quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

A arquiteta e o poder


Ela foi abordada em uma blitz na capital do Rio de Janeiro, no Rio.
Inicialmente, não atendeu ao pedido da Polícia Militar e queria ser liberada sem que o PM fizesse seu papel.
Ela perdeu a compostura.
Descontrolada, berrou com o oficial.

Não satisfeita em mostrar os documentos, sacou da bolsa o que tinha de mais valioso.
As relações de poder que mantém pessoal e ou profissionalmente.
Disse ser arquiteta e trabalhar em várias Unidades de Polícia Pacificadora (UPP).
Recorreu ao que costumam recorrer os que conhecem gente do poder.
Usar o poder alheio para conseguir vantagens.
Abusar das relações sociais de prestígio para conseguir algo em troca.

Apesar de atuar em prédios da UPP do Rio, a arquiteta nada tem de pacificadora. 
Seu verbo é violento.
Sua voz é repressiva.
Sua palavra é ameaçadora.
Sua face é agressiva.

E isso não é novidade, infelizmente.
O juiz João Carlos de Souza Correa, na mesma Rio de Janeiro, deu voz de prisão à agente de trânsito que dissera, na abordagem, que juiz não é Deus.
O magistrado sem habilitação dirigia um veículo sem placas, sem documentos.
A agente que o parou acabou processada por danos morais e foi condenada a pagar uma indenização de R$ 5 mil ao magistrado-motorista-infrator.

No Brasil que reclama do desvio de dinheiro público, arquiteta usa as relações de poder contra policial militar, em blitz.
No Brasil que protesta contra corruptos e corruptores, juiz anda sem documento em carro apócrifo e dá voz de prisão a quem deveria prendê-lo.
No Brasil que luta por um país melhor, você precisa saber com quem fala e quem aborda.

A lei é para todos, mas cumpri-las não é para qualquer um.
Quem tem dinheiro; quem conhece alguém; quem conhece alguém que conhece alguém não é qualquer um.
O Brasil tem potencial para ser melhor, mais justo e igualitário.
E a maioria dos brasileiros quer isso mesmo?

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