terça-feira, 31 de maio de 2016

Outono-inverno


Delação, uns versinhos


De delação em delação, Moro prende - preventivamente - para forçar a falação.
De delação em delação, o STF não se livra da omissão.

De delação em delação, corruptos confessos entregam antigos e novos parceiros de ação.
De delação em delação, corruptos confessos querem chegar à salvação.

De delação em delação, o eleitor fica cada vez mais desacreditado em eleição.
De delação em delação, o sistema político brasileiro ainda vai chegar à extinção.

Depois dizem que política não se deve levar à discussão.
Não se pode negar e deixar de cumprir essa missão.

Do contrário, daqui a muitas décadas, ainda estaremos discutindo a corrupção.

Crédito da imagem: Aroeira.

domingo, 29 de maio de 2016

A indiferença e o ódio


Temer, o ilegítimo, acaba com os subsídios para os mais pobres do "Minha Casa Minha Vida". Temer, 
o ilegítimo, tira o aumento real do salário mínimo e de benefícios da Previdência. Temero ilegítimo, limita investimentos em saúde e educação. 

Temero ilegítimo, nomeia ministros investigados e acusados de corrupção. Temero ilegítimo, é envolvido em uma conspiração para derrubar Dilma e travar a Lava Jato. O golpe, segundo o senador Romero Jucá, ministro que caiu por causa do grampo vazado, teve conversas com alguns ministros do STF e a participação da mídia. 

E quem - fantasiado de amarelo CBF - dizia lutar pelo fim da corrupção, por mais saúde, educação, transporte, etc, etc... - continua em silêncio ou ainda culpa Dilma e Lula pelas medidas tomadas pelo ilegítimo. A indiferença e o ódio - decididamente - não fazem bem à democracia.

Crédito da imagem: Latuff.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Inquietudes (318) do Rei

A cultura do estupro. Um dos seus sintomas é transferir a culpa para a vítima do crime. "Se ela estivesse em casa." "Se ela se desse ao respeito." "Se ela não bebesse." "Se ela não usasse roupa provocante." O machismo machuca e mata.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

O silêncio é amarelo


A presidenta Dilma foi afastada por tudo, menos por causa dos argumentos listados no pedido de impeachment. Era pelo combate à corrupção, certo?  Depois que vazaram os grampos de Sérgio Machado, em conversa com Romero Jucá que disse ser a saída de Dilma a alternativa para estancar a sangria da Lava Jato, os amarelos CBF que combatiam a corrupção estão em silêncio.

O Governo Dilma era corrupto porque tinha ministros investigados pela Lava Jato e Lula, no grampo vazado, aceitaria ser ministro para ter foro privilegiado. Temer nomeou ministros investigados pela Lava Jato e os amarelos CBF que combatiam a corrupção estão em silêncio.

Lula foi execrado porque disse, no grampo, que o STF estava acovardado diante de um juiz de primeira instância. Romero Jucá disse, no grampo vazado, que conversou com ministros do STF que apoiariam o impeachment de Dilma e os amarelos CBF que combatiam a corrupção estão em silêncio.

Quando Dilma diz que seu afastamento é golpe, é desqualificada e afirmam que isso presta um desserviço ao Brasil em todo mundo. Até a ministra do STF Rosa Weber a intimou para dar explicações. Romero Jucá, no grampo vazado, escancarou o afastamento de Dilma com pressão dos investigados da Lava Jato, de setores da mídia e do judiciário e os amarelos CBF que combatiam a corrupção estão em silêncio.

Lula e Dilma criaram vários mecanismos de acompanhamento, controle e fiscalização do governo (Lei de Acesso à informação, Portal Transparência, estruturação da Controladoria Geral da União (CGU), fortalecimento da PF, escolha do primeiro nome da lista tríplice do Ministério Público Federal (MPF) para a Procuradoria Geral da República (PGR)). Temer extinguiu a CGU e os amarelos CBF que combatiam a corrupção estão em silêncio.

Dilma propôs fazer um ajuste fiscal e cobrar do trabalhador a conta do equilíbrio (revisão das regras de licenças da Previdência e do seguro desemprego). Temer desvinculou o aumento dos benefícios da Previdência pelo salário mínimo; limitou os gastos em educação e saúde e os amarelos CBF que combatiam a corrupção estão em silêncio.

Por suas falas, projetos e acordos, Dilma foi chamada de vaca, sapatão e mandaram-no tomar no cu. Temer traiu a aliança com o PT, na chapa pela qual foi eleito vice-presidente; seu PMDB elaborou o tal “Ponte para o Futuro” atraindo a oposição e agradando o mercado e os amarelos CBF que combatiam a corrupção estão em silêncio.

O projeto de Dilma que previa a discussão de gênero nas escolas foi atacado, desqualificado, xingado. O ministro da Educação, Mendonça Filho, recebe, em audiência, o ator Alexandre Frota, de filmes pornô incluindo produções gays, para fazer propostas para o ensino no Brasil e os amarelos CBF que combatiam a corrupção estão em silêncio.

Os amarelos CBF que combatiam a corrupção se dividem em três segmentos. Os que estão em silêncio são inocentes que acreditaram que se tratava de combate à corrupção. A inocência foi acreditar em movimentos como o Brasil Livre (MBL) e no noticiário contaminado de veículos como Globo e Veja. 

Os segundos são os que nutriam – e ainda nutrem – ódio contra Lula, Dilma e o PT. Esses não vão enxergar os fatos e morrerão dizendo que tudo é culpa dos petralhas comunas, que querem venezualizar o Brasil, seja lá o que isso significa. A terceira parcela de amarelo CBF consiste nos mal intencionados. 

Esses últimos apostaram na derrubada de Dilma, usando a inocência e o ódio dos outros dois, para tomar o poder. São os corruptos que apontam para a corrupção do outro; são os sem votos que não venceram nas urnas, nas últimas quatro eleições presidenciais; são os que querem tirar direitos trabalhistas e previdenciários do outro para aumentar seus ganhos; são aqueles que ganham dinheiro especulando sobre do país. 

Dilma, golpe, Temer. Ponte para o futuro. Atalho para o passado. Os amarelos CBF têm muito para falar. O Brasil continua disposto a ouvi-los.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Vamos unir o Brasil


Desde que foi aberta a temporada de caça à presidente agora-afastada Dilma, ouço e leio muita gente dizendo que não é petista nem tucano; que não defende partido algum; que seu partido é o país e sua bandeira é verde e amarela.

Sim! Vamos unir o Brasil. Vamos apontar o que está errado e lutar por mudanças. Vamos criticar e dar soluções. Vamos fazer deste um país melhor.

Então, para entender melhor a proposta...

Qual país, você defende? Aquele que combate a corrupção ou aquele que defende um combate seletivo aos corruptos?

Qual país, você defende? Aquele que tem um judiciário justo ou aquele que tem uma justiça omissa e parcial?

Qual país, você defende? Aquele que quer o Sistema Único de Saúde (SUS) universal ou aquele que quer restringir acesso à saúde pública?

Qual país, você defende? Aquele que garante acesso do pobre e do negro na universidade ou aquele que quer privatizar a educação?

Qual país, você defende? Aquele que fortalece as políticas públicas para a cultura, a mulher, a igualdade racial e os direitos humanos ou aquele que extingue as políticas públicas para a cultura, a mulher, a igualdade racial e os direitos humanos?

Qual país, você defende? Aquele que fortalece os mecanismos de controle, investigação e transparência ou aquele que extingue órgãos de controle, investigação e transparência?

Qual país, você defende?  Aquele que controla setores estratégicos da economia nacional ou aquele que quer privatizar setores estratégicos da economia nacional?

Qual país, você defende? Aquele que fortalece o trabalhador ou aquele que quer flexibilizar e até extinguir direitos trabalhistas?

Qual país, você defende? Aquele que combate o trabalho escravo ou aquele pretende mudar o conceito de trabalho escravo para que se escravize dentro da lei?

Qual país, você defende? Aquele que cumpre a Constituição para amparar quem precisa mais ou aquele que planeja austeridade fiscal e corta de quem precisa mais?

Qual país, você defende? Aquele que combate a concentração de renda a o capital especulativo ou aquele que adota medidas para concentrar e especular ainda mais?

O lado que você escolhe diz muito sobre o Brasil que deve ser construído e, principalmente, sobre você mesmo.

Crédito da imagem: reprodução site Conexão Jornalismo.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Inquietudes (317) do Rei

Muita gente combate o preconceito quando é vítima; para agredir, faz do preconceito uma arma e transforma o outro também em vítima.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Inquietudes (316) do Rei

Parte da sociedade que ajudou na derrubada de um governo legítimo - por Dilma ter um governo corrupto - se calou diante das nomeações dos ministros investigados ou réus em um governo ilegítimo, que não debateu seu plano de governo nas eleições.

"Ponte para o Futuro" foi feito pelo PMDB para romper com o PT, agradar o mercado e atrair a oposição, inflando o impeachment. Esta é a essência. 


A sociedade ao ser permissiva com os nomes corruptos de Temer (não ouvi panelas da classe média nem vi ocupação da Paulista) mostra que não era combate à corrupção, mas tomada de poder. O amarelo CBF inocente deve estar confuso e estranhando. O amarelo CBF má fé, comemorando.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

O dia depois


Então quer dizer que o presidente interino do Brasil, Michel Temer, pede pacificação nacional e o juiz Sérgio Moro, da Lava Jato, quer mais tolerância e menos ódio no país? 

O primeiro conspirou para derrubar a presidente eleita, democraticamente. O segundo, na Lava Jato, tem participação em medidas judiciais questionáveis e apontadas como ilegais, como a condução coercitiva sem intimação anterior; vazamento seletivo contra o governo e aliados em processos sigilosos; realização de operações casadas com a agenda política para inflar eventos contra o governo; prisão preventiva para forçar delação premiada.  

Ambos, em seus papeis, acabaram parceiros da oposição kamikaze do  tucano Aécio Neves que, inconformado com a derrota de 2014, não aceitou o resultado das urnas e partiu para um vale-tudo. O PSDB, o DEM, o PPS apoiaram Eduardo Cardoso na luta contra Dilma e deram salvo-conduto às pautas-bomba, agendadas na Câmara dos Deputados.

Esses fatores, aliados à incapacidade do governo Dilma em dar respostas para crise e ao enfrentamento político, ajudaram a aprofundar a crise econômica e a crise institucional. Não esqueçamos a Lava Jato que mergulhou o estado democrático de direito em medidas judiciais ilegais, gerando insegurança jurídica e, contribuindo, para a judicialização e criminalização da política. O caos não tem um culpado. Tem muitos responsáveis.

Agora, os que ajudaram a por fogo no Brasil, derrubando um governo eleito com 54 milhões de votos, pedem tolerância, paz, amor. Algo do tipo, demos um golpe com o impeachment sem crime de responsabilidade e sem prova de culpa da governante, mas fique tranquilo; vamos mexer em seus direitos enquanto trabalhador, mas tolere; vamos rever investimentos na área social e tirar seus benefícios, mas não tenha ódio. 

A hipocrisia é uma marca, entre tantas, dos golpistas. O governo Temer é ilegítimo porque o tal "Ponte para o Futuro" é um programa de governo que não disputou as urnas, associado por quem perdeu as últimas quatro eleições presidenciais. O programa do PMDB foi feito em 2015 para romper com o PT, atrair a oposição e agradar o mercado. Que Temer não tenha sossego e seu governo seja combatido nos espaços democráticos e dentro da legalidade. Nem mais, nem menos.

Crédito da Imagem: Amarildo. (
https://amarildocharge.wordpress.com)

terça-feira, 10 de maio de 2016

Liberdades violadas


Protesto contra políticos da esquerda, em especial vinculados ao PT e ao governo federal, é democracia e vale xingar no hospital, no restaurante e na livraria.

O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega foi hostilizado quando acompanhava a esposa em um hospital.

O ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha foi hostilizado em um restaurante, enquanto almoçava.

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e o ex-senador Eduardo Suplicy foram hostilizados em uma livraria.

Primeiro, o ator e militante pelo PT José de Abreu foi chamado de safado e sua mulher, de vagabunda, por um casal em um restaurante. Segundo, devolveu os insultos com uma cuspida.

Essas agressões foram registradas em um hospital e restaurantes de São Paulo. Seria coincidência? Obra do acaso?


Se manifestação contra gente da esquerda é ato democrático, protesto contra políticos da direita conservadora é perturbação da ordem e rende detenção. 

Isso mesmo, hoje, um grupo de 73 feministas da Bahia, que ia de Salvador para Brasília, participar - olha o acaso novamente - da IV Conferência Nacional de Políticas Para Mulheres, foi preso pela Polícia Federal.

O grupo protestou no avião contra a deputada federal Tia Eron (PRB) e o deputado federal Jutahy Magalhães, do PSDB,  que foram chamados de golpistas. 

Ambos votaram pela admissibilidade do impeachment de Dilma, no dia 17 de abril. Tia Eron disse que era “a voz da mulher negra e da mulher nordestina" quando votou pelo SIM.

No entanto, quando a voz real da mulher negra e nordestina discorda dela, o caso acaba na polícia.


Parabéns para você, que aplaudiu a violação do estado democrático de direito em nome do combate à corrupção, que se revelou seletivo e direcionado.

As garantias e as liberdades individuais correm risco no Brasil. Quem sabe você seja o próximo beneficiado!

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Inquietudes (315) do Rei

O caos institucional no Brasil não é gratuito. Foi fomentado pela corrupção no governo; pela oposição que não aceitou os resultados das urnas de 2014; pela seletividade da Lava Jato; pela omissão do Supremo Tribunal Federal (STF) e pela partidarização midiática que inflou as ruas. Por que reclamamos sempre das consequências sem nos atentarmos para as causas?

Inquietudes (314) do Rei

O presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão, anulou hoje (dia 9), pela manhã, a sessão espetaculosa do dia 17 de abril, que aprovou a admissibilidade do impeachment de Dilma.

Seria um golpe no golpe?

 
__Vai ter golpe! 
__Não vai ter golpe! 
__Vai ter golpe!
__Não vai ter golpe!
__Vai ter golpe! 
__Não vai ter golpe! 
__Vai ter golpe! 
__Não vai ter golpe!
Assim, não há coxinha ou mortadela que resita! Há!

sábado, 7 de maio de 2016

Indignação de ocasião


Circula pela internet mais uma indignação de ocasião. O benefício ao "saídão" de Suzane Richthofen, por conta do Dia das Mães.
A indignação contra a saída de Suzane se dá pelo fato de ela ter sido condenada por matar o pai e a mãe. 
A ironia estaria exatamente no fato de ela ser beneficiada com a saída da prisão no Dia das Mães.

Proliferam nas redes comentários atacando a medida.
"Palhaçada." "Revoltante." "Para que serve a justiça?" "Nossa justiça é ridícula." "Uma vergonha a ética e a moral da justiça", entre tantos outros, inclusive, impublicáveis. 
Isso mostra, além de a turba on-line confundir justiça com linchamento, que uma vez condenado, o condenado - mesmo tendo cumprido sua pena - estará condenado para o resto da vida.

Não custa lembrar que essas saídas estão regulamentadas na Lei de Execução Penal (Lei n° 7.210/84). 
"Geralmente ocorrem em datas comemorativas específicas, tais como Natal, Páscoa e Dia das Mães, para confraternização e visita aos familiares."
Cabe ao juiz da Vara de Execuções Penais editar o benefício ao presidiário que cumpre a pena, liberando a sua saída na data específica.

A legislação está errada? Mudemos a lei. Mais uma vez atacamos as consequências em vez de discutir as causas.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Sobre justiça

Condenar um acusado sem provas é violar o estado democrático de direito. 

Quando a sociedade avaliza a violação ao estado democrático de direito, qualquer um pode ser a vítima. 

Preferencialmente, a vítima do estado democrático de direito violado é sempre a parte mais fraca. 

Os violadores do estado democrático de direito andam de mãos dadas com os plutocratas de sempre que protegem a elite de sempre. 

Um judiciário parcial é tão danoso ou pior que a corrupção.

Um juiz não pode ceder às pressões de grupos econômicos, políticos, da mídia e da opinião publicada.

Combinar operações da PF e da Justiça com agenda política é partidarização do processo judicial.

A politização do MPF, juntamente com a seletividade do judiciário, revela uma democracia brasileira extremamente frágil.

A justiça tardia é tão danosa quanto a não-justiça e a injustiça.