quinta-feira, 12 de maio de 2016

O dia depois


Então quer dizer que o presidente interino do Brasil, Michel Temer, pede pacificação nacional e o juiz Sérgio Moro, da Lava Jato, quer mais tolerância e menos ódio no país? 

O primeiro conspirou para derrubar a presidente eleita, democraticamente. O segundo, na Lava Jato, tem participação em medidas judiciais questionáveis e apontadas como ilegais, como a condução coercitiva sem intimação anterior; vazamento seletivo contra o governo e aliados em processos sigilosos; realização de operações casadas com a agenda política para inflar eventos contra o governo; prisão preventiva para forçar delação premiada.  

Ambos, em seus papeis, acabaram parceiros da oposição kamikaze do  tucano Aécio Neves que, inconformado com a derrota de 2014, não aceitou o resultado das urnas e partiu para um vale-tudo. O PSDB, o DEM, o PPS apoiaram Eduardo Cardoso na luta contra Dilma e deram salvo-conduto às pautas-bomba, agendadas na Câmara dos Deputados.

Esses fatores, aliados à incapacidade do governo Dilma em dar respostas para crise e ao enfrentamento político, ajudaram a aprofundar a crise econômica e a crise institucional. Não esqueçamos a Lava Jato que mergulhou o estado democrático de direito em medidas judiciais ilegais, gerando insegurança jurídica e, contribuindo, para a judicialização e criminalização da política. O caos não tem um culpado. Tem muitos responsáveis.

Agora, os que ajudaram a por fogo no Brasil, derrubando um governo eleito com 54 milhões de votos, pedem tolerância, paz, amor. Algo do tipo, demos um golpe com o impeachment sem crime de responsabilidade e sem prova de culpa da governante, mas fique tranquilo; vamos mexer em seus direitos enquanto trabalhador, mas tolere; vamos rever investimentos na área social e tirar seus benefícios, mas não tenha ódio. 

A hipocrisia é uma marca, entre tantas, dos golpistas. O governo Temer é ilegítimo porque o tal "Ponte para o Futuro" é um programa de governo que não disputou as urnas, associado por quem perdeu as últimas quatro eleições presidenciais. O programa do PMDB foi feito em 2015 para romper com o PT, atrair a oposição e agradar o mercado. Que Temer não tenha sossego e seu governo seja combatido nos espaços democráticos e dentro da legalidade. Nem mais, nem menos.

Crédito da Imagem: Amarildo. (
https://amarildocharge.wordpress.com)

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