quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Por que o direito de resposta assusta?


As associações dos Editores de Revistas (Aner), Brasileira das Empresas de Rádio e Televisão (Abert), Nacional dos Jornais (ANJ) esperneiam contra o projeto de Direito de Resposta, de autoria do senador Roberto Requião, sancionado – recentemente – pela presidente Dilma Rousseff. Em manifesto, a ANJ fala em inconstitucionalidade

Mais uma vez o debate sobre os limites da imprensa – sim! a imprensa pode muito, mas não pode tudo – é tumultuado pelo fantasma da censura. Estas entidades defendem corporativamente seus interesses e não necessariamente os da coletividade.

Tanto que em evento da Aner, nesta semana, o juiz Sérgio Moro, cita a possibilidade de censura. Isso mesmo! Sérgio Moro, o mesmo juiz que foi condecorado com prêmio oferecido pela Globo, que integra a Aner. Aliás, o mesmo prêmio foi entregue ao ex-ministro do STF Joaquim Barbosa (lembra-se do menino pobre que mudou o Brasil? ha ha ha), quando do julgamento da AP 470, o mensalão do PT.  

Moro comanda a operação Lava Jato, conhecida por seus promotores e policiais federais por vazarem informações das operações contra o governo federal, seu partido e aliados. É natural que ele ataque o projeto de direito de resposta, simplesmente pelo fato de ser a mídia o maior parceiro da Lava Jato,

O juiz defende a imprensa para influenciar a opinião pública, com ampla publicidade dos atos da operação. Para ele, "o segredo deve ser excepcional". Se a publicidade da operação fosse geral, sem vazamento seletivo nem direcionado, a atitude de Sérgio Moro seria louvável. Estaria a Lava Jato usando a imprensa para vazar informações contra determinados grupos e protegendo outros? 

Jornalista que realiza um trabalho sério de investigação, que coleta, checa informações com responsabilidade, ética, que atende ao princípio de ouvir todas as versões e publica acusações com provas não teme o direito de resposta. Não há antídoto contra a verdade! O direito de resposta é uma realidade em países como Estados Unidos e Inglaterra, que vão mais longe, regulando o setor. 

Uma suposta censura (a sociedade deve mesmo se preocupar com isso) apavora as entidades corporativas da imprensa e seus parceiros de investigação seletiva menos por causa da resposta e mais pelo controle imposto. Controle exercido pela responsabilidade de fazer jornalismo com qualidade. O direito de resposta vai inibir jornalistas que acusam sem provas. 

Não é censura a redação barrar – na pauta – reportagens com acusações que não se sustentam, que não contenham provas. Isso se chama responsabilidade. Trata-se de um princípio ético. Quem acusa tem de provar a acusação. Não cabe ao acusado provar sua inocência. Isso contribui para a democracia do Brasil, uma adolescente cheia de conflitos.

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