domingo, 20 de março de 2016

Quem é o gigante?



Ontem, dia 19, participei da festa de formatura de Jornalismo da Turma 2015 da Unopar - a J12. Como um dos professores homenageados e coordenador do curso no período em que eles estiveram na universidade (e eu também; fui desligado no início de fevereiro) fui convidado a falar durante a cerimônia da festa. Minhas palavras aos mais novos jornalistas de Londrina.

Boa noite pais, mães, parentes e amigos.
Boa noite jornalistas.


Muitos de vocês, quando ficaram sabendo da aprovação no TCC, usaram palavras para descrever aquele momento: vitória, conquista, realização.

Outra palavra também foi bastante usada: sonho.

Sim, vocês realizaram um sonho. Parabéns!

Vocês têm um diploma de curso superior. E o que vocês farão com isso?

Na missa da formatura, o padre Vandemir, do Santuário de Aparecida aqui em Londrina, disse que a tarefa do jornalismo é muito nobre.

E que esta tarefa é combater os gigantes. E eu pergunto: qual gigante?

Esse gigante é o dinheiro. É o poder econômico.

Esse é o poder que compra políticos; que sonega impostos; que corrompe o funcionalismo público, a justiça; que especula na Bolsa de Valores, no mercado imobiliário, nos bens de consumo em geral.

O poder econômico - quando concentrado - gera desigualdade e, portanto, miséria.

O gigante – o poder econômico – não quer distribuir renda, não quer justiça social e provoca o caos quando seus interesses são contrariados.

A atual cena política e econômica brasileira não é mera coincidência. 


Mas voltemos aos sonhos.

Usem esta conquista para denunciar as injustiças sociais.

Usem esta realização para se indignar contra todo tipo de corrupção.

Usem esta vitória para ficar ao lado dos oprimidos e não dos opressores.

Façam jornalismo e não propaganda política.

Como jornalistas, lutem pelo que é certo e briguem pelo interesse coletivo.

Não deixem que o sonho se transforme em mera sobrevivência financeira no mercado de trabalho.

Assim, o sonho terá valido a pena.

Termino esta fala, citando uma estrofe da música “Solo Le Pido A Dios”, composta pelo argentino Leon Gieco, que - na voz de Mercedes Sosa - me parece uma oração.

Solo le pido a Dios
Que el dolor no me sea indiferente
Que la reseca muerte no me encuentre
Vacia y sola sin haber hecho lo suficiente

Só peço a Deus
Que a dor não me seja indiferente
Que a ressequida morte não me encontre
Vazia e sozinha sem ter feito o suficiente


Obrigado e uma boa noite!

Crédito da Charge. Mike Luckovich. Fonte: Comm 345 (
http://inequality2.comm.ccsu.edu/index.php/2015/09/28/economic-justice-for-all-by-mel/)