domingo, 6 de março de 2016

Notas sobre os últimos dias

Muito dinheiro
Tem gente ganhando muito dinheiro com o mercado de delações que foram feitas, mas não foram feitas. Pode-se chamar de delação porcina, a que foi sem nunca ter sido; e com o vazamento seletivo de investigações sigilosas. O caos na política enche o bolso dos espertos, enquanto os mortais - aqueles que se acham bem-informados - se pegam no mundo virtual (e agora no real). O rentismo agradece.

Panelas seletivas
A delação porcina de Delcídio, a que foi sem nunca ter sido, e seu vazamento estratégico, na quinta-feira (dia 3), explica muita coisa que ocorreu na sexta-feira (dia 4). Pena que o empenho da PF, do MPF e da justiça em combater a corrupção petista não seja o mesmo em combater a corrupção tucana. A seletividade das instituições, que funcionam com dinheiro público, gera panelas revoltadamente seletivas.

Está ruim, pode piorar
A direita comemorou a "prisão" de Lula e a Lava Jato pode ajudar a eleger, em 2018, Bolsonaro, como as Mãos Limpas elegeu Berlusconi, na Itália. E a tontaiada achava que a operação era para acabar com a corrupção no governo do PT. Até Aécio Neves, citado por três delatores da Lava Jato (e que não foi incomodado por Moro e cia), comemora a ação contra Lula. A seletividade judicial presta desserviço à democracia. Daqui a muitos anos estaremos debatendo a mesmo coisa.

Atropelamento judicial
Algumas vezes, eu disse que a Lava Jato adotava expedientes que afrontavam o estado democrático de direito. Conhecidos com sangue nos olhos me acusaram de defender corrupto. Agora, o ministro do STF Marco Aurélio diz que Moro "atropelou as regras". Quando a sociedade dá aval para juízes serem justiceiros, qualquer um pode ser a vítima, inclusive você que teve orgasmo com a "prisão" do Lula.

E o cidadão comum?
Lula é bandido. Lula é ladrão. Moro, onde estão as provas? Por que Lula não está preso? Condução coercitiva, prisão temporária convertida em preventiva para forçar delações; depoimentos direcionados; depoimentos não gravados; manipulação de provas; prisões direcionadas; vazamentos seletivos; parceria midiático-judicial. O combate à corrupção não pode ser seletivo e - muito menos - passar por cima do estado democrático de direito. Se permitirmos a supressão de garantias e liberdades individuais, duramente conquistadas, o que pode acontecer com o cidadão comum, o anônimo que nem tem acesso à advogado?

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