sexta-feira, 28 de agosto de 2015

As bolas do prefeito


O motorista em sua Hilux, na capital paulista, quase atropela a ciclista.


Para ele, ela estaria bloqueando o cruzamento com sua bicicleta, parada à direita de uma via, com o sinal fechado.

Não contente por quase ter atropelado a ciclista, ele ainda grita para ela.

__Vai lamber as bolas do prefeito, vagabunda! Aqui não é Amsterdã.

A cena, reconstruída com base no depoimento de Giovanna Franceschi Dias, mostra a relação do paulistano motorizado com os ciclistas e as ciclovias, implementadas pelo prefeito da capital paulista, Fernando Haddad.

Não é só a animosidade entre carro e bicicleta que tem revelado a insanidade de muitos paulistanos.

Isto é consequência do esgarçamento e polaridade das relações políticas, reflexo das últimas campanhas eleitorais e do resultado das urnas.

Fernando Haddad é do PT, “o partido mais corrupto do país”; “o partido do bolivarianismo”; “o partido do mensalão”;  “o partido que prega o fim da família tradicional”; “o partido que divide a sociedade com a luta de classes”.

Se o PT, como partido e no governo, não presta; as ciclovias são uma desgraça. 

Quem manda pensar no coletivo em detrimento do individual.

Amsterdã, na Holanda, é uma das cidades europeias que mais incentiva o uso de bicicletas, que no Brasil atraem o ódio dos motoristas, donos de ruas e avenidas.

A rejeição do paulistano às ciclovias foi bem definida por Paulo Nogueira, do Diário do Centro do Mundo, como uma “guerra primitiva”.

Assim, faz sentido que o paulistano que odeia a bicicleta tente ganhar essa guerra no braço, um traço marcante daqueles que se apresentam como trogloditas, mesmo em suas Hilux. 

Definitivamente São Paulo não é Amsterdã nem o Brasil, a Holanda. 

Nossa elite – e parte de classe média que se acha – deleita-se em dizer que lá fora tudo é melhor, mas teima em mostrar, por aqui, o que tem de pior dentro de si.

Uma pena porque também por isso, o Brasil não é um país melhor.

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