segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Prisioneiro


Exageros na língua

Dia desses, em um comunicado no grupo do WhatsApp, o superintendente convocou seus diretores.

Espero que todos participem do chat on-line, amanhã às 10h, para discutirmos a campanha que vamos estartar em 10 dias. Faltam alguns detalhes da divulgação que ainda não estão fechados e novos insights são bem-vindos. Discutiremos alguns cases. Reforço o pedido feito na call de ontem para que acessem o link pontualmente. Não podemos ter o gap que tivemos na última campanha. Temos um imenso market share para explorar e expertise de sobra para isso. Nosso business plan tem tudo para dar certo porque nosso know-how é referência para muitas outras empresas. Temos de focar nosso target. Vejo vocês na web.

Os estrangeirismos não são problema em uma língua. O problema é o excesso e este revela muita coisa sobre o povo e sua cultura.

domingo, 30 de agosto de 2015

Pixuleco X Aécio de Papelão


Duas manifestações, marcadas na mesma avenida. A do “Fora Dilma” e a do “Fica Dilma”. Na primeira, a estrela é um boneco inflável do Lula que atende pelo nome de Pixuleco. Na outra manifestação, a estrela é o Aécio de Papelão. As manifestações avançam. Os manifestantes se encontram. Pixuleco e Aécio de Papelão travam um embate.

__Que coisa feia, Papelão, a que nível chegaram os ânimos da política brasileira!
__Isso é culpa do seu governo e da Dilma, Pixuleco, que saquearam o país nos últimos 12 anos
__Ah vá, vai dizer que foi o meu partido que inventou a corrupção?
__Olha o mensalão do PT, o Petrolão... Nunca roubaram tanto na história deste país.
__Papelão... o mensalão do PSDB é bem anterior. E a Privataria Tucana, o  Trensalão? Você esqueceu a compra da reeleição do PSDB, feita pelo FHC? Ainda tem o Banestado, a Pasta Rosa e o Sivan.
__Pixuleco, você andou bebendo, foi? Não desvie a atenção dos problemas atuais. Os últimos tesoureiros do PT estão presos. Isso não quer dizer nada?
__Quer sim, que a Justiça manda prender apenas petistas, PSDB, PSB, PP, PMDB receberam doações de campanha das mesmas empresas que o PT, mas pro partido é crime e para os outros é doação legal? Olha o partidarismo da Justiça.
__Agora até você vai ser investigado pela Justiça. E o procedimento do MP do Distrito Federal que pediu uma ação contra você?
__Partidarização do MP.  Você mesmo, Papelão foi acusado pelo Youssef de receber propina de Furnas e o que o Moro e o Janot fizeram? Nada. 

Neste momento, uma rajada de vento balança Pixuleco e Aécio de Papelão. O diálogo ganha uma pausa. Passado o vento, ambos voltam aos seus lugares.

__Não adianta Pixuleco, o PT é o partido mais corrupto do Brasil. Vocês roubaram e deixaram roubar. O símbolo maior disso tudo é o Zé Dirceu, preso duas vezes. Isso é fato.
__Papelão, que papelote, será que você não percebe que só criminalizam os petistas. Os tucanos são blindados pela Justiça e pela imprensa. Nenhuma ação vinga. O Moro só indiciou tucano que já morreu. Até a acusação contra o seu afilhado Anastasia, agora, a PGR pediu arquivamento.
__O Anastasia é honesto e essa acusação é falsa e covarde. O problema é a/...
__Papelão, você cheirou recentemente? Sérgio Guerra recebeu propina do mesmo Petrolão.
__Não ouse macular a imagem do Sérgio Guerra, um tucano honrado que está morto e não está aqui para se defender.
 __A oposição, encabeçada por você, sempre faz isso. Desvia o fo/...
__Quem desvia é o PT que está no governo. Por isso, o povo brasileiro pede o impeachment da Dilma, que cometeu um estelionato eleitoral. Ela mentiu durante a campanha. Enganou milhões de brasileiros de boa fé.

Um tumulto entre manifestantes revoltados on-line e militantes petistas chama a atenção de Pixuleco e Aécio de Papelão.

__Está vendo, foi você que provocou isso no país. Você dividiu este país em dois. Você jogou as classes umas contra as outras, quando criou as cotas e essas políticas que incentivam a vagabundagem.
__Papelão, a luta de classes sempre existiu e só apareceu quando demos vez aos pobres. A elite branca deste país não admite ver filho de pobre na universidade, odeia andar de avião ao lado do pobre.
__Esse estado de guerra entre os manifestantes foi você quem incentivou. O povo foi para as ruas porque está cansado de ser roubado.
__Você não é ingênuo, então está agindo de má fé. O seu partido, o PSDB, está incentivando o golpe e trouxe para as ruas esse monte de doido que quer a volta da ditadura.
__Doido não! Nossas manifestações são legítimas. O povo tem o direito de se manifestar porque não aguenta mais ser roubado.
__Doido sim. Como pode ir para a rua reclamar que vive numa ditadura pedindo a volta dos militares para defender a democracia?
__O povo é soberano, Pixuleco, e as manifestações do fora Dima são espontâneas, as pessoas estão aqui por vontade própria, sem pagamento de diária ou lanche?
__É e como você explica que eu custei 12 mil reais. E até agora eu mesmo não vi a nota fiscal.
__Intriga dos blogueiros sujos que recebem dinheiro do governo para falar mal do PSDB e da oposição.

Pixuleco e Aécio de Papelão se calam, repentinamente. Nem mais uma palavra. Faca e fogo tiram-lhes as forças. Pixuleco, esfaqueado, aos poucos vira um monte de plástico. Aécio de papelão, incendiado, vira um monte de cinzas. Com intervenção da polícia, os militantes começam a se dispersar. E os dois lados prometem revanche. Até a próxima manifestação! 

sábado, 29 de agosto de 2015

Inquietudes (272) do Rei

Nossa elite – e parte de classe média que se acha – deleita-se em dizer que lá fora tudo é melhor, mas teima em mostrar, por aqui, o que tem de pior dentro de si.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

As bolas do prefeito


O motorista em sua Hilux, na capital paulista, quase atropela a ciclista.


Para ele, ela estaria bloqueando o cruzamento com sua bicicleta, parada à direita de uma via, com o sinal fechado.

Não contente por quase ter atropelado a ciclista, ele ainda grita para ela.

__Vai lamber as bolas do prefeito, vagabunda! Aqui não é Amsterdã.

A cena, reconstruída com base no depoimento de Giovanna Franceschi Dias, mostra a relação do paulistano motorizado com os ciclistas e as ciclovias, implementadas pelo prefeito da capital paulista, Fernando Haddad.

Não é só a animosidade entre carro e bicicleta que tem revelado a insanidade de muitos paulistanos.

Isto é consequência do esgarçamento e polaridade das relações políticas, reflexo das últimas campanhas eleitorais e do resultado das urnas.

Fernando Haddad é do PT, “o partido mais corrupto do país”; “o partido do bolivarianismo”; “o partido do mensalão”;  “o partido que prega o fim da família tradicional”; “o partido que divide a sociedade com a luta de classes”.

Se o PT, como partido e no governo, não presta; as ciclovias são uma desgraça. 

Quem manda pensar no coletivo em detrimento do individual.

Amsterdã, na Holanda, é uma das cidades europeias que mais incentiva o uso de bicicletas, que no Brasil atraem o ódio dos motoristas, donos de ruas e avenidas.

A rejeição do paulistano às ciclovias foi bem definida por Paulo Nogueira, do Diário do Centro do Mundo, como uma “guerra primitiva”.

Assim, faz sentido que o paulistano que odeia a bicicleta tente ganhar essa guerra no braço, um traço marcante daqueles que se apresentam como trogloditas, mesmo em suas Hilux. 

Definitivamente São Paulo não é Amsterdã nem o Brasil, a Holanda. 

Nossa elite – e parte de classe média que se acha – deleita-se em dizer que lá fora tudo é melhor, mas teima em mostrar, por aqui, o que tem de pior dentro de si.

Uma pena porque também por isso, o Brasil não é um país melhor.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Inquietudes (271) do Rei

Contra a diversidade de gênero, vi uma foto dia desses na qual um casal com um bebê ostentava um cartaz que exibia a frase: 

Menino nasce menino
Menina nasce menina

Desde então eu fiquei com uma dúvida. Ignorante nasce ignorante ou se torna ignorante?

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Preconceito (e discriminação) linguístico

"A Bandeirantes especializou-se no "caipirês", uma forma de cafonismo caipira com vocabulários pobres e com o horrível sotaque dos cafundós do Estado de São Paulo." 

A opinião contra as características do dialeto caipira, na Rádio Bandeirantes, é de André Araújo, no site de Luis Nassif, no GGN. O autor embrulha num pacote só todas as características do dialeto para atacar a nova onda de locutores que puxam o r quando falam. Ter sotaque caipira não é sinônimo de domínio pobre do vocabulário. Isso é consequência, entre outros, da falta de leitura. Reproduzo abaixo o comentário que fiz, na referida página.

O autorrr do texto presta um desserrrviço à língua porrrtuguesa no Brasil e aos veículos de comunicação ao reduzirrr a riqueza e a diverrrrsidade do porrrtuguês brasileiro. O orrrgulho do sotaque é uma atitude diante da língua e da linguagem. Quem disse que o sotaque paulistano e o carioca são mais bonitos e, por isso, representantes nacionais? Quem definiu que o sotaque caipira é vulgarrr e boçal? A elite de sempre que trata uns com prestígio e outros de forma pejorativa. 

O padrão de qualidade de "vozes mais educadas" revela todo o preconceito linguístico do autorrr, que arrota os padrões pretensamente de prestígio em contraposição à fala do caipira. Porrr que o popularrr é atacado violentamente desta forrrma? 

Sugiro ao autorrr lerrr mais sobre a sociolinguística para entenderrr que o preconceito linguístico pode serrr combatido com atitude. Terrr orrrgulho do sotaque caipira não é problema. Problema é acharrr que a fala do outro é ruim porrrque não foi enlatada para serrr vendida porrr um veículo supostamente nacional.  

Reinaldo Césarrr Zanarrrdi, jorrrnalista, professorrr de Jorrrnalismo e doutorando em Estudos da Linguagem. Londrina/PR.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Inquietudes (270) do Rei

Dia de protestos contra Dilma e o PT (também) torna as redes sociais mais divertidas. Se o governo do PT é comunista, o Papa Francisco deve ser ateu.

sábado, 15 de agosto de 2015

Aí, o doutor

Aí, o meu amigo enche a boca para falar mal das políticas afirmativas como as cotas e as bolsas.

__A pessoa tem de lutar. É o seu esforço que a fará vencer. A conquista vem do seu mérito.

Como alguém que não quer nada, eu concordei.

__É verdade! A meritocracia é um regime que deveria ser expandido.

Orgulhosamente, ele concorda.

__O mérito é pessoal e as conquistas chegam com esforço e dedicação.

Como alguém que não quer nada, eu falei e, depois, eu perguntei.

__Agora fiquei confuso, por favor, me ajude a entender uma coisa. Você fez mestrado com bolsa da Capes e, no doutorado, você conseguiu licença remunerada porque era professor de universidade pública. Durante os quatro anos, você recebeu do contribuinte para estudar e pesquisar. Os seus títulos são méritos seus ou da política financiada com dinheiro público?

Um grilo passava pelo local e ambos só conseguiram ouvir:

__Cri, cri, cri, cri, cri, cri...

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Inquietudes (269) do Rei

Quem justifica um atentado pelo poder de destruição de uma bomba ignora que o pequeno estrago de um artefato explosivo é precedido por outro ainda maior.  E os estilhaços podem acertar qualquer um.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Atentado é atentado

O atentado ao Instituto Lula, na semana passada, é extremamente grave pelo que revela: intolerância, ódio e violência. 

Não venha com o argumento de que esse atentado é um ato de vandalismo e que o PT, Lula e Dilma merecem morrer.

Minimizar essa situação é desinformação ou má fé, a serviço de quem não aceita o resultado das urnas e quer tirar do poder, um partido eleito democraticamente.

Projeto político tem de ganhar no convencimento, no debate de ideias, com propostas e projetos. Fora disso, o nome é golpe. Simples assim. 

A democracia corre riscos sérios com o segmento que vive a criminalizar qualquer atividade do PT, sem considerar a corrupção que arrasta para o centro todos os partidos políticos.

Essa seletividade é perigosa porque exclui das investigações os corruptos amigos. As acusações contra o tucano Aécio Neves e Furnas, que não viram processos, que o digam.


Combater a corrupção é uma tarefa maior que combater apenas um grupo de corruptos, deixando outros livres para roubar.

Muitos lamentaram que Lula não estivesse no instituto no momento da explosão, pregando mais uma vez a morte do operário que chegou a presidente da República.

Incitar a violência e pregar a morte de quem quer que seja é crime e o criminoso tem de ser punido. A impunidade gera mais agressão e violência.

E se essa bomba fosse destinada a FHC, Áecio Neves ou Eduardo Cunha? Se tivesse como destinatário qualquer veículo de comunicação que se juntou à oposição?

Se um atentado desta natureza acontecesse seria tão condenável quanto, mas o discurso dos que agora tentam minimizar o fato contra o Instituto Lula seria outro.

As capas seriam escandalosas, as manchetes pregariam o fim do mundo e, certamente, responsabilizariam o próprio governo. Desinformação, distorção e manipulação.


Você pode não gostar de Dilma, de Lula ou do PT, mas não pode negar que a violência contra o PT, seus militantes e simpatizantes é incentivada, como se fosse natural em uma democracia.

Não é somente a cadeira da Presidência da República que está em jogo. É a democracia e, portanto, o próprio país. 

Quem justifica o atentado pelo poder de destruição de uma bomba ignora que o pequeno estrago de um artefato explosivo é precedido por outro ainda maior. 

E os estilhaços podem acertar qualquer um, inclusive você.

sábado, 1 de agosto de 2015

Entre a impunidade e a barbárie


A impunidade de políticos corruptos e de empresários corruptores incentiva a corrupção.
A impunidade de motoristas infratores incentiva a infração no trânsito.
A impunidade de bandidos que atentam contra a vida incentiva a criminalidade.
A impunidade de vândalos incentiva o vandalismo.
A impunidade aos sonegadores incentiva a sonegação.
A impunidade a quem faz discurso de ódio incentiva a propagação de mais ódio.
A impunidade a quem calunia e difama incentiva a calúnia e a difamação. 
Enfim... a impunidade aos infratores de toda ordem incentiva a infração de toda ordem.

Uma sociedade civilizada se diferencia de uma sociedade bárbara pela garantia das liberdades individuais, por meio da proteção jurídica.
Direitos e deveres estão regulamentados e - fugir deste ritual - é colocar em risco não só as garantias civis, mas todo o sistema que o regula.
Até quando a sociedade brasileira vai conviver com linchamentos, atentados terroristas virtuais e físicos?

Amarrar acusados de assalto em poste é sintoma de uma sociedade bárbara.
Caluniar, difamar e injuriar pelas redes sociais não são sintoma de uma sociedade civilizada.
Atirar bomba contra entidade de ex-presidente é sintoma de uma sociedade bárbara.
Linchar suspeitos de assalto não é sintoma de uma sociedade civilizada.

Nem o judiciário nem os órgãos que devem primar pela justiça estão livres de cometer injustiças.
Na Operação Lava Jato, manter presos suspeitos, sem condenação ou acusação formal, para forçar delação premiada porque a PF e o MP não conseguem provar a culpa, é indício de uma sociedade que não respeita o estado democrático de direito.
Condenar acusados sem provas, como no julgamento da AP 470 (o mensalão do PT) é indício de uma sociedade que não respeita o estado democrático de direito.

A imprensa é um grande poder, exatamente, por fiscalizar os outros poderes e ser o ponto de equilíbrio entre os desequilibrados da sociedade.
No entanto, quando a mídia - por interesse político, econômico ou ideológico – associa-se aos que não têm equilíbrio, publicando acusações falsas (exemplo 1) e documentos falsos (exemplo 2) mata reputações e ajuda a tornar o ruim em algo pior.
A imprensa quando não luta pela verdade, também corrompe. 
Laurez Cerqueira reflete sobre isso de forma bastante pertinente, em artigo para o site Brasil 247. 
Não é à toa que Joseph Pulitzer (1847-1911) dizia um século atrás que “com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”.

Uma sociedade movida pelo espírito de vingança não pratica a justiça nem promove a paz.
A impunidade gera infração e crimes, incentivando infratores e criminosos.
Enfrentar, com rigor esta situação, é necessário e urgente, ainda que o Brasil esteja atrasado nesta tarefa.