segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Atentado é atentado

O atentado ao Instituto Lula, na semana passada, é extremamente grave pelo que revela: intolerância, ódio e violência. 

Não venha com o argumento de que esse atentado é um ato de vandalismo e que o PT, Lula e Dilma merecem morrer.

Minimizar essa situação é desinformação ou má fé, a serviço de quem não aceita o resultado das urnas e quer tirar do poder, um partido eleito democraticamente.

Projeto político tem de ganhar no convencimento, no debate de ideias, com propostas e projetos. Fora disso, o nome é golpe. Simples assim. 

A democracia corre riscos sérios com o segmento que vive a criminalizar qualquer atividade do PT, sem considerar a corrupção que arrasta para o centro todos os partidos políticos.

Essa seletividade é perigosa porque exclui das investigações os corruptos amigos. As acusações contra o tucano Aécio Neves e Furnas, que não viram processos, que o digam.


Combater a corrupção é uma tarefa maior que combater apenas um grupo de corruptos, deixando outros livres para roubar.

Muitos lamentaram que Lula não estivesse no instituto no momento da explosão, pregando mais uma vez a morte do operário que chegou a presidente da República.

Incitar a violência e pregar a morte de quem quer que seja é crime e o criminoso tem de ser punido. A impunidade gera mais agressão e violência.

E se essa bomba fosse destinada a FHC, Áecio Neves ou Eduardo Cunha? Se tivesse como destinatário qualquer veículo de comunicação que se juntou à oposição?

Se um atentado desta natureza acontecesse seria tão condenável quanto, mas o discurso dos que agora tentam minimizar o fato contra o Instituto Lula seria outro.

As capas seriam escandalosas, as manchetes pregariam o fim do mundo e, certamente, responsabilizariam o próprio governo. Desinformação, distorção e manipulação.


Você pode não gostar de Dilma, de Lula ou do PT, mas não pode negar que a violência contra o PT, seus militantes e simpatizantes é incentivada, como se fosse natural em uma democracia.

Não é somente a cadeira da Presidência da República que está em jogo. É a democracia e, portanto, o próprio país. 

Quem justifica o atentado pelo poder de destruição de uma bomba ignora que o pequeno estrago de um artefato explosivo é precedido por outro ainda maior. 

E os estilhaços podem acertar qualquer um, inclusive você.

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