domingo, 9 de outubro de 2016

Política da pobreza


Reportagem do jornal O Globo, deste domingo, profetiza que até 2025 o número de pobres no Brasil vai aumentar em um milhão de famílias.  A crise brasileira, que é fruto internacional, atingiu o país anos atrás e foi agravada em 2015, pelo governo da presidenta Dilma com um ajuste fiscal desastroso, mas não foi só isso.

Nesta conta, deve ser debitado o impeachment de Dilma, cujo processo parou o país. Todos sabem – podem não admitir – que essa é uma responsabilidade do senador tucano Aécio Neves que perdeu as eleições de 2014 e não aceitou o resultado das urnas. O tucanato apostou na aventura que, agora, cobra seu preço. 

Eduardo Cunha foi patrocinado pela oposição para chegar à presidência da Câmara tocar o processo de afastamento da presidenta eleita. Setores da elite, como o mercado financeiro, apoiaram moral e financeiramente o impeachment. Para destruir Dilma, Lula e o PT, vale destruir o Brasil, mas não para todos.

Indigentemente, a reportagem de o Globo diz que a pobreza vai aumentar, mesmo com a retomada do crescimento. Se há retomada de crescimento por que haverá aumento de famílias pobres? Simples. O crescimento vai excluir a maioria para perpetuar os privilégios da minoria de sempre.

Muita gente – inocente ou tonta – acreditou que o problema era Dilma e o PT e que com o afastamento dela, tudo seria resolvido.  As medidas de Michel Temer mostram e provam que seu governo é voltado para quem o ajudou a sentar na cadeira da presidência, depois de conspirar e trair Dilma.

O que esperar de um governo que entrega o pré-sal às empresas estrangeiras, ao mesmo tempo em que quer limitar gastos com educação e saúde? O que esperar de um governo que quer 65 anos de idade mínima de aposentadoria e 70 anos para benefícios sociais, ao mesmo tempo em que mantém uma política de juros que alimenta os especuladores? 

O que esperar de um governo que quer flexibilizar as leis trabalhistas, extinguindo conquistas importantes, ao mesmo tempo em que recebe de braços abertos o Fundo Monetário Internacional (FMI) para ditar regras de ajuste fiscal e controle de gastos. E você continua achando que político é tudo igual, não é mesmo?

Não espere que a grande imprensa faça esse raciocínio porque seria dar a Temer o merecido destaque no aprofundamento da crise econômica. Lembra-se que ele pediu – ainda na interinidade – um aumento no déficit fiscal de R$ 70 para R$ 170 bilhões e foi atendido pelo Congresso? Dinheiro que usou para distribuir aumentos para o funcionalismo, inclusive, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em vez de pacificar o Brasil, Temer aumentou o abismo social, recrudescendo ainda mais a polarização política.  E os donos da mídia não podem responsabilizar o parceiro que ajudaram a colocar no lugar da Dilma. Por isso, a “culpa” pelos pobres voltarem ao lugar de onde saíram será do modelo econômico implantado por Lula em 2006.

__O problema nos próximos anos, segundo Pitoli*, é que a “fórmula mágica” que permitiu a ascensão dos mais pobres entre 2006 e 2012 — com expansão do consumo das famílias no dobro da velocidade do PIB e ampla criação de vagas para mão de obra menos qualificada em comércio e serviços — não deve se repetir. [*Adriano Pitoli, economista, autor do levantamento e diretor da área de Análise Setorial e Inteligência de Mercado da Tendências.]

A política da pobreza está ligada às prioridades dos políticos de plantão. Opta-se por excluir em vez de incluir. Opta-se por tirar em vez de dar. Opta-se por dividir em vez de somar. Enquanto a maioria paga a conta, a minoria continua com seus privilégios intocados, inclusive, procuradores, juízes e delegados da Polícia Federal que ajudaram a criminalizar a política. 

Afinal, em política todo mundo é igual e ninguém presta, não é mesmo? Enquanto a política da pobreza se expande, a pobreza da política se consolida, inclusive a do eleitor. 

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