sexta-feira, 1 de julho de 2016

O machismo e a violência


A ex-modelo e atriz Luiza Brunet acusa o ex-companheiro, o empresário Lírio Parisotto, de uma série de agressões. O resultado da violência deixou inclusive, em um episódio nos EUA, quatro costelas quebradas. 

Quem conta a história é o colunista de "O Globo" Ancelo Gois. O dia era 21 de maio e a atriz acompanhava Parisotto, em Nova York, onde ele receberia – olha que coincidência cruel – o prêmio de "Homem do Ano".

 “No dia seguinte, escondida, ela pegou um voo direto para o Brasil. A queixa foi representada no Ministério Público de São Paulo com o laudo de corpo de delito do IML feito por ela”, afirma o colunista. Luiza Brunet desabafou.

__Eu sempre tive uma família estruturada e sempre fui discreta em minha vida pessoal. É doloroso aos 54 anos ter que me expor dessa maneira. Mas eu criei coragem, perdi o medo e a vergonha por causa da situação que nós, mulheres, vivemos no Brasil. É um desrespeito em relação à gente.

Luiza Brunet, por sua coragem em expor o drama, merece os parabéns. Jogar o problema para debaixo do tapete resolve nada e, ainda, promove a impunidade do agressor.

A atriz lança luzes necessárias na violência contra a mulher, que não é restrita a mulheres pobres ou de famílias desestruturadas. 

O homem violento que espanca as mulheres frequenta o boteco na periferia e frequenta, também, os melhores restaurantes com o chef da moda.

O homem violento que espanca as mulheres anda de carro velho e anda, também, de carro importado do ano.

O homem violento que espanca as mulheres toma pinga e toma, também, whisky.

O homem violento que espanca as mulheres usa camiseta e bermuda e usa, também, terno e gravata de grife.

O homem violento pobre e rico desculpa-se da violência prometendo não agredir, mas sua cultura é da violência.

A agressão à mulher faz parte de uma cultura – a do machismo – que usa a violência para sobrepujar e, com isso, dominar.

O machismo justifica a violência e culpabiliza a própria vítima, afinal “em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”.

O ditado popular revela-se perverso porque, ao lavar as mãos, os adeptos da filosofia subscrevem o mais forte, ou seja, o agressor. 

O machismo violenta e mata e – ao fazer parte de uma cultura – é ensinado e aprendido.  Esse ciclo precisa ser quebrado e essa tarefa é responsabilidade de todos nós. 

Crédito da imagem: Campanha de combate à violência contra a mulher, do Hospital do Trabalhador, de Curitiba, realizada em 2015. 

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