sábado, 31 de dezembro de 2016

Inquietudes (352) do Rei

A opressão não gera respeito; gera medo. 
A submissão não gera respeito; gera apatia. 
Respeito é conquistado e não imposto.

Inquietudes (351) do Rei

Temer, aquele um, pediu que tenhamos pensamentos positivos para 2017. É pra já! Que a chapa Dilma/Temer seja cassada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e que tenhamos eleições diretas. Há!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Falta de respeito!

Reprodução Brasil 24/7

As mulheres apanham porque não respeitam seus maridos. Isso mesmo! Se as mulheres se dessem ao respeito (seja lá que merda isso signifique) não apanhariam. Essa é a opinião de um médico do Distrito Federal sobre porquê as mulheres apanham.

Esse médico é o cardiologista Luiz Águila que, conforme o portal Brasil 247, escreveu. “Sabe porque (sic) tantas mulheres apanham? Porque desrespeitam seus companheiros. Respeitem e serão respeitadas. Nossas avós não apanhavam porque respeitavam. Respeito é fundamental.”

A mensagem, segundo o portal, foi escrita para defender o filho, um bombeiro, acusado de espancar a mulher grávida de quatro meses. O machismo, ao contrário do feminismo, machuca, violenta e até mata. Os machistas, portanto, machucam, violentam e até matam.

As avós, às quais o cardiologista se refere, não eram respeitosas. Elas eram, e muitas continuam sendo até hoje, oprimidas e submissas. A opressão não gera respeito; gera medo. A submissão não gera respeito; gera apatia. Respeito é conquistado e não imposto.

Quando a caca vem à tona e repercute, a mensagem é apagada pelos seus autores. Eles não gostam da repercussão. O cardiologista seguiu o roteiro da covardia e apagou a mensagem. Os machões também sentem medo. Tarde demais. Muitas cópias foram dados e circulam pela rede.


A internet tem essa mania, de transformar gente comum em celebridade instantânea, tanto para o bem quanto para o mal. O médico está experimentando do veneno que projetou e, agora, apanha. Não quer apanhar nas redes sociais? Dê-se ao respeito. Afinal, respeito é fundamental!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Aceitem ou serão expostos!

A atitude do estudante Talles de Oliveira Faria, formando do ITA, merece aplausos. "Aceitem-me como sou ou sejam expostos pelo que vocês são." Se os homofóbicos querem os gays na invisibilidade, que sejam expostos por sua homofobia.



Da Revista Fórum: O estudante Talles de Oliveira Faria, de 24 anos, fez um protesto contra a homofobia que sofreu nos anos em que estudou engenharia da computação no ITA (Instituto de Tecnologia Aeronáutica), que pertence as Forças Armadas Brasileiras. Leia o texto completo.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

MPF ou MFP?

O procurador geral da República, Rodrigo Janot, quer investigar quem vazou as informações da delação premiada da Odebrechet que compromete Michel Temer, sua catrefa ministerial e o alto tucanato.

A excelência não teve esse mesmo cuidado com os mais de 1.112 vazamentos da mesma Lava Jato. Lembra-se da gravação ilegal do telefonema da presidenta Dilma e o vazamento criminoso para a Rede Globo? 

Aliás, os vazamentos da operação Lava Jato contrariavam a lei e a publicidade de Moro às informações sigilosas ajudaram no impeachment de Dilma. Vazamento de informação sigilosa era ilegal com Dilma e continua sendo, agora

, mas senhor procurador, por que interessava vazar antes, inclusive sem punição, e por que não interessa vazar agora? Justiça parcial não é justiça. É linchamento. Dia desses li que o MPF virou MFP. Começo a concordar.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Inquietudes (350) do Rei

O acordão do STF, para manter Renan na presidência do Congresso, é reflexo da justiça parcial e seletiva, inaugurada no julgamento do mensalão do PT e consolidada na Lava Jato. Lembra-se de que eu dizia que juiz parcial atacava e feria a democracia? Então... estamos colhendo o que há de pior neste processo. Quando magistrados fazem politica, o Judiciário perde a noção da própria justiça e, por isso, perdemos todos nós.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Inquietudes (349) do Rei

Deixe-me ver se entendi. Protestar contra lei que estabelece punição para juiz e procurador que cometem abuso é dar carta branca para juiz e procurador cometerem abusos?

É devagar!


2016 vai deixar saudades

A Folha de S.Paulo informa que na proposta de Temer, "haverá uma idade mínima de 65 anos para aposentadoria e um tempo mínimo de contribuição de 25 anos. Para ter acesso ao valor completo, de acordo com a nova regra de cálculo, será necessário contribuir 50 anos." E você vai às ruas, fantasiado de amarelo-CBF, para apoiar procuradores e juízes que querem continuar abusando da autoridade. 2016 vai deixar saudades, quando compararmos com o que está por vir.

Inquietudes (348) do Rei

Temer, o pacificador nacional. Já pensou se não fosse? Há!

Inquietudes (347) do Rei

Volta e meia, leio alguém escrevendo que tem inveja, mas uma inveja boa. Se a sua inveja é boa, a minha luxúria é santa. Há!

domingo, 20 de novembro de 2016

Aí, a nova habilidade

Aí... uma amiga demonstra preocupação com a Creide.

__Nossa! Creide, você está tão quieta. Tem postado coisas com menos frequência e não tenho visto você debatendo política na página dos seus amigos e conhecidos.
__É verdade, não tenho comentado nos espaços de amigos e conhecidos. Estou restrita à minha página nas redes sociais.
__Por que esse comportamento e não rebater as ideias?
__É que estou desenvolvendo uma nova habilidade.
__Sério! que bacana. Qual é?
__Ler bosta e não reagir. 

Há!

Inquietudes (346) do Rei

Então... você aplaude o estado policialesco e incentiva o desrespeito à lei para destruir o adversário corrupto (com os aliados corruptos, você se cala). Afinal, todo corrupto adversário tem de ser destruído e não merece a lei. Quando esse mesmo estado se voltar contra qualquer um, inclusive você ou seus próximos, não reclame. Lembre-se de que você aplaudiu.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

sábado, 5 de novembro de 2016

Solução populista?

Reprodução G1.

O prefeito eleito de Londrina, Marcelo Belinati, anunciou que vai escolher o nome para a Secretaria de Educação, a partir de um processo de seleção pública. O Portal O Bonde informou que as inscrições podem ser feitas até 15 de novembro, no site Seleção para Secretário de Educação. . 

"Os candidatos serão analisados em diversas etapas para que até dezembro seja entregue ao prefeito eleito da cidade uma lista curta de onde sairá o nome do novo secretário.” A informação é do Bonde. À RPC, o prefeito eleito disse que o cargo deverá ser preenchido a partir da meritocracia, ou seja, o nome deve ter conhecimento da área, bom currículo e experiência, conhecer a realidade e ter amor pela educação.

O edital será publicado pelo Instituto Vetor, responsável pelo processo de seleção, mas ainda não está disponibilizado no site da organização. A decisão de escolher o secretário municipal de Educação é inédita e suscita algumas reflexões.

1) O prefeito eleito Marcelo Belinati quer um nome para a Secretaria de Educação que tenha méritos: conhecimento específico, bom currículo e experiência, ou seja, um técnico qualificado. Isso leva, consequentemente, a um questionamento. Outras pastas como Saúde, Assistência Social, Cultura, Fazenda, não precisam de alguém com méritos e qualificação? Pode ser alguém de senso comum, um político, talvez? 

2) Na fala à RPC, Belinati diz que quem ocupar a secretaria tem de ter amor pela educação. Os nomes do restante do secretariado não precisam ter amor pela sua área? Na história da pedagogia, algumas correntes pregavam para o professor um papel de missionário que precisava – para exercer sua função – a abnegação, o desprendimento, a doação de si, o amor. Esse discurso resvala no trabalho voluntário que pouco ajuda na profissionalização da educação. Basta ver o sucateamento do ensino, as condições de trabalho e salariais dos professores. 

3) Secretário é um cargo de confiança do prefeito. A sustentação de um nome técnico frente a uma secretaria é política, legitimada pelo prefeito e o projeto político vencedor. Isso é política e não há problema algum nisso, se o projeto foi eleito pela maioria dos eleitores. Transformar a política em coisa técnica é prestar um desserviço à própria sociedade. É uma forma também de agradar uma parcela do povo que odeia a política, ou seja, uma forma de populismo perigoso. 

4) O prefeito terá uma lista de nomes e, por acaso, vai optar por alguém que seja política e ideologicamente contrário a ele? Quem detém o mandato é o prefeito – gostemos ou não do resultado das urnas - e não o secretariado. A última - ou primeira - palavra é de quem tem mandato legitimado pelo voto direto. 

5) Imagine a cena. O prefeito exige – durante reunião de secretariado - que o secretário de Educação cumpra metas, determinando que ele e sua equipe corram atrás de recursos estaduais e federais para resolver o problema da falta de vagas em creches e melhorar a qualidade do ensino na rede municipal de Londrina. O secretário vira para o prefeito e diz:

__ Prefeito, recursos federais para as áreas sociais estão congelados e temos perdas significativas de investimentos nos próximos 20 anos.

Como um bom técnico que é, escolhido em seleção pública por mérito e que não liga para essas frivolidades políticas, o secretario de Educação pergunta.

__Prefeito, o senhor quando era deputado federal votou favoravelmente, em segundo turno, pela PEC 241, que congela os investimentos também na educação. O senhor vai aumentar em quanto os investimentos próprios do município nesta área que eu amo tanto?

Inquietudes (344) do Rei

O Paraná está bem mal representado na Câmara dos Deputados. Depois de ficar preso por oito meses por agressão à ex-noiva, o suplente demo (com sentido duplo, mesmo) Osmar Bertoldi (DEM) assume uma vaga. Veja só: cinco dias depois de deixar a cadeia. Ele assume a cadeira de Ricardo Barros, o ministro da Saúde Privada. Milhares de paranaenses afirmam que o Nordeste não sabe votar. Ainda bem que o Paraná sabe. Há!

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Mais à esquerda do que nunca

Com o massacre da esquerda nas eleições municipais deste ano, os partidos progressistas precisam fazer uma reflexão profunda.

A defesa de um projeto político deve ser feita sempre e não apenas durante as eleições.

- as políticas sociais como Fies, Bolsa Família e Cotas;
- os investimentos sociais para os mais pobres; 
- o fortalecimento do SUS e da educação pública; 
- a manutenção de estatais estratégicas como Petrobrás;
- o ensino superior público e gratuito;
- a não adoção de projetos autoritários como Escola sem Partido;
- o estado laico;
- o casamento gay;
- o debate sobre a ideologia de gênero;
- a função social da propriedade e todas as formas de família;
- a descriminalização das drogas; 
- o direito da mulher ao aborto;
- a não pena de morte; 
- o desarmamento da população;
- a construção de mais escolas.

O Brasil endireitou e eu estou à esquerda mais do que nunca!

Acho que vou endireitar

Com o massacre da esquerda nas eleições municipais deste ano, acho que vou endireitar e passar a defender:

- o fim de políticas sociais como Fies, Bolsa Família e Cotas;
- o congelamento de investimentos sociais; 
- a privatização do SUS e da educação pública; 
- a privatização de todas as estatais;
- a cobrança de mensalidade no ensino superior público;
- a Escola sem Partido;
- a política com religião;
- o fim do casamento gay;
- o fim da ideologia de gênero;
- a propriedade e a família tradicional;
- a não descriminalização das drogas; 
- o não direito ao aborto;
- a pena de morte; 
- o armamento da população;
- a construção de mais presídios. 

Credo! O Brasil pode ter dado uma guinada à direita, mas me afirmo à esquerda mais do que nunca! 

Se você endireitou, não reclame da exclusão social que você vai ajudar a promover nos próximos anos.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

De volta aos anos 1990

O nome do tucano Fernando Henrique Cardoso (FHC) entrou no radar para um mandato tampão, em caso de eleição indireta, se a chapa Dilma-Temer for cassada, pelo TSE, a partir de janeiro. 

Considerando o viés direitista assumido pelo PSDB, que jurou sabotar a presidenta Dilma, após a reeleição em 2014, nada mais natural o nome de FHC, que ajudou a construir o caos atual.

Com o congelamento de investimentos da PEC 241 em saúde, educação e assistência social, fica ainda mais plausível o nome do ex-presidente para a presidência. 

Voltamos aos recessivos e miseráveis anos 1990. Mapa da Fome, FMI, inflação e desemprego altos, exclusão social... aí voltamos nós. O Brasil amarelo-CBF agradece.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Poderes podres


Foto: reprodução Blog do Fernando Rodrigues.

O presidente do Senado, Renan Callheiros, defende o Senado contra os juízes de primeira instância. 

A presidenta do STF, Cármen Lucia, defende o Judiciário contra o ataque do senador Renan Calheiros.

O "presidente" Michel Temer tenta apaziguar os outros dois poderes e recebe um não de Cármen Lúcia. 

Michel Temer chegou ao poder depois de trair Dilma, para agradar a elite financeira do país.

Cármen Lúcia é a nova namoradinha do Brasil por dizer o que a plateia quer ouvir.

Renan Calheiros... bem! sua ficha corrida dispensa apresentações.

Os três tentam salvar a imagem de seu poder, em um corporativismo que ajuda somente a corporação.

Executivo, Legislativo e Judiciário atiram para todos os lados.

Enquanto isso... a PEC 241 vai tirar investimentos bilionários da saúde, educação e assistência social, mas mantendo os privilégios do Executivo, do Legislativo e do Judiciário.

Temer, Calheiros e Lúcia tentam salvar a imagem dos poderes que comandam, mas nunca serão o mesmo depois do impeachment sem crime de responsabilidade.

Os três poderes são mais parecidos do que Temer, Calheiros e Lúcia gostariam.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Inquietudes (343) do Rei

Do senador Renan Callheiros = PMDB
“Tenho ódio e nojo a métodos fascistas. Como presidente do Senado, cabe a mim repeli-los. Um juizeco de primeira instância não pode, a qualquer momento, atentar contra qualquer poder”.

Do senador Aloysio Nunes = PSDB 
“O juiz Moro, que se acha o superego da República, tem que dizer quais artigos do projeto da lei do Abuso do Poder, impedem a ação da Justiça.”

PMDB e PSDB aplaudiam e incentivavam cada ação espetaculosa contra Dilma, Lula e o PT. Justiça seletiva é boa para atacar os outros. Justiça parcial é necessária para atacar os outros.

Juiz de primeira instância no olho dos outros é refresco!

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Inquietudes (342) do Rei

O PMDB caminha para experimentar o remédio que serviu à Dilma. O ilegítimo não interessa mais? Se o governo Temer desse certo, o PSDB seria fiador. Dando errado - ao que tudo indica - Gilmar Mendes - o supremo de sempre - deve deixar, para 2017, a cassação da chapa Dilma-Temer pelo TSE. Eleição direta. E o tucanato agradece. E você achava que isso era só uma teoria de conspiração dos que usam vermelho-comunista. Há!

Sobre certo e errado; língua e opressão

É triste, em um debate, quando alguém desqualifica seu interlocutor porque este usa variantes linguísticas consideradas erradas pela gramática normativa. Quem faz isso, ataca o outro por puro preconceito linguístico, que é uma extensão do preconceito social. Quem corrige a fala do outro, acha que sua fala é correta, melhor e mais bonita.

O que essa gente não sabe, é que nem ela fala a língua padrão, aquele sistema - pretensiosamente - ensinado nas aulas de Língua Portuguesa. Nem o professor domina o padrão. O que há são variedades faladas por diferentes segmentos. Os mais escolarizados falam a variedade culta e os menos, a variedade popular. 

Tanto que é possível perceber alguém corrigindo quem fala “errado”, usando expressões “erradas”. Na última semana, um promotor público de Londrina disse preferir adolescentes na biqueira do que estarem em uma escola ocupada. O promotor é ninguém menos que o promotor da Vara da Infância e da Adolescência, Marcelo Briso Machado. 

A fala do promotor, sobre preferir adolescentes na boca de fumo, repercutiu muito no final de semana e, neste texto, interessa um aspecto mais sutil que se revela também preconceituoso. Em dado momento, o promotor corrige um estudante dizendo que não se trata de câmera, mas de Câmara dos Vereadores. 

Além disso, o promotor público disse que prefere uma coisa do que outra. Pela gramática, quem prefere, prefere alguma coisa a outra coisa. Então, o promotor deveria falar que prefere adolescentes na biqueira a estarem em uma escola ocupada. Quem corrige também “erra”, não é mesmo?

No contexto em questão, o “erro” do promotor e a correção ao aluno não fazem a menor diferença, apenas revelam a noção de superioridade consolidada socialmente por aqueles que dominam mais o uso das variantes linguísticas da linguagem culta. No entanto, esse tipo de correção ganha adeptos. Em um post do vídeo do promotor que viralizou, um internauta ironiza a molecada que fala “noiz foi” e “noiz vai”. “Está faltando aulas nas escolas”, diz o internauta.  



Isso mesmo. Quem corrige a fala do outro, também fala “errado”. Estão faltando aulas nas escolas. Além disso, ele escreve que não tem procuração “pra defender”. Muitos gramáticos atestam que o “mais correto” é para e pra deve ser usado apenas em situações informais, na fala e não na escrita. Pode ainda ser criticado o gerúndio “está faltando”, cujo gerundismo é considerado, pelos puristas da língua, um vício de linguagem.

A ideia de “certo” e “errado” na Língua Portuguesa é antiga e usada como instrumento de opressão social, para desqualificar quem não usa as variantes de prestígio. Quanto maior a classe social de quem fala, maior o prestígio; quanto mais baixa, mais estigmatizada. Portanto, o preconceito linguístico nada mais é que uma extensão do preconceito social.

O “certo” e o “errado” são vendidos pelos normativistas e gramáticos de plantão que ocupam espaços privilegiados nos meios de comunicação, que vivem ensinando receitinhas de “como falar melhor”. Prestariam um serviço à sociedade, se vendessem como projeto a necessidade daqueles que dominam o nóis vai precisar dominar, também, o nós vamos. O ensino da língua deve valorizar o que o estudante domina, para que possa dominar outras variantes e não estigmatizá-lo de não saber o português.

Assim, essa pessoa pode – com repertório maior – utilizar as variedades linguísticas conforme pedem os contextos e as situações; e não para aprender a falar melhor porque ele não sabe o português. Todo mundo fala a sua língua, em sua variedade e comunidade de fala. E isso faz parte da sua identidade.  Fora disso, é preconceito que gera discriminação.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Era uma vez... a unanimidade

A unanimidade do juiz Sérgio Moro, na mídia tradicional, sofreu mais um safanão. Neste final de semana, editorial da Veja diz: "Toda autoridade precisa ser vigiada, contida nos excessos, precisa saber ouvir críticas, servir a quem lhe paga o salário." No último dia 11, foi Rogério Cezar de Cerqueira Leite, membro do Conselho Editorial da Folha de S.Paulo, que defenestrou o método do juiz paranaense.

Estaria a mídia tradicional em um surto de defesa do estado democrático de direito, depois de incentivar sua agressão ao publicar informações vazadas ilegalmente, não questionar condução coercitiva irregular e prisão para forçar delação premiada, pelos agentes da Lava jato? 

Revista e jornal teriam aderido às críticas aos excessos do Ministério Público (MP) e do Judiciário? Moro teria cumprido seu papel com a derrubada de Dilma e o encolhimento do PT? A Lava Jato pode atrapalhar os planos de Temer no massacre ao estado de bem estar social? Essaporra da Lava Jato, conforme o senador Romero Jucá, está cada vez mais perto de ser estancada?

Veja reclama do poder demais de setores do MP e do Judiciário. Não esqueçamos que foi a mídia tradicional que fez coberturas espetaculosas para cada operação da Lava Jato, tendo provas, apenas indícios ou sem provas e muita convicção. 

A própria Veja deu várias capas para Moro, enaltecendo seu combate à corrupção (do PT). Em imagem retocada digitalmente, Moro surge - na Retrospectiva de 2015, com cara de super-herói. Não é à toa que o juiz de primeira instância pode muito, afinal "ele salvou o ano".



Moro já defendeu o uso de provas ilícitas desde que conseguidas de boa fé, seja lá o que boa fé signifique. É neste clima - de que a Lava Jato pode muito, talvez tudo - que Moro recebeu, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, aval para não seguir os ritos legais dos processos comuns. 

Intocáveis

Em outro exemplo de como a mídia tradicional confecciona heróis e messias, o jornal Folha de São Paulo, em abril de 2015, chamou os procuradores da Lava Jato de "Os Intocáveis". Intocável não pode ser tocado e estaria acima da legislação? 


Procuradores e juízes acreditaram que são intocáveis e a agressão às garantias e liberdades individuais também são promovidas por quem deveria protegê-las. Quem foi mesmo que deu poder demais a esses setores, agora criticados?

sábado, 15 de outubro de 2016

Inquietudes (341) do Rei

Então... você discorda da ocupação das escolas públicas, ataca as entidades que defendem os professores e é contra greve da categoria. Depois, vem parabenizar os professores pelo dia 15 de outubro. Tome seu parabéns de volta porque ele é falso! Há!

Parabéns, prófi!

Charge: Jorge Braga.

Parabéns, prófi, por ser professor de todas as profissões do mercado, mas não ser valorizado pelo próprio mercado.

Parabéns, prófi, por ser professor para transformar a realidade e enfrentar muitos que não querem que a realidade seja transformada.

Parabéns, prófi, por ser professor de crianças e adolescentes cujos pais querem que os filhos aprendam, mas reclamam que os filhos aprendem o que não querem que aprendam.

Parabéns, prófi, por ser professor e ser parabenizado, no Dia do Professor, por quem é contra a greve da qual você participa por melhores condições salariais e de trabalho.

Parabéns, prófi, por ser professor em tempos de “Escola sem Partido”, cujos partidários perseguem aqueles a quem acusam de ter partido.

Parabéns, prófi, por ser professor em um país que valoriza o professor somente no Dia do Professor.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Duas notas sobre a PEC 241

Apartidarismo
Então... você - apartidário e apolítico - se vestiu de amarelo-CBF para exigir mais saúde e educação e apoiou o impeachment de Dilma. Ela precisava sair porque muitos brasileiros morriam nos hospitais públicos por falta de atendimento; crianças estavam fora das escolas. Agora, Temer congelou os gastos públicos por 20 anos (isso não inclui os juros para o sistema financeiro). O Brasil terá menos recursos para saúde, educação e mais mortes. Parabéns pelo seu apartidarismo.

Populismo
Congelar gastos federais, para muitos, é evitar o "populismo" com dinheiro público em programas sociais. Reparou que quem defende a PEC 241, portanto Temer, tende a ser contra programas como Bolsa Família; Minha Casa, Minha Vida; Fies; Prouni; Cotas Públicas e outros? A mesma reação contra esses programas não é registrada quando Temer mantém os juros para o sistema financeiro e nem pensa (como Dilma não fez) em taxar grandes fortunas, heranças ou cobrar imposto de renda progressivo dos mais ricos. Governo que investe em povo é populista e governo que investe em ricos, mantendo seus privilégios, é o que?

domingo, 9 de outubro de 2016

Política da pobreza


Reportagem do jornal O Globo, deste domingo, profetiza que até 2025 o número de pobres no Brasil vai aumentar em um milhão de famílias.  A crise brasileira, que é fruto internacional, atingiu o país anos atrás e foi agravada em 2015, pelo governo da presidenta Dilma com um ajuste fiscal desastroso, mas não foi só isso.

Nesta conta, deve ser debitado o impeachment de Dilma, cujo processo parou o país. Todos sabem – podem não admitir – que essa é uma responsabilidade do senador tucano Aécio Neves que perdeu as eleições de 2014 e não aceitou o resultado das urnas. O tucanato apostou na aventura que, agora, cobra seu preço. 

Eduardo Cunha foi patrocinado pela oposição para chegar à presidência da Câmara tocar o processo de afastamento da presidenta eleita. Setores da elite, como o mercado financeiro, apoiaram moral e financeiramente o impeachment. Para destruir Dilma, Lula e o PT, vale destruir o Brasil, mas não para todos.

Indigentemente, a reportagem de o Globo diz que a pobreza vai aumentar, mesmo com a retomada do crescimento. Se há retomada de crescimento por que haverá aumento de famílias pobres? Simples. O crescimento vai excluir a maioria para perpetuar os privilégios da minoria de sempre.

Muita gente – inocente ou tonta – acreditou que o problema era Dilma e o PT e que com o afastamento dela, tudo seria resolvido.  As medidas de Michel Temer mostram e provam que seu governo é voltado para quem o ajudou a sentar na cadeira da presidência, depois de conspirar e trair Dilma.

O que esperar de um governo que entrega o pré-sal às empresas estrangeiras, ao mesmo tempo em que quer limitar gastos com educação e saúde? O que esperar de um governo que quer 65 anos de idade mínima de aposentadoria e 70 anos para benefícios sociais, ao mesmo tempo em que mantém uma política de juros que alimenta os especuladores? 

O que esperar de um governo que quer flexibilizar as leis trabalhistas, extinguindo conquistas importantes, ao mesmo tempo em que recebe de braços abertos o Fundo Monetário Internacional (FMI) para ditar regras de ajuste fiscal e controle de gastos. E você continua achando que político é tudo igual, não é mesmo?

Não espere que a grande imprensa faça esse raciocínio porque seria dar a Temer o merecido destaque no aprofundamento da crise econômica. Lembra-se que ele pediu – ainda na interinidade – um aumento no déficit fiscal de R$ 70 para R$ 170 bilhões e foi atendido pelo Congresso? Dinheiro que usou para distribuir aumentos para o funcionalismo, inclusive, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em vez de pacificar o Brasil, Temer aumentou o abismo social, recrudescendo ainda mais a polarização política.  E os donos da mídia não podem responsabilizar o parceiro que ajudaram a colocar no lugar da Dilma. Por isso, a “culpa” pelos pobres voltarem ao lugar de onde saíram será do modelo econômico implantado por Lula em 2006.

__O problema nos próximos anos, segundo Pitoli*, é que a “fórmula mágica” que permitiu a ascensão dos mais pobres entre 2006 e 2012 — com expansão do consumo das famílias no dobro da velocidade do PIB e ampla criação de vagas para mão de obra menos qualificada em comércio e serviços — não deve se repetir. [*Adriano Pitoli, economista, autor do levantamento e diretor da área de Análise Setorial e Inteligência de Mercado da Tendências.]

A política da pobreza está ligada às prioridades dos políticos de plantão. Opta-se por excluir em vez de incluir. Opta-se por tirar em vez de dar. Opta-se por dividir em vez de somar. Enquanto a maioria paga a conta, a minoria continua com seus privilégios intocados, inclusive, procuradores, juízes e delegados da Polícia Federal que ajudaram a criminalizar a política. 

Afinal, em política todo mundo é igual e ninguém presta, não é mesmo? Enquanto a política da pobreza se expande, a pobreza da política se consolida, inclusive a do eleitor. 

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Inquietudes (339) do Rei

Muitos - incluindo instituições e empresas por interesse meramente publicitário - se vestem de rosa para incentivar o diagnóstico do câncer de mama, mas defendem o estado mínimo. 

São pessoas e organizações que apoiam políticos e partidos que defendem a redução das políticas públicas e ajudam a detonar o Sistema Único de Saúde (SUS), programa no qual muitas mulheres vão tratar a doença. 

O que fazer depois de ajudar a diagnosticar o câncer de mama? Bem, isso é outro problema e não é nosso, não é mesmo?  

Rosa, mas cinzento


Juiz do STF ataca a liberdade de expressão perseguindo seus críticos em redes sociais. 

Juiz gaúcho proíbe imprensa de registrar o voto de Dilma, mas FHC não recebe o mesmo tratamento da Justiça Eleitoral.

Juiz de primeira instância recebe aval do Tribunal Regional Federal para não cumprir a lei quando investiga quem não cumpre a lei.

Juiz que anulou o julgamento do massacre do Carandiru, condenou homem que roubou chocolates.

Para muitos, a escola deve ser partido, mas a população não se incomoda com a partidarização do Judiciário.

O retrocesso às garantias e às liberdades individuais se traveste de legalidade, sendo promovido também por quem deveria fazer cumprir a lei.

E vai piorar.

O Ministério Público - isso mesmo o MP - quer proibir manifestações contra Temer em colégio do Rio de Janeiro. 

Policias militares agridem manifestantes em eventos que defendem pautas da esquerda, mas tiram fotos com manifestantes quando o protesto é da direita

Jornalistas perdem o emprego por terem posições mais progressistas e menos conservadoras, em um setor - a imprensa - em que predomina o pensamento único.

O outro é rosa, mas 2016 continua cinzento.

Crédito da imagem: reprodução Ensinar História.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Após as urnas

Charge: Duke

Um político - que não acredita haver racismo no Brasil - valoriza as políticas de igualdade racial?

Um político - que não acredita haver feminicídio no Brasil - implanta políticas de combate à violência contra a mulher?

Um político - que acredita que a mulher deve ter salário menor que o do - enaltece a igualdade de gênero?

Um político - que acredita que o cidadão tem de vencer por mérito e esforço pessoal - defende medidas de inclusão social e de combate à pobreza?

Um político - que não acredita que o gay é assassinado por se gay - luta contra a homofobia?

Um político - que acredita no livre mercado e na concorrência – admira as políticas públicas?

Um político – que não reconhece nem respeitas as diferenças – promove a equidade?

Continue criminalizando a política e os políticos serão cada vez piores, com as bênçãos do voto, que já teve mais valor.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Inquietudes (338) do Rei

Cairão todos os corruptos, a começar por Dilma. O deputado cassado Eduardo Cunha está livre e sua mulher continua gastando R$ 10 mil em sapatos. O senador tucano Aécio Neves foi citado em mais de cinco delações e nada acontece com ele. Michel Temer mantém vários ministros também delatados. A Lava Jato, cada dia mais parcial e seletiva, mira somente políticos do PT. Quem se vestiu de amarelo-CBF dizia que era contra a corrupção de todos, mas as ruas continuam vazias e silenciosas. Quem não tinha corrupto de estimação mesmo?

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Vai, mas volta

O presidento Michel Temer anunciou, ontem, a reforma do ensino médio (EM) com redução de disciplinas e, hoje, disse que o texto da Medida Provisória estava errado, ou seja, voltou atrás. 

Temer extinguiu o MinC (Ministério da Cultura), depois voltou atrás. 

Temer exonerou o presidente da EBC (Empresa Brasileira de Comunicação), que tem mandato por lei, depois voltou atrás.

Temer anunciou aumento para os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), depois voltou atrás. 

Temer disse que não faria nomeações políticas para estatais, depois voltou atrás. 

Se pressionar direitinho, Temer volta atrás até do impeachment. Há!

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Inquietudes (337) do Rei

Muita gente está lamentando o futuro do Brasil, com a reforma do ensino médio. Entre esses, havia quem berrava "fora, Dilma"; que político é tudo igual; que não há diferença alguma entre os partidos e seus projetos; que não existe mais esquerda nem direita. Tire a sua camiseta amarelo-CBF da gaveta e vá à luta. Não? Ah! tá, você defende o estado mínimo. Então, seu lamento não é tão sincero assim.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Inquietudes (337) do Rei

A desigualdade é perversa demais e se revela até na morte. Alguns mortos valem mais que outros porque a vida de alguns vale mais que a de outros. Se existe consolo, todos cairemos no esquecimento depois da morte. Os "melhores" só levarão mais tempo para serem esquecidos.

Convicção sem prova cabal

O Ministério Público federal (MPF) não tem provas cabais contra Lula, mas o mesmo PMF tem muita convicção de que “Lula era o comandante máximo da organização criminosa”. 

A coletiva-show da semana passada, para denunciar Lula, mostra que o estado democrático de direito respira por aparelhos.

Como pode um operário chegar à Presidência e não ter roubado? 

Como pode um retirante nordestino ter chegado à Presidência e não ter enriquecido ilicitamente? 

Como pode um trabalhador de nove dedos ter chegado à Presidência e não ter desviado recursos públicos? 

Como pode um analfabeto ter chegado à Presidência e não ter beneficiado sua família com esquema de corrupção? 

Lula roubou, enriqueceu ilicitamente, desviou dinheiro público e beneficiou a família com a corrupção. 

O MPF tem a convicção, mas não tem provas cabais.

E daí? 

O jogo segue.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Longe do fim!

Charge: Laerte

A cassação do deputado federal Eduardo Cunha, na madrugada desta terça-feira (dia 13) foi comemorada por muita gente e lamentada por outro tanto, mas seu afastamento está longe de resolver a crise política na qual enfiaram o país. Aliás, se ele abrir a boca, essa crise vai descer mais alguns degraus do poço, que achávamos ter visto o fundo.  No cenário nacional, há várias pontas de um quebra-cabeças que vai aos poucos sendo montado. Alguns fatos para recordar.

1) O ex-todo-poderoso Eduardo Cunha foi alçado à condição de presidente da Câmara pela oposição à Dilma Rousseff e ao PT; contou com apoio de parte da mídia tradicional que escondeu a ficha corrida dele. Nas últimas semanas, vários veículos de comunicação pediram a cabeça de Cunha, concretizada nesta terça-feira.

2) O senador Aécio Neves e outros nomes do alto tucanato apoiaram Eduardo Cunha por revanchismo ao perderem  as eleições de 2014. Interessava muito ao partido tirar Dilma do poder. Tanto que o PSDB apoiou as pautas-bomba de Cunha para desestabilizar a ex-presidenta, o que aprofundou a crise econômica.

3) Eduardo Cunha teve pedido de afastamento endereçado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em dezembro de 2015. O ministro Teori Zavaski somente concedeu a liminar afastando-o vários meses depois, a tempo de Cunha encaminhar o pedido de votação da admissibilidade do impeachment de Dilma. 

4) Eduardo Cunha que ajudou Temer a chegar ao posto máximo da República deve estar se sentido traído pelos antigos aliados: o próprio Temer e mais de duas centenas de deputados federais . Se Cunha resolver falar, o governo Temer vira pó, porque em ruínas está desde o seu começo.

5) Na semana passada, a revista Veja, que atirou semanalmente em Dilma, abriu fogo contra Temer, dando voz ao ex-advogado Geral da União, Fábio Medina Osório, demitido na sexta (dia 9). Osório declarou que o governo tenta abafar a Lava Jato. Representação para se investigar o nome forte do governo Eliseu Padilha, por obstrução da justiça, já foi feita à Procuradoria Geral da República (PGR). Basta ver se o procurador-geral, Rodrigo Janot, terá a mesma disposição que tem contra Dilma e Lula.

6) Temer está envolvido pessoalmente na Lava Jato. Ele foi citado em delação de Sérgio Machado, para quem teria pedido propina direcionada à campanha do PMDB. Mesmo que não possa ser investigado por fatos anteriores à posse, o fato continua sendo um peso para sua imagem pessoal e de seu governo, que ostenta vários nomes entre os acusados de cobrar propina.

7) Na semana passada, o senador Aécio Neves declarou que o PSDB – empenhado na derrubada de Dilma desde que perdeu as eleições de 2014 – não vai tolerar o governo Temer, se este não fizer as reformas e os ajustes fiscais conforme a agenda tucana neoliberal. As críticas ao governo vieram de vários nomes do partido. 

8) As medidas anunciadas pela “equipe econômica dos sonhos” do governo federal - no tempo da interinidade e, agora, na efetividade - não têm repercutido na recuperação da economia. Hoje, o dólar subiu e a Bolsa de Valores de São Paulo desceu. E nada de investidores estrangeiros colocarem dinheiro no país, como foi prometido com a queda de Dilma. Afinal, quem espantava os investimentos era Dilma, não era?

9) A popularidade de Temer continua ladeira abaixo por suas propostas que sacrificam ainda mais o trabalhador. Sua chegada ao poder se consolidou como um golpe na democracia e esta narrativa será difícil de ser revertida. As manifestações contra o governo aumentam e tendem a aumentar ainda mais com a apresentação das medidas que o governo quer implantar, entre elas aumento da jornada de trabalho e limite de 65 anos para aposentadoria. 

10) Paralelamente ao processo de impeachment de Dilma, corre no Tribunal Superior Eleitoral (TSE),  processo que avalia a cassação da chapa Dilma/Temer. O vice solicitou que a prestação de contas da campanha de Dilma separasse as contas do vice. Na semana passada, o TSE determinou que a prestação de contas tem de ser conjunta e feita por Dilma e Temer.

Ao cruzar fatos passados com acontecimentos recentes surgem alguns questionamentos. Qual o interesse da revista Veja e de outros veículos em dinamitar os pilares do governo Temer depois da empreitada para tirar o PT do poder? Por que tanto esforço do PSDB e de outros partidos da oposição tirar Dilma e “eleger” Temer e, agora, seu governo ser abandonado? Um governo Temer fraco e frágil pode ser motivo para tirá-lo do poder, a exemplo do que foi feito com Dilma? Se o TSE cassar a chapa Dilma/Temer ainda em 2016, haverá novas eleições pelo voto direito, mas se for cassada em 2017, haverá uma eleição indireta e o presidente será eleito pelo Congresso Nacional. Quem seria candidato?

Como se vê, a crise política está longe do fim! A pedra e a vidraça somente mudaram de lado. 

Seja o que você quiser, desde que


Você pode ser gay, desde que se comporte - socialmente - como masculino.
Você pode ser lésbica, desde que se comporte - socialmente - como feminina. 
Você pode ser negro, desde que se comporte - socialmente - como branco.
Você pode ser pobre, desde que se comporte - socialmente - como elite.
Você pode ser ateu, desde que se comporte - socialmente -  como cristão.
Você poder ser diferente, desde que se comporte- socialmente - como normal.

Dê-se ao respeito e você será respeitado.
Você poder ser o que você quiser, só não demonstre – socialmente – o que você é.

Crédito da imagem: “La Décalcomanie”, René Magritte – 1966.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Do arremedo a um tucano nativo


Capa da Veja, deste final de semana, sai atirando no Mr Fora Temer, com o ex-titular da Advocacia Geral da União, Fábio Medina Osório. Este caiu hoje e acusa o presidente Mr Fora Temer de querer abafar a Lava Jato. Como não acredito que Veja voltou a fazer jornalismo, muito menos está preocupada em combater a corrupção no país, só há uma opção.

O ministro Gilmar Mendes, indicado por FHC ao Supremo Tribunal Federal (STF), é presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que avalia cassar a chapa Dilma-Temer. Nesta semana, Mendes confirmou que as contas são de Dilma, de Temer e do tesoureiro da campanha. Temer tentou separar a prestação de contas da presidência e da vice para, em caso de cassação da chapa, não ser atingido.

Se o TSE cassa a chapa em 2017, haverá uma eleição indireta realizada pelo Congresso Nacional. Também nesta semana, o senador Aécio Neves reclamou da falta de pulso de Mr Fora Temer e disse que o PSDB não vai avalizar o governo por não fazer o jogo para o qual foi necessário derrubar Dilma: as reformas previdenciária e trabalhista, com um duro ajuste fiscal.

Se a chapa Dilma-Temer é cassada, quem se candidata? Um tucano nativo seria melhor que o arremedo neoliberal e impopular do Mr Fora Temer. Veja esforçou-se demais para ajudar a criar o clima para o impeachment de Dilma. Por que, agora, uma semana após a posse definitiva de Temer, a revista abre fogo contra o seu pupilo? A menos que ela queira um pupilo melhor ainda na cadeira da Presidência da República. E a ajuda que Gilmar Mendes pode dar, neste sentido, é inestimável.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

A presidenta e o atleta paralímpico

Veja como são as coisas. Parte do Brasil não aceita a palavra presidenta, mesmo existindo na Língua Portuguesa há muito tempo. Essa mesma parte nem questiona (e muitos ainda não perceberam) que os atletas paraolímpicos brasileiros viraram atletas paralímpicos e este termo não existe na Língua Portuguesa. A mudança ocorreu por determinação do Comitê Paralímpico Brasileiro para se alinhar à nomenclatura usada em todo o mundo.

Condenam a palavra presidente por raiva à Dilma e ao PT, mas usam a palavra paralímpico sem questionamento algum. Nos dois casos, a atitude linguística está ancorada nas próprias crenças e também nos próprios preconceitos. Presidenta é coisa de gente vermelha, esquerdista. Paralímpico é coisa de gente de status, vem de fora. Ah! se Nelson Rodrigues fosse vivo, perceberia que o complexo de vira-latas continua firme e forte. 

A atitude linguística tem os dois pés fincados na postura política e na ideologia. Isso mesmo! O uso de uma forma (variante linguística) em detrimento de outra revela uma postura política, que pode – ou não – ter relação com a política partidária. Assim, muitos dirão que somente o uso da palavra presidenta revela-se ideológico, o que não vale para paralímpico. 

Ideológico é sempre o outro, certo? Errado. O que muitos não sabem é que a ideologia se materializa na linguagem, seja nas variantes estigmatizadas seja nas de prestígio, este conferido pela classe social de quem fala. Viva o linguista russo Mikhail Bakhtin que teve a sacada conceitual da ideologia materializada na linguagem. Essa materialização ocorre em todas as modalidades, não apenas na linguagem do outro. Isso vale para presidenta e paralímpico.

No entanto, quem não respeita a variante linguística alheia – e desqualifica-a – o faz por achar que a sua é melhor, mais bonita ou mais qualquer coisa. O preconceito revela-se no texto falado e no texto escrito. Isso mostra que a atitude linguística leva o falante a escolher como falar e esse como falar mostra muito de nós mesmos, independentemente de você querer ou não.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Inquietudes (336) do Rei

Juro que - em alguns debates com amigos, parentes, conhecidos e desconhecidos - ainda aperfeiçoarei meu lado Glória Pires.

__Não sou capaz de opinar.


Estratégia de defesa para manter a saúde mental. Há!

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Meia democracia, quase ditadura


A Polícia Militar superfaturava a quantidade de pessoas nos protestos "Fora Dilma". 
A Polícia Militar não estima a quantidade de pessoas nos protestos "Fora Temer". 

A Polícia Militar fazia foto com famílias inteiras nos protestos "Fora Dilma".
A Polícia Militar ataca, com bombas e balas de borracha, famílias inteiras nos protestos "Fora Temer".

A imprensa enaltecia os protestos "Fora Dilma".
A imprensa ameniza os protestos "Fora Temer".

A imprensa tratava como pacíficos protestos "Fora Dilma". 
A imprensa trata como baderna os protestos "Fora Temer".

A sociedade tratou como liberdade de expressão os protestos “Fora Dilma”.
A sociedade trata como arruaça os protestos “Fora Temer”.

A sociedade foi cúmplice dos ataques de Moro ao estado democrático de direito quando envolvia Dilma e Lula.
A sociedade quer respeito ao estado democrático de direito, somente agora.

Um país que trata sua democracia de forma - seletivamente - bipolar não vive uma democracia plena.
Um país que trata sua democracia de forma - seletivamente - bipolar vive uma meia democracia ou uma quase ditadura.

Imagem: Ballerina in a Death's Head by, Salvador Dali.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Notas sobre o impeachment

Charge: Amarildo. Do blog do autor.

Desde 31 de agosto, o Brasil não é o mesmo com a ruptura institucional, provocada pelo afastamento da presidenta Dilma e a ascensão ao poder de um projeto que não disputou as urnas. Nesse pós-impeachment, valem algumas considerações.

1) Uma parcela significativa dos brasileiros, os que apoiaram a derrubada de Dilma, continua a afirmar que a responsabilidade de Temer, no poder, é de quem votou na petista. Argumento simplista. Por que? Temer, como vice, não assume como continuidade do projeto do PT, eleito em 2014. Ele traiu Dilma e levou - para a cama do Planalto - Eduardo Cunha, PSDB, DEM e toda a oposição do Congresso.

2)  Temer vai implantar um programa - Ponte para o Futuro – feito pelo PMDB feito em 2015 para romper com o PT. Essa Ponte não disputou as urnas, não foi legitimado pelo eleitor, pelo voto. Aliás, esse programa, sustentado pelos tucanos, foi derrotado nas últimas quatro eleições. Portanto, Temer presidente, nessas condições, é fruto – não de quem votou em Dilma – mas de quem apoiou o impeachment, inclusive você que se vestiu de amarelo-CBF, gritou nas ruas e, agora, faz cara de paisagem.

3) Na traição de Temer a Dilma, os mesmos culpam a presidenta Dilma pelo casamento com o PMDB. A traição do vice é amenizada ou simplesmente ignorada. Arrisco dizer que aqui se faz presente a questão de gênero. O marido traidor trai a esposa porque é da sua natureza ou porque sua mulher deu-lhe motivos. Ah! mas ela sabia que o PMDB não presta e é oportunista. Sim, é verdade, mas mesmo quem casa com um traste não o faz esperando ser traído. O machismo explica porque Dilma é condenada pela aliança feita com o PMDB, mas livre Temer do peso da sua traição.

4) Os erros de Dilma são muitos, são enormes. Ela fez parceria com o PMDB para garantir governabilidade; não tem tato político; mexeu em esquemas antigos de corrupção quando tirou diretores da Petrobrás e Furnas, sem mobilização para isso; se reelegeu com a esquerda e acenou para a direita com o Levy; propôs um ajuste fiscal desastroso; não fez reformas de base; nomeou Lula ministro fora de hora. E nada disso é motivo para o impeachment e tudo, ao mesmo tempo, é pretexto. 

5) O impeachment de Dilma, sem crime de responsabilidade, abre um precedente sério e torna o Executivo suscetível - ainda mais - à chantagem do Legislativo, claro, desde que a mídia partidarizada infle as ruas atacando uns grupos e escondendo outros. Nenhum presidente, governador ou prefeito terá a garantia de governar. As urnas não têm mais a importância de outrora.

6) Dilma não cavou – sozinha - a própria cova. Essa foi aberta também por a) uma oposição que não aceitou os resultados das urnas, liderada por Aécio Neves; b) pelo fisiologismo do Congresso Nacional, que estancar a sangria da Lava Jato (20 senadores que afastaram Dilma estão delatadas na operação); c) pela seletividade da Lava Jato que inflou as ruas com vazamentos direcionados, prisão para forçar delação premiada; d) pela cumplicidade do STF; pela partidarização da mídia, que mobilizou gente para os protestos contra o governo Dilma; e) pelo mercado que vive de juros e capital especulativo e, por fim, f) por aqueles que foram para as ruas de amarelo-CBF, que diziam que lutavam contra a corrupção de todos e estão quietinhos vendo Cunha salvar o mandato, com a ajuda de Temer. 

7) Muitos que inflaram as ruas contra Dilma e o PT reclamam que a presidenta Dilma “declarou guerra” a Temer e que os movimentos sociais incitam a violência, uma guerra civil. A violência já existia e o que pode acontecer é seu recrudescimento. Quem apóia o impeachment se divertiu quando estádios inteiros mandaram Dilma tomar no cu; não repudiou quando atacaram sedes de partidos da esquerda nem quando pregaram a morte de Lula. Os que agora reclamam, agora, aplaudiram quando ex-ministros do PT foram atacados em livraria, restaurante e até hospital; quando a Lava Jato vazou seletivamente para influenciar a opinião publicada. Quem apóia o afastamento de Dilma não se preocupou com a violência ao estado democrático de direito quando Moro incitou as ruas contra Lula ministro, com vazamento ilegal de áudio para a Globo e realizou operações casando com a agenda política do país. Agora, a “declaração de guerra” de Dilma preocupa. Não! Quem declarou guerra ao Brasil foi Aécio Neves, um mau perdedor, que apostou no quanto pior, melhor. O tucano arrastou a oposição nessa empreitada que foi patrocinada pelo mercado (carimbo da Fiesp) e pela mídia tradicional. Quem incendiou o Brasil não pode reclamar do fogo que ajudou a acender. 

8) Lembra-se dos movimentos apolíticos e apartidários que fizeram o gigante acordar? Então, muitas lideranças do Movimento Brasil Livre e Vem pra Rua são candidatos às eleições municipais deste ano. Eles têm todo o direito de concorrer, mas fica a lição de que não existe movimento político apolítico e muito menos gente apartidária que toma partido. Acreditou no apartidarismo e nos seres apolíticos quem gostar de dizer que a política não presta. A política não é ruim nem nefasta. Ruim e nefasta é a política feita nas sombras, sem transparência.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Inquietudes (335) do Rei

Uma das principais propostas de Temer, para temer, é congelar os gastos federais para os próximos 20 anos (saúde, educação, assistência social, cultura, entre outras áreas). O congelamento dos gastos, se passar no Congresso, só não valerá para pagamento de juros que mantém o mercado, seus rentistas e o capital especulativo. Reparou que investimento em povo é gasto e quem investe em povo é populista, mas quem investe no mercado não é elitista, é austero?

Aí, a violência

Aí... meu conhecido se diz estarrecido com a "incitação à violência" feita por políticos que defendiam a permanência da presidenta Dilma no cargo.

__Fico muito triste com muita gente, que está fazendo apologia à violência, dizendo que o Brasil vai viver um guerra civil.

Eu tive de responder, com textão e tudo.

__Então quer dizer que movimentos sociais e políticos estão incentivando a violência! Acho que está mais para alerta que incitação porque a violência se revela de várias formas e faz tempo. Na Paulista, nesta semana, a PM de Alckmin desceu o porrete em manifestantes contra Temer. Onde você estava mesmo para condenar isso? Quem apoia o afastamento de Dilma - sem crime de responsabilidade - se divertiu quando estádio inteiro a mandou tomar no cu; não repudiou quando atacaram a sede de partidos da esquerda, quando pregaram a morte de Lula; quando a Lava Jato vazou seletivamente para influenciar a opinião publicada. Quem apoia o afastamento de Dilma não se preocupou com a agressão ao estado democrático de direito quando Moro incitou as ruas contra Lula ministro, com vazamento ilegal de áudio para a Globo e realizou operações casando com a agenda política do país. Agora, a violência preocupa. O cinismo não tem mesmo limites!

É que violento é sempre o outro lado, não é mesmo?

Creide-não-vai-com-as-outras!


Creide não deixa o período que passa na escola influenciar a sua educação.


Creide não deixa o período que passa na igreja influenciar a sua fé.

Creide não deixa o período que passa no trabalho influenciar a sua consciência.

Creide não deixa o período que passa em frente à TV influenciar a sua opinião.

Creide não deixa o período eleitoral influenciar a sua convicção política.

Quando crescer quero ser igual à Creide!

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Crédito da imagem: Maria-vai-com-as-outras, de Sylvia Orthof. (Editora Ática, Coleção Lagarta Pintada).

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

O Brasil afunda ainda mais e você nada

Charge: Paixão. Do Jornal Gazeta do Povo.

Você foi para as ruas contra a presidenta Dilma, que não é acusada de receber propina, mas contra Temer, que é acusado de receber propina, nada.

Você foi para as ruas contra a nomeação de Lula ministro, mas contra Eduardo Cunha, que deve salvar seu mandato com a ajuda de Temer, nada.

Você foi para as ruas contra os nomes do governo Dilma na Lava Jato, mas contra os nomes do governo Temer na mesma lava Jato, nada.

Você foi para as ruas por mais saúde, mas contra o desmonte do SUS promovido por Temer, nada.

Você foi para as ruas por mais educação, mas contra o fim dos programas de Combate ao Analfabetismo, Ciências sem Fronteiras – determinado por Temer - nada.

Você foi para as ruas por mais moradia, mas contra a redução do Programa Minha Casa, Minha Vida – determinado por Temer – nada.

Você foi para as ruas por mais direitos, mas contra a idade mínima de 65 ou 70 anos para se aposentar e o ataque à CLT – promovido por Temer – nada.

Você foi para as ruas contra o desemprego e a crise econômica provocada por Dilma, mas contra o ataque de Temer ao aumento real do salário mínimo, nada. 

Você foi para as ruas por mais infraestrutura, mas contra a redução de investimento em aeroportos (de 270 para cerca de 50 – determinado por Temer), nada.

Você foi para as ruas por mais políticas públicas, mas contra a extinção do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, nada.

Você foi para as ruas por mais liberdade de expressão e pelo fim do bolivarianismo no Brasil, mas quando o governo Temer ataca manifestações dos movimentos sociais, nada.

Você foi para as ruas protestar contra os esquerdistas beneficiados pela Lei Rouanet, mas quando descobriu que os verdadeiros beneficiados eram a fundação Roberto Marinho e artistas que apóiam o impeachment de Dilma, nada.

Os movimentos e manifestações são políticos e partidários. Quem se diz apolítico e apartidário sempre tem posição política e toma partido, ou seja, tem um lado definido, inclusive quando nada faz.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Inquietudes (334) do Rei

Só espero que essa merda toda - impeachment sem crime de responsabilidade - seja pedagógica. Quem apoia esse impedimento o faz por ódio à presidenta Dilma e ao PT, por interesses nos esquemas de Temer (vender o país, acabar com direitos do trabalhador) ou por desinformação. Nos dois primeiros casos, não há muito o que fazer. O ódio cega e os interesses inconfessos agem na sombra. Espero que o último grupo seja maior e aprenda com a própria dor.

Funcionamento pela metade

Charge: Jarbas. Do site do autor.

Os senadores que defendem o afastamento de Dilma insistem de que o rito processual foi definido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e, que - por isso - trata-se de um impedimento constitucional e legítimo.

A maioria deles enche a boca para dizer que as instituições estão funcionando normalmente. Isso é parte da verdade porque...

O STF funciona, mas a justiça não pode agir seletivamente como na Lava Jato.

O Ministério Público funciona, mas não pode defender o uso de prova ilícita, conseguida em boa-fé. O que é boa-fé se até delator assumido diz que não agiu de má-fé?

O Congresso Nacional funciona, mas boicotou Dilma e seu governo e aprova o que Temer, o ilegítimo, quer e a sociedade não deseja.

A imprensa funciona, mas não pode agir partidariamente contra a esquerda e a favor da direita.

O mercado financeiro funciona a base de juros extorsivos e investimento especulativo.

Quando as instituições funcionam de forma seletiva, perdem os que mais precisam do estado.

Uma justiça parcial é igual ou pior que a corrupção.

Um Ministério Público que defende prova ilícita pode fazer qualquer um de vítima.

Um Congresso Nacional que aprova projetos chantageando não honra o voto que recebeu nas urnas.

Uma imprensa que age como partido político esbofeteia a liberdade de expressão e, portanto, a própria democracia.

Um mercado financeiro extorsivo e especulativo gera concentração de renda e ajuda a promover a desigualdade.

Um país que tem instituições que funcionam seletivamente atende os interesses do 1% de sempre, inclusive, com os aplausos de muita gente que está no meio dos outros 99%.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Inquietudes (333) do Rei

Dilma errou ao fazer aliança com Temer e o PMDB. Dilma errou ao escolher um nome da direita para tocar a economia. Dilma errou ao fazer um ajuste para agradar o mercado, o que aprofundou a crise. Dilma errou ao manter nomes acusados de corrupção no governo. E nada disso é motivo para o impeachment, ao mesmo tempo em que tudo é pretexto.

Seu afastamento é fruto da traição de Temer com o oportunismo chantagista do PMDB, em aliança com Aécio e outros tucanos; com Eduardo Cunha, que apostou nas pautas-bomba; com a oposição enlameada na Lava Jato que quer estancar a sangria; com a cumplicidade do STF; com a partidarização da mídia tradicional e a voracidade do mercado, que se lixa para o país. Adeus, querida. Volte logo, democracia!