sábado, 7 de maio de 2016

Indignação de ocasião


Circula pela internet mais uma indignação de ocasião. O benefício ao "saídão" de Suzane Richthofen, por conta do Dia das Mães.
A indignação contra a saída de Suzane se dá pelo fato de ela ter sido condenada por matar o pai e a mãe. 
A ironia estaria exatamente no fato de ela ser beneficiada com a saída da prisão no Dia das Mães.

Proliferam nas redes comentários atacando a medida.
"Palhaçada." "Revoltante." "Para que serve a justiça?" "Nossa justiça é ridícula." "Uma vergonha a ética e a moral da justiça", entre tantos outros, inclusive, impublicáveis. 
Isso mostra, além de a turba on-line confundir justiça com linchamento, que uma vez condenado, o condenado - mesmo tendo cumprido sua pena - estará condenado para o resto da vida.

Não custa lembrar que essas saídas estão regulamentadas na Lei de Execução Penal (Lei n° 7.210/84). 
"Geralmente ocorrem em datas comemorativas específicas, tais como Natal, Páscoa e Dia das Mães, para confraternização e visita aos familiares."
Cabe ao juiz da Vara de Execuções Penais editar o benefício ao presidiário que cumpre a pena, liberando a sua saída na data específica.

A legislação está errada? Mudemos a lei. Mais uma vez atacamos as consequências em vez de discutir as causas.

2 comentários:

silvio fontana disse...

O grande problema da parte mais, digamos, "pensante" da nossa sociedade é esse mesmo: a falta de entendimento, a incapacidade de perdoar.
Repare como se atiram pedras com muita facilidade. Repare que o "senso comum" é implacável. Repare que a ideia não é recuperar alguém que foi condenado (esse, aliás, é o objetivo do confinamento - a recuperação). Não basta prender, tem que arrasar. Tem que colocar o criminoso, merecidamente encarcerado, em condições subumanas, à injustiça constante dentro do sistema prisional, entregue a toda sorte de abusos, amontoamento dentro de celas, alimentação ruim e falta de higiene. Quanto pior, melhor.
O sistema não tem que recuperar. Tem que castigar, vingar, humilhar, arrasar, espicaçar. Assim o elemento será recuperado (???)
E depois de cumprida a pena, sair de volta ao convívio de quem vai humilhar, estigmatizar e segregar essas pessoas pelo resto do que lhes resta de vida. O castigo não deve cessar jamais.

Reinaldo César Zanardi disse...

Silvio, assino embaixo do seu comentário. O sistema penitenciário não é para recuperar e como vc disse é para humilhar e castigar. Infelizmente. E pensar que isso é defendido pelos pensantes que vc definiu e os cristãos que se dizem de bem.