terça-feira, 10 de novembro de 2015

A lama da plutocracia


A lama é da Samarco e das grandes corporações que sugam o Brasil, com a cumplicidade de seus governantes, seja em nível estadual seja na esfera federal.

A Samarco explora minérios em Minas Gerais e é responsável pela catástrofe de Mariana, cuja barragem de rejeitos varreu um distrito do município e contaminou rios da região que abastecem milhões de pessoas.

Conforme informações do jornalista Luiz Carlos Azenha, a mineradora é uma "joint venture da Vale [do Rio Doce] com a australiana BHP Billiton, teve um lucro líquido de R$ 2,8 bilhões em 2014."

Isso mesmo, R$ 2,8 bilhões de reais de lucro durante o ano passado; lucro auferido com a exploração da mão de obra; com a falta de cuidado com o meio ambiente e a relação promíscua com o poder público. 

"Como se sabe, o Brasil é uma “mãe” para as mineradoras." (...) 
"O “pai” das mineradoras é Fernando Henrique Cardoso. Em 1996, com a Lei Kandir, isentou de ICMS as exportações de minérios!" (...)

Azenha também afirma que "infelizmente, a elite brasileira até hoje se mostrou incapaz de formular um projeto soberano de país. Isso vale para PSDB, PT e todos os outros, como ficou evidente na tragédia de Mariana."

Nesta perspectiva, a lama da Samarco se soma à lama do estado, associado à plutocracia, que "significa governo da riqueza, ou seja, trata-se de um sistema político em que o poder está concentrado nas mãos dos indivíduos que são detentores das fontes de riqueza da sociedade."

Antonio Gasparetto Junior, para o site InfoEscola, afirma que "a plutocracia é um conceito, não um tipo de poder institucionalizado de maneira oficial. Porém pode ser muito presente. O que acontece comumente é o financiamento de agentes políticos por pessoas ou grupos detentores de poder econômico."

A relação do poder econômico com o estado brasileiro data desde sempre e romper com isso demanda boa vontade e muito, mas muito esforço mesmo. Os plutocratas, geralmente, são os mesmos que rechaçam as políticas afirmativas.

Os ataques a programas como Bolsa Família não são efeito colateral; são a marca do segmento que gosta de falar em ensinar a pescar em vez de dar o peixe, mas vive da piracema do estado.

Desde 2002, quando um operário chegou à Presidência da República, milhões sonharam com um governo mais justo e distributivo. E isso aconteceu de fato, mas as conquistas não estão garantidas. 

Ainda não foi viabilizado um processo para barrar qualquer tentativa de retrocesso. O sistema político-partidário não ajuda; as reformas de base não saem do papel; o Executivo vive em cárcere do Legislativo.

A lama em Mariana revela muito mais do que o rejeito da mineração barragem abaixo. A lama do interesse privado das grandes corporações com o Estado vai demorar para ser limpada. E enquanto não começar, não há previsão para terminar. 

Crédito da foto: Christophe Simon/AFP. Reprodução G1.

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