segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Inquietudes (289) do Rei

Deixe-me ver se entendi. O cara é um ladrão confesso, faz acordo de delação premiada, fica com uma parte do dinheiro que roubou para desfrutar. A receita quer cobrar Imposto de Renda, mas o Ministério Público (MP) discorda? 

O MP alega que cobrar imposto de criminoso pode dificultar o fechamento de novas delações, ou seja, o MP não consegue provar o crime, precisa do criminoso para isso e ainda devolve um dinheirinho pela contribuição. 

Definitivamente, o crime compensa e com aval do Ministério Público e da Justiça.

domingo, 29 de novembro de 2015

By Aleijadinho


Inquietudes (288) do Rei

Jornalista que realiza um trabalho sério de investigação, que coleta, checa informações com responsabilidade, ética, que atende ao princípio de ouvir todas as versões e publica acusações com provas não teme o direito de resposta. Não há antídoto contra a verdade!

sábado, 28 de novembro de 2015

Inquietudes (287) do Rei


Em Colorado Springs, no estado do Colorado (EUA), um atirador abriu fogo contra uma clínica de aborto e feriu cerca de 10 pessoas. Quem atira contra pessoas tem a intenção de matar. 

O atirador é contra o aborto, defende a vida e tenta matar quem faz ou apoia a prática do aborto. Gente nesta condição defende a vida de quem mesmo? A vida de inocentes?

Portanto, quem defende a pena de morte para quem considera criminoso não defende a vida. Afinal, vida é vida, o resto é interpretação e preconceito.


Imagem: Reprodução portal Brasil 24/7.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Por que o direito de resposta assusta?


As associações dos Editores de Revistas (Aner), Brasileira das Empresas de Rádio e Televisão (Abert), Nacional dos Jornais (ANJ) esperneiam contra o projeto de Direito de Resposta, de autoria do senador Roberto Requião, sancionado – recentemente – pela presidente Dilma Rousseff. Em manifesto, a ANJ fala em inconstitucionalidade

Mais uma vez o debate sobre os limites da imprensa – sim! a imprensa pode muito, mas não pode tudo – é tumultuado pelo fantasma da censura. Estas entidades defendem corporativamente seus interesses e não necessariamente os da coletividade.

Tanto que em evento da Aner, nesta semana, o juiz Sérgio Moro, cita a possibilidade de censura. Isso mesmo! Sérgio Moro, o mesmo juiz que foi condecorado com prêmio oferecido pela Globo, que integra a Aner. Aliás, o mesmo prêmio foi entregue ao ex-ministro do STF Joaquim Barbosa (lembra-se do menino pobre que mudou o Brasil? ha ha ha), quando do julgamento da AP 470, o mensalão do PT.  

Moro comanda a operação Lava Jato, conhecida por seus promotores e policiais federais por vazarem informações das operações contra o governo federal, seu partido e aliados. É natural que ele ataque o projeto de direito de resposta, simplesmente pelo fato de ser a mídia o maior parceiro da Lava Jato,

O juiz defende a imprensa para influenciar a opinião pública, com ampla publicidade dos atos da operação. Para ele, "o segredo deve ser excepcional". Se a publicidade da operação fosse geral, sem vazamento seletivo nem direcionado, a atitude de Sérgio Moro seria louvável. Estaria a Lava Jato usando a imprensa para vazar informações contra determinados grupos e protegendo outros? 

Jornalista que realiza um trabalho sério de investigação, que coleta, checa informações com responsabilidade, ética, que atende ao princípio de ouvir todas as versões e publica acusações com provas não teme o direito de resposta. Não há antídoto contra a verdade! O direito de resposta é uma realidade em países como Estados Unidos e Inglaterra, que vão mais longe, regulando o setor. 

Uma suposta censura (a sociedade deve mesmo se preocupar com isso) apavora as entidades corporativas da imprensa e seus parceiros de investigação seletiva menos por causa da resposta e mais pelo controle imposto. Controle exercido pela responsabilidade de fazer jornalismo com qualidade. O direito de resposta vai inibir jornalistas que acusam sem provas. 

Não é censura a redação barrar – na pauta – reportagens com acusações que não se sustentam, que não contenham provas. Isso se chama responsabilidade. Trata-se de um princípio ético. Quem acusa tem de provar a acusação. Não cabe ao acusado provar sua inocência. Isso contribui para a democracia do Brasil, uma adolescente cheia de conflitos.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Sobre bananas, justiça e consciência


Dois entregadores - William Dias Delfim e Leonardo Valentim Silva – foram injuriados na última sexta-feira (dia 20), no Dia da Consciência Negra, com bananas. O feito é do gerente do restaurante Garota da Tijuca, Ascendino Correa Leal, região norte do Rio.

Não precisa lembrar o que significa quando alguém dá bananas para pessoas negras. O ato do gerente é repulsivo e teve o tratamento adequado pelos dois entregadores. Ambos chamaram a polícia, registraram boletim de ocorrência e o elemento foi preso em flagrante.

Ascendino Correa Leal pagou fiança de R$ 800,00, foi solto e - se condenado em processo judicial - pode pegar de um a três anos de prisão. A legislação também prevê o pagamento de multa aos condenados. 

Segundo reportagem do site Pragmatismo Político, os entregadores teriam afirmado que o gerente, ao perceber a confusão na qual se metera, teria tentado minimizar, afirmando que se tratava de uma brincadeira.

Ascendino Leal deve acreditar mesmo ter feito apenas uma brincadeira porque é próprio de um país racista ridicularizar quem considera menor, inferior. O foco é constranger e se esconder atrás do humor.

Em um país racista, essas “brincadeiras” revelam o caráter das pessoas que costumam “brincar” com a cor da pele negra, com o cabelo crespo. Adjetivos pejorativos não faltam no repertório das brincadeiras racistas.

Infelizmente o caso dos entregadores não é isolado. A gaúcha Patrícia Moreira, torcedora do Grêmio, chamou o goleiro Aranha de macaco. O episódio teve repercussão nacional. Patrícia foi processada também por injúria racial e fez um acordo.

No entanto, nem sempre a justiça é juta. O humorista de humor duvidoso Danilo Gentili também ofereceu bananas a um internauta, foi processado e absolvido. O juiz da 10ª Vara Criminal da Justiça de São Paulo, Marcelo Matias Pereira, disse na decisão:

"Seria necessário algo a mais do que uma piada grosseira e infeliz, vale dizer, um intuito de realmente ofender a vítima, desqualificando-a pela cor de sua pele, o que não ocorreu no caso em questão."

O juiz Marcelo Matias Pereira viu em Gentili, apenas uma “brincadeira”, grosseira e infeliz. Infelizmente, a noção equivocada de que chamar um negro de macaco e oferecer-lhe uma banana é brincadeira está arraigada até no Judiciário. Mas justiça que absolveu uma celebridade vai absolver um gerente de restaurante?

As pessoas ofendidas com atos de injúria quando não se calam e vão à Polícia revelam a consciência de raça, necessária para estancar o preconceito e atos de racismo. Enquanto os negros concordarem que isso é uma brincadeira, os brancos racistas sentirão incentivados a fazer o que fazem de melhor: racismo.

Imagem: Reprodução Pragmatismo Político.

Inquietudes (286) do Rei

Desde Cabral, os racistas afirmam que o negro não presta, não é gente, é preguiçoso. E feio. E agora - quando se fala em consciência negra - muitos querem que o negro tenha a autoestima inabalável.

Não use o preconceito do próprio negro para justificar o seu. É por essas e outras que as campanhas 100% negro, orgulho negro e orgulho da raça são necessárias. Para desconstruir um discurso repetido há séculos.

sábado, 21 de novembro de 2015

Negros têm traços bonitos sim!


“Não querendo parecer racista, mas negros não tem traços bonitos.”

A afirmação causa indignação, gera polêmica e é inevitável a contra-afirmação. __A moça é racista. Espere um pouco. Mais adiante, a moça afirma “Eu sou morena clara, tenho olho escuro e não me sinto desvalorizada pq uma loira ganhou.” 

Esperaí! Ela não se sente desvalorizada como morena clara, mas negros nunca têm traços bonitos e belas, como Thais Araújo, são um exemplar raro. Definitivamente, o caso da moça não é de polícia, mas de terapia.

Negros têm traços bonitos sim!  

A chave para entender os motivos de a moça achar que os negros têm traços feios está na autoestima negra construída há séculos. Pare e pense. Desde Cabral ouve-se que o negro não presta, não é gente, é preguiçoso. E feio.

E você quer que o negro tenha – de uma hora para outra – a autoestima inabalável? Não use o preconceito do próprio negro para justificar o seu. É por essas e outras que as campanhas 100% negro e orgulho da raça são necessárias. Para desconstruir um discurso repetido há séculos.

Negros têm traços bonitos sim!  

A moça do post deve ser compreendida exatamente porque repete o discurso da maioria: um padrão branco de beleza. "Não adianta, brancos de olhos claros são mais bonitos. É universal." Padrão criado e circulado na indústria branca da moda, com respaldo cúmplice da mídia branca e do estado branco.

Por que do estado? Porque a importação de mão de obra europeia com a imigração, no fim da escravidão no Brasil, também atendeu a uma política de branqueamento da população brasileira, tida como “escura” demais.

Negros têm traços bonitos sim!  

A origem das relações sociais no Brasil é racista e é ela que deve ser combatida. Deve-se combater o discurso de que o negro é feio e o branco bonito; que o negro é mal e o branco bom. A lei que criminaliza o racismo é fundamental neste processo.

E também devemos mudar o enfoque construído historicamente. Sem desconstruir o discurso de que “negros não tem traços bonitos”, continuaremos a ver negros morenos claros repetindo que “negros não tem traços bonitos.”

Mudar esta realidade não é um trabalho com resultados imediatos. Esta é uma tarefa para algumas gerações, mas se não começarmos, tudo continuará como está. 

Negros têm traços bonitos sim!

Nos trilhos


quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Escolhas e dores



Para vingar o sangue francês, o presidente François Hollande promete mais sangue.
O terror combate o terror.

Os mortos de Paris têm nome e rosto.
Os mortos da Síria não têm nome nem rosto.

Em uma guerra, não há como matar apenas o inimigo que se combate.
Alvos civis se tornam alvos fáceis.

A morte de civis em ataques da França é efeito colateral.
E a morte de civis em ataques terroristas é o que mesmo?

Quem diria! os ditadores do Oriente Médio mantinham suas tribos sob controle.
A invasão do Afeganistão e do Iraque, pelos Estados Unidos, a pretexto de levar a democracia, conseguiu desestabilizar ainda mais a região.

A Primavera Árabe, para tirar ditadores ex-aliados do poder, virou o Inv(f)erno Mundial.
Ruim com os ditadores, pior sem eles?

Grupos dissidentes armados e treinados.
E as armas também vão parar nas mãos de um tal Estado Islâmico.

O extremismo é orientalmente religioso e ocidentalmente ganancioso.
Um quer controlar o outro.

Terrorismo clandestino.
Terrorismo institucional.

Ação e reação.
Causa e consequência.

O mundo chora suas as dores.
E se esquece que são as dores das suas próprias escolhas.

Crédito da imagem: Reprodução Blog Versos e Rimas.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Inquietudes (285) do Rei

Reduzir os ataques a Paris a atentados terroristas de fanáticos radicais, sem considerar o desmantelamento do Oriente Médio com a deposição de governos autoritários (outrora amigos); as relações sociais das diversas tribos/etnias, o caráter religioso da região é ignorar a complexidade do cenário, acirrando ainda mais os problemas.

Se eliminar o terror fosse tão fácil, como pregam muitos simplistas, por que os Estados Unidos e os alinhados de sempre não conseguiram acabar com os terroristas, desde a invasão do Afeganistão e do Iraque, a pretexto de encontrar armas de destruição em massa, nunca encontradas?

domingo, 15 de novembro de 2015

Receita de terror

Ingredientes
- Algumas potências gananciosas
- Uma porção de governos ditatoriais
- Alguns grupos dissidentes
- Milhões de barris de petróleo
- Uma porção de etnias   
- Alguns quilos de intolerância religiosa
- Ganância, interesse privado, poder político e fanatismo a gosto 

Modo de preparar

A massa
Pegue as super potências, cujos recursos naturais estão exauridos; adicione - a gosto - a ganância, o interesse privado e o poder político. Misture bem e deixe descansando. Depois que a opinião publicada estiver favorável, invada os países inimigos e controle tudo.

O recheio
Pegue os grupos dissidentes, adicione armamento pesado e treinamento para combater os governos ditatoriais. Bata no liquidificador até virar um molho homogêneo. Leve ao fogo e mexa de vez em quando, controlando a fervura. 

Quando o recheio estiver no ponto, abra a massa e espalhe-o. Acrescente as etnias e todos os seus problemas, enrole tudo e leve ao forno.

A cobertura
Pegue o petróleo no território invadido e destruído, reprima o inimigo, não respeite suas crenças, nem cultura. Combata a intolerância dele, intolerantemente. Espalhe a cobertura sobre a massa assada.

Sirva com fanatismo. Rende muitas porções de atentados terroristas.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Inquietudes (284) do Rei

Então quer dizer que para a imprensa de São Paulo, o estado de Geraldo – o Alckmin – fechamento de escola é reorganização da educação; violência policial contra estudantes em manifestação é repressão a protesto; falta de água é crise hídrica e desvio de recursos públicos do metrô é cartel de empresários? A escolha das palavras dos veículos de comunicação mostra muito sobre os seus posicionamentos ideológicos, ou seja, revela quem é defendido e quem é atacado. A palavra revela muito mais do que diz.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

A sombra do coqueiro


Aí, o Muro de Berlim

Aí... meu conhecido, para rebater minhas defesas de desconcentração de renda e melhor distribuição de riquezas, diz que o comunismo ruiu faz tempo.

__Meu caro, o Muro de Berlim caiu. Isto é a prova do fracasso do comunismo.

Eu não havia defendido o comunismo - este fantasma persegue muita gente, mesmo. Eu havia falado de uma sociedade mais justa, onde todos devem ter oportunidades. Já que ele atravessou os temas, tive de perguntar.


__Se a queda do Muro de Berlim está para o fim do comunismo, podemos pensar que a queda das Torres Gêmeas está para o fim do capitalismo selvagem?

E aí, um outro mundo ainda é possível?

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Ah, a ideologia


Toda vez que leio ou ouço alguém acusando o outro de ser ideológico, sinto um frio correr pela espinha. O cidadão diz que não tem ideologia, mas afirmar isso não é um posicionamento ideológico? A qual ideologia esta negação se presta?

Na sociedade atual, um contingente importante (assembleias legislativas, igrejas, Congresso Nacional) nega a discussão, por exemplo, da ideologia de gênero, do feminismo e da religião na escola. 

Ao não permitir que ideologias ‘tidas como minorias’ (na falta de um termo melhor, uso este mesmo) sejam explicitadas, as dominantes continuarão prevalecendo. Dizer que não tem ideologia é uma falácia, até porque este é um posicionamento ideológico. 

A linguagem é essencialmente ideológica e parte constituinte do ser humano, independentemente do conceito usado para o termo, já que não há um consenso pacífico para o que venha ser ideologia. Isso vai além, por exemplo, da relação capitalismo-comunismo.

A dominação não se dá apenas pelo sistema político e pelo poder econômico. O tema é mais amplo e, por isso, negar o debate sobre ideologia das ‘minorias’ na escola é fazer prevalecer uma ideologia nas relações de dominação.

Quando se nega o debate sobre o gênero e todas as suas implicações sociais, prevalece a ideologia machista (e não é só o homem machista, mulheres também o são). E quem sempre dominou e como dominou? A violência contra a mulher, travestis, gays, transexuais é fruto do que mesmo?

Este raciocínio pode ser aplicado à religião; ao negar a abordagem aos cultos afros e aos ateus, prevalece qual ideologia religiosa? A intolerância religiosa é fruto do que senão das relações de dominação de sempre? 

Naturalmente este tema - seus conceitos e contradições - não se esgota em poucas palavras e, por isso, mesmo é que precisa de mais perguntas em busca de respostas, enfim mais debate

No entanto, o que fazer quando a ideologia das 'minorias' assusta a maioria, por não saber lidar com isso? A a repercussão ao pensamento de Simone de Beauvoir, em uma questão do Enem, é um sintoma deste estado de indigência mental.

Empurrar a afirmação de Beauvoir - não se nasce mulher, torna-se mulher” - ao aspecto meramente biológico, desconsiderando a complexidade social e de papéis é uma espécie de interdição do debate. 

É por isso que muitos não nascem estúpidos, tornam-se e, ao longo da vida, arrebanham outros para a causa. E as redes sociais se ocupam de tornar pública a estupidez que antes era privada.

Imagem: "O pensador", de Augusto Rodin.

A lama da plutocracia


A lama é da Samarco e das grandes corporações que sugam o Brasil, com a cumplicidade de seus governantes, seja em nível estadual seja na esfera federal.

A Samarco explora minérios em Minas Gerais e é responsável pela catástrofe de Mariana, cuja barragem de rejeitos varreu um distrito do município e contaminou rios da região que abastecem milhões de pessoas.

Conforme informações do jornalista Luiz Carlos Azenha, a mineradora é uma "joint venture da Vale [do Rio Doce] com a australiana BHP Billiton, teve um lucro líquido de R$ 2,8 bilhões em 2014."

Isso mesmo, R$ 2,8 bilhões de reais de lucro durante o ano passado; lucro auferido com a exploração da mão de obra; com a falta de cuidado com o meio ambiente e a relação promíscua com o poder público. 

"Como se sabe, o Brasil é uma “mãe” para as mineradoras." (...) 
"O “pai” das mineradoras é Fernando Henrique Cardoso. Em 1996, com a Lei Kandir, isentou de ICMS as exportações de minérios!" (...)

Azenha também afirma que "infelizmente, a elite brasileira até hoje se mostrou incapaz de formular um projeto soberano de país. Isso vale para PSDB, PT e todos os outros, como ficou evidente na tragédia de Mariana."

Nesta perspectiva, a lama da Samarco se soma à lama do estado, associado à plutocracia, que "significa governo da riqueza, ou seja, trata-se de um sistema político em que o poder está concentrado nas mãos dos indivíduos que são detentores das fontes de riqueza da sociedade."

Antonio Gasparetto Junior, para o site InfoEscola, afirma que "a plutocracia é um conceito, não um tipo de poder institucionalizado de maneira oficial. Porém pode ser muito presente. O que acontece comumente é o financiamento de agentes políticos por pessoas ou grupos detentores de poder econômico."

A relação do poder econômico com o estado brasileiro data desde sempre e romper com isso demanda boa vontade e muito, mas muito esforço mesmo. Os plutocratas, geralmente, são os mesmos que rechaçam as políticas afirmativas.

Os ataques a programas como Bolsa Família não são efeito colateral; são a marca do segmento que gosta de falar em ensinar a pescar em vez de dar o peixe, mas vive da piracema do estado.

Desde 2002, quando um operário chegou à Presidência da República, milhões sonharam com um governo mais justo e distributivo. E isso aconteceu de fato, mas as conquistas não estão garantidas. 

Ainda não foi viabilizado um processo para barrar qualquer tentativa de retrocesso. O sistema político-partidário não ajuda; as reformas de base não saem do papel; o Executivo vive em cárcere do Legislativo.

A lama em Mariana revela muito mais do que o rejeito da mineração barragem abaixo. A lama do interesse privado das grandes corporações com o Estado vai demorar para ser limpada. E enquanto não começar, não há previsão para terminar. 

Crédito da foto: Christophe Simon/AFP. Reprodução G1.