgulho hetero não surtem efeito exatamente porque não há o que reivindicar. O mesmo não se aplica aos gays que não têm direitos assegurados. Por isso, precisam dar visibilidade a si próprios, às reivindicações, à luta por direitos sociais.

Muitos argumentam que os beijaços e as paradas gays não apresentam nenhuma reivindicação, que é apenas uma festa que nada tem a ver com direitos civis. Pode até ser e, mesmo assim, é uma forma válida para tornar os gays visíveis, tirá-los da limbo social.

O mercado já percebeu. Gay tem dinheiro e gasta muito e, por isso, há segmentos e nichos de mercado voltados somente para essa comunidade. O mercado não faz isso por ideologia ou solidariedade. O faz porque quer dinheiro e dinheiro não enxerga cor, sexo, religião ou orientação sexual.

O beijaço e as paradas são uma atitude política, mesmo que a maioria corre para a avenida e se esconde atrás da purpurina. Somente quando esse segmento deixar de ser invisível vai poder exigir o casamento igualitário, a adoção de crianças, a inclusão no plano de assistência, a pensão por morte, enfim...

Mesmo assim, há quem acredite que essa exposição pública seja prejudicial à imagem do movimento e que o gay não se dá ao respeito. Assim, a sociedade não vai respeitá-lo. Aqui reside uma verdade crua. Sem beijaço e sem parada, quem não respeita os gays nunca vai apoiá-los na busca por direitos.

O interessante é perceber que o discurso do “não se dá ao respeito” é uma arma contra a própria vítima. Esse mesmo viés é usado para explicar e, principalmente, justificar a violência de um estuprador. Afinal "a menina não se deu ao respeito porque bebeu demais”. “Também ela não se deu ao respeito e estava usando roupa provocante".

Na cultura da violência, para justificar o violento, a responsabilidade recai sobre a vítima. E isso também se aplica aos gays. O casal de namorados foi espancando por um grupo homofóbico porque andava de mãos dadas na avenida. Para milhões, esse ato de afeto é uma prova de que gays não se dão ao respeito. O moralismo é primo da repressão que flerta com a violência.

O fundo moralista desta discussão ajuda em nada. Esse debate reforça a percepção de que nada é homogêneo. O comportamento humano é muito complexo para ser colocado em caixinhas. A escola, a família e a igreja fazem isso muito bem. Isso pode, isso não pode, isso é necessário, isso é desnecessário.

Com ou sem beijaço e parada gay, estratégia mais ou menos agressiva, o fato é que ninguém - na história da humanidade – conquistou direitos civis escondendo-se dentro de um armário. Com a palavra, os sutiãs das feministas. Pode-se discutir a forma, mas a estratégia de enfrentamento é necessária.
  
Foto: Júnior Improta/Ag Haack. Reprodução reportagem do site Ego.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Aí, a vida

Aí, a minha conhecida - muito religiosa - virou para mim, quase descontrolada.

__Como você pode dizer que é a favor da vida, se defende o direito da mulher ao aborto?
__Muito simples.
__Como assim? muito simples.
__Sou a favor da vida da mulher pobre que morre ao tentar fazer um aborto. 

Depois de poucos segundos que pareceram uma eternidade... ela volta à carga.... os olhos quase esbugalhados. Pensei que ela me mataria se pudesse, mas relaxei. Lembrei que ela é favorável à vida.

__Se a mulher não quer engravidar, que se previna; que arque com as consequências e assuma a gravidez.
__Então quer dizer que a vida que você defende, neste caso, é consequência de um ato irresponsável e o bebê uma punição?
__Não dá para debater com você. Outra hora a gente conversa.

Então tá! 

Inquietudes (244) do Rei

Devo ser masoquista para insistir ler alguns posts e comentários em publicações on-line. Defendo a liberdade de expressão, mas também defendo a política de saúde mental. Deixar de ler certas pessoas e não frequentar certos espaços de discussão fazem bem à saúde.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Eleitores traídos



Dilma. Beto Richa. Geraldo Alckmin. Voto consciente. Eleitor traído. Agora a maioria dos eleitores reclama que os candidatos, hoje presidenta e governadores do Paraná e São Paulo, mentiram durante a campanha de 2014. 

Uma inquietude me sobressalta. Eles mentiram ou disseram o que você - eleitor - queria ouvir.

Na campanha, você é eleitor. No governo, você é cidadão. E essa divisão é ruim porque somos cidadãos o tempo todo e eleitor somente a cada dois anos.

Como nossa democracia é um adolescente, ainda precisamos aprender muito sobre política, eleições, partidos e políticos.

Não costumamos ler programa de partido nem as propostas do candidato; não pesquisamos a viabilidade das propostas feitas; não investigamos as relações partidárias nas coligações; não pesquisamos a vida do candidato nem como ele se manifesta em temas polêmicos. Ajudaria muito nesses exemplos, se a mídia brasileira fizesse mais jornalismo e menos propaganda política. 

Já que agora você se sente traído, responda!

Você votaria em candidato se ele defendesse abertamente o aumento de imposto para custeio da máquina e dos programas de governo?

Você votaria em candidato se ele defendesse abertamente o corte de despesas que pode afetar os serviços públicos que você usa?

Você votaria em candidato se ele defendesse abertamente a supressão de direitos de trabalhadores como forma de economizar?

Você votaria em candidato se ele defendesse abertamente o aumento do preço da gasolina para manter o equilíbrio da economia?

Você votaria em candidato se ele defendesse abertamente a revisão dos critérios do seguro-desemprego e de auxílios da Previdência Social porque também há fraude nesses benefícios?

Você servidor público votaria em candidato se ele defendesse um teto para a sua aposentadoria porque o orçamento tem limite?

Você votaria em candidato se ele defendesse abertamente o aborto porque milhares de mulheres morrem todos os anos?

Você votaria em candidato se ele defendesse abertamente o casamento gay porque todos são iguais perante a lei e o estado é laico?

Você votaria em candidato se ele defendesse abertamente a descriminalização das drogas porque usuário é diferente de traficante?

Os exemplos não faltam, mas você pode dizer que os argumentos aqui apontados para cada questionamento são equivocados. 

Tudo bem, podem até ser, mas isso não muda os questionamentos em si. 

E sem uma reforma política profunda, principalmente, com a proibição de doações de empresários para candidatos, tudo vai permanecer como está. 

E se você insistir que política não se discute, daqui a quatro anos - mais uma vez - você estará reclamando que os candidatos mentiram mais uma vez.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Inquietudes (243) do Rei

Muita gente quer que você peça desculpas não pelo que você fez, mas pelo que elas interpretam do que teria sido feito.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Barbárie e visibilidade


Bombas guiadas com recursos tecnológicos de última geração.
No vídeo, as explosões lembram um game no monitor do computador ou da TV.

Radicais do Estado Islâmico queimam vivo um piloto jordaniano, feito refém.
As cenas do prisioneiro na gaiola varrem o mundo.

Tropas ocidentais invadem países do Oriente Médio.
Nas imagens, um rastro de violência em nome da paz.

Radicais do Estado Islâmico degolam prisioneiros do ocidente.
O assassinato é registrado em vídeo e fotos.

Na ofensiva, judeus jogam bombas em escolas, hospitais, mulheres e crianças.
O genocídio é transmitido ao vivo pelas redes de TV.

No mercado, o homem bomba explode dezenas de pessoas.
Os pedaços humanos e os destroços materiais são expostos pelos veículos de comunicação.

O mundo não deixou de ser bárbaro.
A barbárie é que ganhou mais visibilidade.
A violência é só mais um elemento do espetáculo.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

A arquiteta e o poder


Ela foi abordada em uma blitz na capital do Rio de Janeiro, no Rio.
Inicialmente, não atendeu ao pedido da Polícia Militar e queria ser liberada sem que o PM fizesse seu papel.
Ela perdeu a compostura.
Descontrolada, berrou com o oficial.

Não satisfeita em mostrar os documentos, sacou da bolsa o que tinha de mais valioso.
As relações de poder que mantém pessoal e ou profissionalmente.
Disse ser arquiteta e trabalhar em várias Unidades de Polícia Pacificadora (UPP).
Recorreu ao que costumam recorrer os que conhecem gente do poder.
Usar o poder alheio para conseguir vantagens.
Abusar das relações sociais de prestígio para conseguir algo em troca.

Apesar de atuar em prédios da UPP do Rio, a arquiteta nada tem de pacificadora. 
Seu verbo é violento.
Sua voz é repressiva.
Sua palavra é ameaçadora.
Sua face é agressiva.

E isso não é novidade, infelizmente.
O juiz João Carlos de Souza Correa, na mesma Rio de Janeiro, deu voz de prisão à agente de trânsito que dissera, na abordagem, que juiz não é Deus.
O magistrado sem habilitação dirigia um veículo sem placas, sem documentos.
A agente que o parou acabou processada por danos morais e foi condenada a pagar uma indenização de R$ 5 mil ao magistrado-motorista-infrator.

No Brasil que reclama do desvio de dinheiro público, arquiteta usa as relações de poder contra policial militar, em blitz.
No Brasil que protesta contra corruptos e corruptores, juiz anda sem documento em carro apócrifo e dá voz de prisão a quem deveria prendê-lo.
No Brasil que luta por um país melhor, você precisa saber com quem fala e quem aborda.

A lei é para todos, mas cumpri-las não é para qualquer um.
Quem tem dinheiro; quem conhece alguém; quem conhece alguém que conhece alguém não é qualquer um.
O Brasil tem potencial para ser melhor, mais justo e igualitário.
E a maioria dos brasileiros quer isso mesmo?

Inquietudes (242) do Rei

Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las, desde que elas não configurem calúnia, difamação, injúria ou apologia ao crime e criminoso. Voltaire, atualizado por Reinaldo César Zanardi. Há!