segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Era uma vez... a unanimidade

A unanimidade do juiz Sérgio Moro, na mídia tradicional, sofreu mais um safanão. Neste final de semana, editorial da Veja diz: "Toda autoridade precisa ser vigiada, contida nos excessos, precisa saber ouvir críticas, servir a quem lhe paga o salário." No último dia 11, foi Rogério Cezar de Cerqueira Leite, membro do Conselho Editorial da Folha de S.Paulo, que defenestrou o método do juiz paranaense.

Estaria a mídia tradicional em um surto de defesa do estado democrático de direito, depois de incentivar sua agressão ao publicar informações vazadas ilegalmente, não questionar condução coercitiva irregular e prisão para forçar delação premiada, pelos agentes da Lava jato? 

Revista e jornal teriam aderido às críticas aos excessos do Ministério Público (MP) e do Judiciário? Moro teria cumprido seu papel com a derrubada de Dilma e o encolhimento do PT? A Lava Jato pode atrapalhar os planos de Temer no massacre ao estado de bem estar social? Essaporra da Lava Jato, conforme o senador Romero Jucá, está cada vez mais perto de ser estancada?

Veja reclama do poder demais de setores do MP e do Judiciário. Não esqueçamos que foi a mídia tradicional que fez coberturas espetaculosas para cada operação da Lava Jato, tendo provas, apenas indícios ou sem provas e muita convicção. 

A própria Veja deu várias capas para Moro, enaltecendo seu combate à corrupção (do PT). Em imagem retocada digitalmente, Moro surge - na Retrospectiva de 2015, com cara de super-herói. Não é à toa que o juiz de primeira instância pode muito, afinal "ele salvou o ano".



Moro já defendeu o uso de provas ilícitas desde que conseguidas de boa fé, seja lá o que boa fé signifique. É neste clima - de que a Lava Jato pode muito, talvez tudo - que Moro recebeu, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, aval para não seguir os ritos legais dos processos comuns. 

Intocáveis

Em outro exemplo de como a mídia tradicional confecciona heróis e messias, o jornal Folha de São Paulo, em abril de 2015, chamou os procuradores da Lava Jato de "Os Intocáveis". Intocável não pode ser tocado e estaria acima da legislação? 


Procuradores e juízes acreditaram que são intocáveis e a agressão às garantias e liberdades individuais também são promovidas por quem deveria protegê-las. Quem foi mesmo que deu poder demais a esses setores, agora criticados?

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