quinta-feira, 18 de junho de 2015

As pedras não são de Deus


Uma menina de 11 anos foi agredida com pedras, no início desta semana, quando saía de um culto de candomblé, na zona norte do Rio de Janeiro. O portal Pragmatismo Político afirma que os agressores são evangélicos.

Segundo o portal R7, (o veículo não menciona que os agressores são evangélicos), "seriam dois homens, (que) conseguiram fugir. Pouco antes da agressão, eles teriam xingado e provocado os adeptos do candomblé que estavam com a menina.”

Já reparou como muitos fanáticos religiosos exigem respeito a sua crença e costumes, mas não têm a mesma disposição para respeitar a crença alheia?

Exigir tolerância sendo intolerante é hipocrisia e violência. 

Hipocrisia porque pregam uma coisa e fazem outra. Violência porque não medem esforços para se fazerem aceitos, não aceitando o outro.

Este caso não é isolado, infelizmente. Em 2009, um grupo de jovens atacou e destruiu um centro de umbanda, também no Rio de Janeiro.

Evangélicos que destroem imagens de santos católicos é mais comum do que gostaríamos. A destruição é promovida inclusive por pastores

O estado de beligerância é fomentado, inclusive, por muitas lideranças religiosas. 

E o pior, os fanáticos ainda povoam o Congresso Nacional, aparelhando o estado – que é laico – com suas pregações. 

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, é o maior sintoma dessa situação. Ao mesmo tempo em que faz proselitismo religioso, ele consegue renúncia fiscal para templos. A campanha política é permanente.

A renúncia fiscal atende a todos os templos, mas repare na quantidade de igrejas evangélicas. No Brasil, são abertas, por ano, 14 mil igrejas evangélicas. Trata-se também de um negócio lucrativo.

O mau pastor Marco Feliciano, deputado federal por São Paulo, em vídeo - da época em que ele ainda não alisava o cabelo nem fazia tratamento de pele com gel à base de ouro - promove a exclusão. 

O mau pastor já disse - aos berros - que católico não pode sentir o que os evangélicos sentem porque o Deus dos evangélicos “não é o Deus dessa religião morta e fajuta que você está”.

Mau pastor pastor sim. Porque pastor bom guia as suas ovelhas exaltando suas regras e suas qualidades e não atacando a regra dos outros e seus possíveis defeitos. 

Pastor bom sabe conviver com os diferentes porque respeita o semelhante, fazendo-se presente no amor e na bondade; não no ódio e na maldade.

A agressão à menina de 11 anos foi registrada na 38ª Delegacia de Polícia (Brás de Pina), como “lesão corporal e prática de discriminação religiosa”.

Deus não atira pedras. Quem as atira são fieis que seguem cegamente ensinamentos de lideranças que promovem o ódio e não o amor.

As pedras à menina do candomblé têm a mão de muitos pastores e muitas lideranças políticas evangélicas.  

Definitivamente, essas pedras não são de Deus. São apenas do homem e do que ele tem de pior.

Nome aos bois
Silvio Fontana, via Facebook
19/06/2015 - 12h32

É preciso dar nome aos bois. Todos os cristãos não católicos do Brasil parecem ter aceitado se incluir num caldeirão genérico chamado "evangélico". Há que se separar bem as coisas. Tenho amigos, aos quais sempre tratei suas denominações religiosas como protestantes, que passam muito longe dessse sectarismo.

Os Batistas, os Metodistas, Os Presbiterianos, os Adventistas e outras tradicionais e seculares religiões cristãs não devem ser compreendidos como neopentecostais. Os neopentecostais em geral, mas não todos, é quem têm mostrado estas práticas sectárias e segregacionistas. Basta assistir de madrugada a algum pastor eletrônico desses por aí para ver como eles se referem aos cultos afros. É um tal de magia negra, feitiçaria, macumbaria... 

Você disse no seu post que 14 mil novas igrejas (creio que denominações) são abertas todos os anos no Brasil. Só para entender, aqui em Londrina mesmo, no Jardim Santa Rita, tem uma avenida em que existem 16 igrejas evangélicas diferentes. E nenhuma delas é de algumas das tradicionais protestantes que citei acima.

Hoje, qualquer picareta abre uma igreja e se diz pastor. Aqui em casa somos católicos praticantes. Minha mulher teve um grave problema de saúde e sua cunhada, que é presbiteriana, ofereceu que o Pastor Gerson, da 1ª Igreja Presbiteriana de Londrina, orasse por ela. Ela foi e depois das orações o Pastor contou que vive recebendo, e também retribui, visitas de Dom Orlando Brants e Dom Albano Cavalim, que são amigos e coisa e tal. 

A tolerância passa por aí. Omundo seria um tédio se todos tivessem a mesma opinião. E seria um caos se ninguém aceitasse opiniões contrárias. Graças a Deus que entre católicos e protestantes (as Igrejas, que já se enfrentaram no passado) um movimento ecumênico tem se mantido constante. 

Na Missa de Natal, na paróquia São Vicente de Paulo, que frequento, o Padre Rafael iniciou a cerimônia anunciando que o Pastor (não lembro o nome agora) da Igreja Presbiteriana Central e mais alguns membros daquela comunidade, estavam na Igreja para acompanhar a celebração. 

O Pastor, inclusive, participou de várias partes do ritual. E algumas Igrejas cristãs, não católicas, têm participado das Campanhas da Fraternidade da CNBB. O caminho é por aí. Entender que nem todos pensam igual e conviver harmonicamente com estas diferenças.

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