sábado, 1 de agosto de 2015

Entre a impunidade e a barbárie


A impunidade de políticos corruptos e de empresários corruptores incentiva a corrupção.
A impunidade de motoristas infratores incentiva a infração no trânsito.
A impunidade de bandidos que atentam contra a vida incentiva a criminalidade.
A impunidade de vândalos incentiva o vandalismo.
A impunidade aos sonegadores incentiva a sonegação.
A impunidade a quem faz discurso de ódio incentiva a propagação de mais ódio.
A impunidade a quem calunia e difama incentiva a calúnia e a difamação. 
Enfim... a impunidade aos infratores de toda ordem incentiva a infração de toda ordem.

Uma sociedade civilizada se diferencia de uma sociedade bárbara pela garantia das liberdades individuais, por meio da proteção jurídica.
Direitos e deveres estão regulamentados e - fugir deste ritual - é colocar em risco não só as garantias civis, mas todo o sistema que o regula.
Até quando a sociedade brasileira vai conviver com linchamentos, atentados terroristas virtuais e físicos?

Amarrar acusados de assalto em poste é sintoma de uma sociedade bárbara.
Caluniar, difamar e injuriar pelas redes sociais não são sintoma de uma sociedade civilizada.
Atirar bomba contra entidade de ex-presidente é sintoma de uma sociedade bárbara.
Linchar suspeitos de assalto não é sintoma de uma sociedade civilizada.

Nem o judiciário nem os órgãos que devem primar pela justiça estão livres de cometer injustiças.
Na Operação Lava Jato, manter presos suspeitos, sem condenação ou acusação formal, para forçar delação premiada porque a PF e o MP não conseguem provar a culpa, é indício de uma sociedade que não respeita o estado democrático de direito.
Condenar acusados sem provas, como no julgamento da AP 470 (o mensalão do PT) é indício de uma sociedade que não respeita o estado democrático de direito.

A imprensa é um grande poder, exatamente, por fiscalizar os outros poderes e ser o ponto de equilíbrio entre os desequilibrados da sociedade.
No entanto, quando a mídia - por interesse político, econômico ou ideológico – associa-se aos que não têm equilíbrio, publicando acusações falsas (exemplo 1) e documentos falsos (exemplo 2) mata reputações e ajuda a tornar o ruim em algo pior.
A imprensa quando não luta pela verdade, também corrompe. 
Laurez Cerqueira reflete sobre isso de forma bastante pertinente, em artigo para o site Brasil 247. 
Não é à toa que Joseph Pulitzer (1847-1911) dizia um século atrás que “com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”.

Uma sociedade movida pelo espírito de vingança não pratica a justiça nem promove a paz.
A impunidade gera infração e crimes, incentivando infratores e criminosos.
Enfrentar, com rigor esta situação, é necessário e urgente, ainda que o Brasil esteja atrasado nesta tarefa. 

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