sábado, 16 de abril de 2016

Peço seu voto para presidente


O nome dele é Reinaldo César Zanardi e é candidato à Presidente da República, pelo Partido do Conservadorismo Brasileiro, o PCBr.

Ele se prepara para gravar o primeiro programa eleitoral que será exibido nos próximos dias, em cadeia de rádio e televisão.

Alinhado o paletó, arrumada a gravata, ajeitado o cabelo, aparada a barba, suavizados os traços com maquiagem (de homem, por favor), ele está pronto.

__Presidente, gravando em 3, 2, 1. Diz a diretora da produtora.

__Boa noite, brasileiros do meu Brasil!  É com alegria que aceitei o desafio de concorrer à Presidência da República pelo PCBr.

Minha plataforma de governo resgata os princípios da direita, que precisam ser valorizados e implementados pelo bem da nação.

Deixo isso claro no meu primeiro programa eleitoral porque temos de combater a ideologia da esquerda, perigosa para esta nação.

Defendo a liberdade de cada cidadão, o direito à propriedade e a livre iniciativa de mercado, sem intervenção do estado.

Os aparelhos estatais não podem intervir na economia e o mercado livre vai regular todos os setores pelo esforço e mérito de seus empreendedores.

A meritocracia é a base de um sistema capitalista, no qual basta se esforçar para conseguir as suas metas.

Por isso, meu programa de governo defende o fim dos programas sociais, que estimulam a preguiça que impede a produção de riqueza.

A CLT – a Consolidação das Leis Trabalhistas – são um empecilho para o crescimento do país e do Produto Interno Bruto.

Temos de rever a CLT com a revisão de obstáculos como as férias, o 1/3 de férias, o FGTS, a licença-maternidade e tanto auxílio-doença.

Vou cancelar as bolsas de iniciação científica, mestrado e doutorado porque a educação deve ser paga, assim como o acesso aos serviços de saúde.

Sem a intervenção do estado, o mercado tem capacidade para se autorregular e, por isso, no meu governo vou rever as políticas de incentivo às empresas e às indústrias.

O empresário com seu esforço pessoal não precisará mais de doação de terrenos; vou extinguir os projetos de isenção de impostos federais.

Os juros do BNDES – o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – não serão mais subsidiados.

Na pactuação com estados e municípios, retiraremos a isenção e a redução de impostos como ICMS, IPTU e ISS.

A máquina administrativa está pesada e ineficiente demais; gastamos muito e o resultado do funcionalismo público é baixo.

Encaminharei projeto reduzindo para a metade o número de ministérios e proporei o fim da estabilidade no serviço público nas três esferas de governo.

Minha plataforma é de direita. Minha plataforma é a do conservadorismo brasileiro.

Até o próximo programa porque a saída é pela direita!

__Obrigado, presidente ficou ótimo!
A diretora da produtora espera o candidato sair do estúdio, encara o cinegrafista e dispara.
__Com esse programa de governo, nem eu - que sou contratada pela campanha - voto nele.

Será que algum candidato da direita, no Brasil, que defende um programa neoliberal, teria coragem de falar abertamente sobre isso em um programa ou debate eleitoral?

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