sexta-feira, 19 de agosto de 2016

O juiz e a ética

Reprodução: Folha de São Paulo.

"Não é um comportamento ético e nem olímpico." A afirmação é do juiz federal Sérgio Moro, que criticou o comportamento dos brasileiros durante competições da Rio 2016. A fala do juiz foi feita durante um seminário, sobre ética, em Curitiba.

Ao ler a notícia de um juiz badalado – a Lava Jato é fashion – comentar até vaia em estádio, alguns questionamentos me vieram à cabeça. 

É ético, juiz Moro, prender preventivamente um acusado para forçá-lo a fazer uma delação?

É ético, juiz Moro, divulgar áudios contra a presidenta da República – de forma ilegal – incendiando ainda mais a polarização política no país?

É ético, juiz Moro, divulgar informações da Lava Jato casando-as com a agenda política do país para influenciar a opinião pública? 

É ético, juiz Moro, ser rápido contra acusados do PT/aliados e lerdo com acusados do PSDB e da outrora oposição?

É ético, juiz Moro, defender o uso de provas ilícitas em processos judiciais?

É ético, juiz Moro, receber prêmio do jornal O Globo, cuja organização faz oposição ao governo que você investiga?

É ético, juiz Moro, participar de evento político de pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo? 

É ético, juiz Moro, prender acusado temporariamente sem a manifestação do Ministério Público, conforme determina a lei?

A ética quando se torna seletiva revela o caráter de quem a pratica conforme as conveniências.

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