terça-feira, 5 de julho de 2016

A escola tem partido


Desde que os conservadores perderam a vergonha e saíram do armário, tudo que é ou lembra a esquerda é atacado e desqualificado.

E se não é nem lembra, não tem problema, acusa-se o outro de esquerdopatia e joga-o em uma vala comum.

É neste clima, que o projeto “Escola sem Partido” anda ganhando terreno em estados brasileiros, proibindo professores de debaterem política.

As aulas de história, geografia, filosofia e sociologia reúnem, nesta lógica, o antro máximo da doutrinação que faz a cabeça de jovens inocentes.

A escola é um espaço de debate por excelência e a educação deve apostar, ao máximo, na multiplicidade de ideia e de vozes.

Não há democracia sem pluralidade; não há pluralidade sem debate; não há debate sem liberdade de expressão.

No entanto, assusta - e muito - uma educação que debata livremente a política e o sistema de representatividade; o gênero, o transgênero, a transexualidade e a homofobia; o machismo e a violência contra a mulher; a condição e os direitos do negro e dos índios.

Para quem sempre doutrinou pelo machismo, é inconcebível que se debata o feminismo, a violência contra a mulher e a ideologia de gênero.

Para quem sempre doutrinou como macho, é inconcebível que se debata as orientações sexuais diversas e as práticas homofóbicas.

Para quem sempre doutrinou pela superioridade do branco, é inconcebível que se debata o direito à igualdade racial.

Para quem sempre doutrinou pelos dogmas cristãos, é inconcebível que se debata outras formas de religiosidade ou até a inexistência de deus.

Para quem sempre doutrinou pelas causas capitalistas, é inconcebível que se debata as causas socialistas.

Para quem sempre doutrinou segundo a visão do opressor, é inconcebível dar voz ao oprimido.

O problema não é a doutrinação, mas a doutrinação que o outro pode fazer. A escola é ideológica e tem partido. Qual você defende?

Crédito da charge: Benett/Gazeta do Povo (02/06/2016). 

Um comentário:

Rodrigo Carvalho disse...

Devemos assegurar o direito à livre expressão, ao pensamento crítico e a uma educação que seja para promover o crescimento do aluno como cidadão e não como uma ovelhinha de um rebanho, sendo eternamente conduzida pelos "pastores" ->no sentido de pessoas ignorantes que são manipuladas pelos políticos.Precisamos ensinar , debater , falar disso nas salas de aula sim, ou do contrário, continuaremos a ter um corpo discente analfabeto polpítico.