segunda-feira, 8 de agosto de 2016

O primeiro ouro é preto

Danilo Verpa/NOPP (Reprodução Folha de São Paulo)

A primeira medalha de ouro do Brasil, na Rio 2016, é preta, a cor da judoca Rafaela Silva, que venceu a atleta da Mongólia Sumiya Dorjsuren. Rafaela, em Londres 2012, foi xingada, ofendida, atacada por ter sido desclassificada. Foi chamada de macaca.

Hoje, ela deu a volta por cima e conquistou o lugar mais alto do pódio. Nascida na Cidade de Deus, localidade violenta do Rio de Janeiro, ela mostrou que é possível vencer com esforço pessoal, mas não sozinha. Rafaela foi revelada pelo projeto social Reação, idealizado pelo ex-judoca Flavio Canto.

Na repercussão do ouro de Rafaela, nesta segunda, muitos veículos falam que ela superou o racismo. Não! Ela não superou. Ela enfrentou e terá de enfrentar o racismo brasileiro, desde seu nível mais elementar, disfarçado em piadas ou "brincadeiras" que ofendem e machucam.

Os racistas que a xingaram em Londres quatro anos atrás, e agora comemoram o ouro da judoca, não deixarão de ser o que são: racistas. Afinal, eles sempre voltam a fazer o que sabem fazer de melhor: atacar a honra e a dignidade do outro por causa da cor da pele.

A vitória de Rafaela Silva lembra que o combate ao racismo não pode parar. Que essa medalha ajude a combater os racistas mesmo que esses parem, por instantes, para comemorar o primeiro ouro da Rio 2016, que é preto, igual a cor de milhões de brasileiros.

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