sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Inquietudes (299) do Rei

O Brasil vive um aumento do conservadorismo que flerta com o fascismo e a ditadura. A tentativa é para  acabar com a corrupção, mas apenas a corrupção de um grupo é combatida, a do PT e aliados do governo. Enquanto isso, aécios, alckmins e cunhas estão livres e contam, inclusive com a mão amiga da Lava Jato, da Procuradoria Geral da República e de parte da imprensa. Quando os bem-intencionados entre tantos farsantes, nesta guerra política, acordarem para a farsa, poderá ser tarde demais.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Tratamento bizarro



A amante de Lula era da esfera pública.
A amante de FHC era da esfera privada e, para muitos, continua sendo.

A filha de Lula e o pedido de aborto são da esfera pública.
O filho de FHC e o pedido de aborto são da esfera privada.

Os negócios de Lula na Petrobras são da esfera pública.
Os negócios de FHC com a Brasif são da esfera privada.

As palestras de Lula pelo mundo são esfera pública.
As palestras de FHC pelo mundo são da esfera privada.

Os crimes de Lula devem ser investigados
Os crimes de FHC não vêm ao caso.

O tratamento bizarramente desigual a Lula e FHC de vários setores da sociedade brasileira prova a indignação seletiva e o falso moralismo.
Lula é ladrão; FHC é estadista.

O que explica tal comportamento da elite brasileira, reproduzido por parte da classe média e pelos pobres?
Criminalizam Lula por um triplex que ele não comprou e se calam quando FCH admite que deu um apartamento de 200 mil euros, na Espanha, para o filho que foi reconhecido como filho, cujo DNA revelou não ser filo, e que a mãe jura ser filho?

Lula veio do sertão; operário; sindicalista.
FHC veio da aristocracia paulista; sociólogo; escritor.

Na origem do ódio a Lula e do amor por conveniência a FCH (a elite ama por interesse) está a luta de classes.
O mundo não é feito para todos.
Pobres devem continuar onde estão.

O 1% quer não somente dinheiro, mas o poder que ele compra.
Não basta ser rico; tem de ostentar.

A luta de classes continua viva.
De que lado você está?

Crédito da foto: Reprodução (lula_fhc_ricardostuckert). 

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Qual o compromisso dos “justos” com o Brasil?


Um dos agentes da Operação Lava Jato que mais se pronuncia contra o projeto que estabelece acordo de leniência com as empreiteiras investigadas na operação é o procurador Carlos Fernando Lima, que integra a força-tarefa que investiga o esquema de corrupção na Petrobrás. O procurador é um crítico ferrenho do acordo proposto pelo governo, para evitar a quebradeira das empreiteiras investigadas.

Uma coisa é punir os executivos que fizeram parte do esquema de desvio de dinheiro público da Petrobrás. Outra coisa é quebrar a empresa, fechando postos de trabalhos e destruindo o setor de construção pesada. O que querem os funcionários públicos da Lava Jato? Punir os responsáveis ou quebrar o país? É possível punir os corruptos sem quebrar o Brasil?

E aqui entra a pergunta do título deste texto? Qual o compromisso dos “justos” (promotores e juízes) com o país? O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) atribui parte do desemprego às ações da Laja Jato, que ajudou a acentuar a crise econômica que também é global, mesmo que os revoltados on-line atribuam a culpa exclusivamente à presidenta Dilma. 

A paralisação da Odebrechet, por exemplo, ameaça a construção de submarinos. Estratégico para o Brasil, o programa nuclear brasileiro, estratégico para o país, pode ser desmantelado. A Lava Jato investiga um esquema que teria desviado da Petrobrás cerca de 19 bilhões de reais. No entanto, o prejuízo que a operação causou ao PIB brasileiro, pela forma como é desenvolvida, pode passar de 140 bilhões de reais. 

E o que os integrantes da força-tarefa que investiga a Petrobrás têm com isso tudo? Tem tudo a ver, na medida em que as ações de combate à corrupção – nem entrarei na seletividade que investiga e prende apenas gente do PT e aliados do governo – não se preocupam com o macro: empregos e programas estratégicos. 

Arrisco dizer que o viés legalista – puro e simples do cumpra-se a lei! – tem origem também na classe social de promotores e de juízes. Não! Não estou propondo que se descumpra a lei, mas o próprio Ministério Público e o Judiciário são dados a assinar termos de ajustamento de conduta. Isso não é um acordo de leniência? 

Raciocinemos. O filho da classe média alta nunca enfrentou dificuldades financeiras, não precisa trabalhar e só estuda. Ele faz sua faculdade e, depois de formado, dedica-se por anos exclusivamente aos estudos para passar em um concurso público para promotor ou juiz. 

Na ponta da língua, a tal da meritocracia. Ele fez por merecer, não é isso? A cultura da meritocracia adota o princípio da igualdade para tratar os desiguais e, assim, perpetua a desigualdade, mas este é tema para outro texto.

Os ganhos mensais de um promotor ou juiz – pagos pelo contribuinte – somam algumas dezenas de milhares de reais, incluindo o auxílio-isso, o auxílio-aquilo que os mortais celetistas não têm. O concurso público dá-lhe estabilidade, dinheiro e, principalmente, poder. 

É baseado no poder que muitos promotores e juízes agem para fazer cumprir a legislação, de forma legalista, sem considerar os efeitos das suas ações. Por que se preocupar com o emprego do outro, se o seu está garantido? Por que se preocupar com distribuição de renda, se a sua está no topo da pirâmide? Qual o comprometimento de um promotor e de um juiz para o bem estar social coletivo?  

Ser justo no combate à corrupção é fazer cumprir a lei, considerando as consequências de suas ações, sem perder de vista, a responsabilidade e o comprometimento social. A Lava Jato é uma operação necessária, mas o seu custo pode ser maior do que o mal que tenta combater. E quem vai pagar por isso? 

Charge: Aroeira. Fonte: Reprodução.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Excesso ou condescendência?


A turba da internet ficou agitada por conta do casal Aladim e Jasmine. O Aladim é o artista de teatro Fernando Bustamante e Jasmine, sua mulher Cynthia. O casal fantasiou o filho de Abu, o personagem macaco.

Mateus, 2 anos, nasceu de um processo de adoção do casal, que vive em Belo Horizonte. A foto feita no Carnaval de rua na capital mineira correu a internet. O casal foi acusado de racismo.

A foto que viralizou não identificava Fernando nem Cynthia, mas com a repercussão do episódio, ele apareceu e explicou, em sua conta no Facebook, o ocorrido. Ao Jornal Extra, o artista disse:

__O Abu é o melhor amigo do Aladim, o confidente e companheiro dele. O Mateus é isso para mim. A escolha foi por isso e não por ser um macaco. Poderia ser qualquer animal, um pássaro... Não pensamos em outra coisa. A fantasia fazia parte do acervo do nosso trabalho.

Independentemente da intenção e da explicação de Fernando, a repercussão do caso tratou de rotular o casal de preconceituoso, racista, entre outros adjetivos. Houve quem ameaçasse bater no pai do Mateus.

Na outra ponta - sim! a rede é bipolar - houve quem desqualificasse o politicamente correto, isentando os pais e atacando os que enxergaram racismo no caso. Para esses, "o racismo está nos olhos de quem vê", como se uma mera questão de visão. 

Esses episódios são didáticos porque revelam como a própria sociedade brasileira enfrenta o racismo. Enquanto há quem veja racismo em tudo, há quem veja racismo em nada, mas o fato é que o racismo está vivo e causa muito mal.

Os racistas fazem parte da sociedade brasileira e a reação a eles não é homogênea. Um exemplo vem do futebol. O goleiro Aranha parou uma partida, em Porto Alegre, para denunciar o racismo da torcida adversária. Para Pelé, o melhor é não falar sobre o assunto porque “quanto mais se falar, mais vai ter racismo”. 

O casal da foto é racista ou não? Particularmente, analisando o contexto, não o vejo como racistas, mas se muitos se ofenderam com a imagem é porque o racismo está vivo e a imagem fez sentido negativo para esses. 

Rotas corrigidas, o fato é que os excessos no combate ao racismo ainda são melhores que a condescendência com os racistas, a pretexto de uma democracia racial que não existe. 

Foto: Reprodução Jornal Extra.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Inquietudes (297) do Rei

Alguém pode me explicar porquê o esquema de propina na merenda do governo Geraldo Alckmin (PSDB) é chamado, pela imprensa, de esquema de corrupção na merenda e não de Merendão Tucano?