quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Justiça ou justiça

A justiça que condena a cinco anos de prisão homem que roubou uma galinha é a mesma que absolve filho de Eike Batista, que atropelou e matou ciclista. 

A justiça que condena a empregada doméstica por ter furtado pote de manteiga é a mesma que absolve o banqueiro Daniel Dantas, de espionagem comercial.

A justiça que diz que nem todo crime menor merece perdão é a mesma que concede liberdade para o filho de Ivo Pitanguy, que – bêbado - atropelou e matou uma pessoa em acidente de carro.

A justiça brasileira que prende José Dirceu duas vezes é a mesma que livra da cadeia o banqueiro Daniel Dantas

A justiça que condena 25 dos 37 réus no Mensalão do PT é a mesma que livra da cadeia, acusados tucanos, por não julgar o Mensalão do PSDB.

A justiça que condena 25 dos 37 réus no Mensalão do PT é a mesma que desobriga a CBF a mostrar contratos na Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga a corrupção no futebol brasileiro.

Um símbolo importante da justiça é a cegueira, que revela a imparcialidade de quem julga. Este não pode enxergar status social, cor, ideologia de qualquer ordem. 

No entanto, quando o julgador enxerga seletivamente desequilibra outro importante símbolo, a balança, que representa a relação entre castigo e culpa. Nada mais triste que uma balança desequilibrada.

Impor castigo desproporcional à culpa não é justiça. Não impor castigo proporcional à culpa não é justiça. A justiça nem sempre é justa, mas toda injustiça é necessariamente injusta.

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