quinta-feira, 7 de maio de 2015

A violência é ensinada

A sociedade ensina a violência e, portanto, aprendemos a ser violentos. A lei do mais forte continua atual porque o instinto de sobrevivência humana fala alto. Na ausência de animais ferozes, riscos da natureza nos tornamos fortes para combater o outro, aquele que nos representa uma ameaça.

O culto à violência começa na infância. A criança aprende que tem de ser forte, que fraqueza não é um bom sinal. Isso não é consciente. É mecânico e, por isso mesmo, ainda mais triste. Até a demonstração das emoções é considerada uma marca dos fracos.

O menininho do vídeo abaixo é incitado a destruir o homem aranha de balas (piñata) a pancadas. Sem muita convicção, ele ensaia algumas porradas no boneco e, ao final, abraça-o consternado, num gesto que pode ser interpretado como um pedido de desculpas.


video

Ao fundo, as risadas revelam surpresa? emoção? compaixão? escárnio? Tanto faz, o fato é que o menininho - em sua inocência - repele a destruição do homem aranha de balas. Ele prefere o carinho. A sua cabeça no ombro do boneco é um atestado de afeto.

Pode-se argumentar que se trata apenas de uma brincadeira. E é mesmo! No entanto, é uma brincadeira baseada na destruição. A mãe (provavelmente) ensina que para ganhar os doces, o menininho precisa ser violento com o boneco. 

Portanto, aprendemos a violência, que é ensinada didaticamente. Ao se recusar a quebrar o boneco, este menininho, sem uma palavra, nos ensina muita coisa sobre violência e afeto. Pena que não queremos aprender.

Vídeo: America's Funniest Home Videos.

Nenhum comentário: