sábado, 30 de maio de 2015

Inquietudes (260) do Rei

Como se sente o manifestante de 15 de março e de 12 de abril que foi para as ruas - com a camisa da Seleção Brasileira - protestar contra a presidente Dilma, agora que o ex-presidente da CBF José Maria Marin foi preso acusado de corrupção? O problema não é protestar contra a corrupção. O problema é protestar contra a corrupção de um grupo, ostentando símbolos de outros corruptos.

Inquietudes (259) do Rei

Depois de a Câmara dos Deputados ter voltado atrás, nesta semana, na proibição do financiamento privado de campanhas, numa estratégia autoritária do presidente da Casa, entendi o porquê do empenho de Eduardo Cunha na construção de um Shopping no Congresso Nacional, que vai consumir R$ 1 bilhão. É para facilitar a venda de deputados.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Passarela ‘plus size'



Como resposta - continuando a reflexão sobre a quebra de padrões nas passarelas (tema do post anterior), outra amiga jornalista, Vanuza Fernandes, me envia um link sobre um concurso voltado para modelos “plus size”. E eu que achava que modelo gordo ou gorda era normal. Não é! É plus size. O evento, miss Rio Grande do Sul plus size, foi realizado em Bagé.

A vencedora do concurso é Scheila Dorneles, de 31 anos. A reportagem do  G1 afirma que Sheila “ao ingressar no segmento voltado às ‘gordinhas’, voltou a desfilar como fazia na infância e adolescência, e celebra o contato que tem com moças que, como ela, não se enquadram em padrões que considera ‘ditados pela sociedade’".

O trecho “segmento voltado às gordinhas” apresenta muitos sentidos. Reparou que o adjetivo gordo virou ofensa? Você já presenciou alguém usando o termo gordo para xingar outra pessoa? Até por medo de ser enquadrado nesta categoria (dos xingadores) muitos usam - por constrangimento - eufemismos (olhe a linguagem politicamente correta aqui!) como ‘fofinho’ e ‘cheinho’. Cheinho de que mesmo?

A própria vencedora – uma representante legítima do plus size apela para os diminutivos. “Desde pequena, participo de concursos no Centro de Tradições Gaúchas (CTG), e na escola eu participava de miss broto e brotinho. Fui princesa da Expobom, feira da minha cidade que elege as soberanas. Mesmo já sendo gordinha. Nunca fui magrinha", conta. 

Ah vá... Com um 1,70 de altura, 95 kg, 115 de busto, 92 de cintura e 125 de quadril, ela não pode ser caracterizada uma mulherzinha. Scheila Dorneles é um mulherão com todos os atributos positivos do adjetivo. E isso é bom. Não é ruim.

Toda essa linguagem – seja a dela ou do veículo que publicou o acontecimento – revela  que a sociedade aceita e usa os rótulos do politicamente correto para uns e nega para outros. Mas este é tema para outro texto.

Aqui entra o mesmo questionamento sobre a modelo com síndrome de down. O concurso de modelos gordas quebra o padrão de beleza imposto à sociedade? Sim e não. Sim porque esse concurso é uma proposta bacana e, certamente, ajuda na autoestima de muitas mulheres que são excluídas e não se sentem representadas pela indústria da moda/beleza.

Não porque não há rompimento de padrões. O evento plus size segue o mesmo roteiro das passarelas magrinhas. Alguém enxergou que os gordos também consomem, compram roupas e cosméticos... e criaram um nicho para esse segmento. O mercado as incluiu porque viram que podem ganhar dinheiro e não porque respeita a diversidade de corpos e valoriza os diferentes tipos de beleza. 

Melhor do que antes? Sem dúvida alguma. E minha amiga Vanuza Fernandes espeta um questionamento pertinente. “Você quer o que? Gordinhas e magrinhas dividindo a mesma passarela nos eventos mais tops?” Sim.

Rompimento de padrão, posso estar sendo radical, será quando as passarelas reproduzirem a diversidade existente entre nós mortais no mesmo lugar. Nicho e segmentação mercadológica não são inclusão social nem respeito à diversidade, mas apelo para o consumo. Isso para quem pode consumir.

Acho que estou pedindo muito.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

O padrão nosso de cada dia


As redes sociais também servem para refletir sobre a realidade, muito além do compartilhamento de asneiras, curtição das posições ideológicas ou dos conhecidos de sempre. O Facebook, por exemplo, fornece um terreno fértil - inclusive - para pensar sobre nós mesmos.  

Este texto nasceu de uma reflexão feita no post no Facebook de uma amiga, a Mayla Weber, jornalista e professora de Artes. Ela publicou em sua time line, um texto do Catraca Livre, sobre uma jovem australiana, com síndrome de down, que virou modelo.

Madeline Stuart, de 18 anos, segundo a reportagem, “sempre sonhou em ser modelo profissional”. E ela conseguiu realizar seu sonho. Os comentários no post de Mayla Weber discutiam que a nova modelo rompia com os padrões ao se tornar modelo com síndrome de down.

Sim e não. Sim porque ela tem síndrome de down e virou modelo. Não porque ela não rompeu padrão algum da indústria da beleza, aquele calcado na magreza, no excesso de maquiagem, na produção exagerada que tira qualquer traço de naturalidade.

Modelo com a cara lavada fica parecendo gente normal e isso não faz bem à indústria da moda que cultua um tipo de rosto ideal, de corpo ideal, de cabelo ideal. Sem o mito a ser buscado pelas mortais, como vender produtos que prometem a ‘imortalidade'?

O próprio texto do Catraca Livre, já na manchete, é categórico. “Jovem com Down perde 20 kg para realizar sonho de ser modelo”. Se não perdesse os 20 kg ela conseguiria realizar seu sonho de ser modelo? “(...) seu peso a atrapalhava nessa e em outras atividades, como a dança e a natação. Com o apoio de sua mãe Rosanne, a garota perdeu 20 quilos e ganhou confiança para lutar pela carreira nas passarelas.” Já reparou como o gordo é retratado com um ser sem confiança?

Observem, na reportagem, as fotos da garota do antes e do depois. O antes revela um corpo em postura desleixada, vestido no que parece mais um pijama, cabelo desgrenhado, cara de quem caiu da mudança junto com o criado mudo.

O depois mostra atitude fatal, postura confiante, em um biquíni adequado para suas curvas, cabelo milimetricamente arrumado, cara sob maquiagem pesada e iluminação de estúdio. O antes é um atestado de feiura; o depois de beleza. Com produção assim, a maioria dos feios fica bonita. 

Neste sentido, mais um questionamento. O problema para ser modelo é ter a síndrome de down ou ser gordo? Lembremos que as passarelas já foram abertas para transexuais, mesmo que o conservadorismo ainda impere entre as plumas, os egos e os paetês.

Um exemplo de transexual brasileira de sucesso internacional é Lea T, filha de Toninho Cerezo, ex-jogador de futebol. Lea posou para campanhas da Givenchy, em 2010; dividiu a cena com a super-hiper-ultra-mega modelo Gisele Bündchen. 

Lea T chegou a ser “eleita pela Forbes como uma das 12 mulheres quemudaram a moda italiana”. Transexual sim. Magra, esguia, cabeluda, também. O padrão das passarelas da transexual se repete na modelo com síndrome de down.

Aqui repito uma das afirmações que fiz no post da minha amiga, na sua página no Face, sobre a australiana com síndrome de down, mas que vale para as transexuais das passarelas também. “Ela é diferente, mas fez igual para tornar-se igual." Então de que padrões quebrados estamos falando mesmo?

terça-feira, 19 de maio de 2015

Inquietudes (258) do Rei

Gente maluca sempre existiu. Gente preconceituosa sempre houve. Gente violenta há desde sempre. É que esse tipo não tinha rede social para se manifestar.

Inquietudes (257) do Rei

Por causa do acirramento ideológico e da disputa pelo poder entre PT e PSDB, muitos bons se passam por maus e muitos maus se passam por bons. No meio desse nada construtivo embate, a verdade é a primeira vítima. E alimenta-se deste cadáver o moralismo seletivo, fazendo florescer o preconceito, a intolerância e a violência. E depois, a sociedade reclama daquilo que colhe.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

A violência é ensinada

A sociedade ensina a violência e, portanto, aprendemos a ser violentos. A lei do mais forte continua atual porque o instinto de sobrevivência humana fala alto. Na ausência de animais ferozes, riscos da natureza nos tornamos fortes para combater o outro, aquele que nos representa uma ameaça.

O culto à violência começa na infância. A criança aprende que tem de ser forte, que fraqueza não é um bom sinal. Isso não é consciente. É mecânico e, por isso mesmo, ainda mais triste. Até a demonstração das emoções é considerada uma marca dos fracos.

O menininho do vídeo abaixo é incitado a destruir o homem aranha de balas (piñata) a pancadas. Sem muita convicção, ele ensaia algumas porradas no boneco e, ao final, abraça-o consternado, num gesto que pode ser interpretado como um pedido de desculpas.


video

Ao fundo, as risadas revelam surpresa? emoção? compaixão? escárnio? Tanto faz, o fato é que o menininho - em sua inocência - repele a destruição do homem aranha de balas. Ele prefere o carinho. A sua cabeça no ombro do boneco é um atestado de afeto.

Pode-se argumentar que se trata apenas de uma brincadeira. E é mesmo! No entanto, é uma brincadeira baseada na destruição. A mãe (provavelmente) ensina que para ganhar os doces, o menininho precisa ser violento com o boneco. 

Portanto, aprendemos a violência, que é ensinada didaticamente. Ao se recusar a quebrar o boneco, este menininho, sem uma palavra, nos ensina muita coisa sobre violência e afeto. Pena que não queremos aprender.

Vídeo: America's Funniest Home Videos.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Tipinho comum

Esse tipo assusta
porque quer ser servido sempre.
porque é indiferente à dor alheia.
porque faz o que condena nos outros;
porque não reconhece direitos alheios.
porque não se importa nem com animais.
porque usa Deus como protocolo para suas culpas.
Esse tipo é mais comum do que imaginamos.