terça-feira, 7 de junho de 2016

Cenário desolador


Juízes do Paraná não gostaram de reportagem do Jornal Gazeta do Povo, que divulgou os valores e os nomes dos supersalários de magistrados do estado que chegaram a ganhar, em dezembro de 2015, a média superior a R$ 100 mil. Salários pagos com o dinheiro público, arrecadado do contribuinte.

Os magistrados estão promovendo ações por danos morais, contra jornalistas e o jornal, por terem os nomes divulgados. A lei de acesso à informação manda lembranças. À Folha de São Paulo, a Gazeta acredita em uma ação coordenada pelos magistrados, que já conseguiram - em primeira instância - a condenação.

Alguém duvida que um juiz ao propor uma ação, que será julgada por outro juiz, não terá êxito em seu intento? O corporativismo não deveria ser considerado um fator de suspeição no julgamento, que pode contaminar o poder decisório?

Para burlar o teto salarial, muitos auxílios incham os vencimentos dos magistrados em dezenas de milhares de reais. E os juízes articulam para isso. Veja o caso do presidente do STF, Ricardo Lewandowski, que - durante a crise de admissibilidade do impeachment - só queria falar de aumento salarial.

Ao entrarem com ações por danos morais, os juízes querem calar a Gazeta do Povo pelo bolso. Espanta muito o judiciário preconizar - para outros - o que não segue. Transparência: zero. Direito à informação: zero. Liberdade de expressão: zero.

Juízes desse tipo, e outros que atendem à censura proposta por delegados da PF,  completam o cenário desolador que o Brasil atravessa. Estamos cada vez mais longe da democracia. Um Judiciário insensível e parcial é igual ou pior que a corrupção política. A corrupção e os supersalários - em um país desigual - drenam os cofres públicos.

Se servir de consolo, ao vir à tona esse tipo de regalia/privilégio (isso não é benefício) fica claro para quem trabalham os plutocratas e a que senhor eles atendem. Uma melhor distribuição de renda no país passa, obrigatoriamente, pela revisão dos super-salários de deputados, senadores, ministros. E também de procuradores, promotores e juízes.

Crédito da imagem: Duke.

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