quarta-feira, 22 de novembro de 2017

A manada de sempre

O ilegítimo foi denunciado, formalmente, por corrupção duas vezes e salvo duas vezes pela Câmara dos Deputados e, na condição de presidente, ajuda a estancar a "porra da sangria" (né, Jucá!). 

Parte da PF, do MPF e do judiciário espetaculariza operações potencializando ou escondendo ações conforme interesses políticos (como era doce meu powerpoint!).

O Brasil virou um estado jurídico-policial, em que se acusa primeiro e investiga depois (alô, alô, Lava Jato!). 

A classe média que foi às ruas fantasiada de amarelo-CBF, em chamamento da Globo, não encara o pagamento de propina da Globo em esquemas da CBF (haja coração, Galvão!). 

O "combate" à corrupção - espertamente - foi deixado de lado e a manada, agora, segue destilando ódio contra a diversidade de gênero, aos direitos humanos, à falsa pedofilia das artes e de artistas, em defesa da família tradicional (só pode papai e mamãe!). 

Como se vê, a classe média é mais medíocre do que se imaginava. Há!

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Efeito colateral perverso

Então, quer dizer que o deputado federal Jair Bolsonaro agrediu a jornalista Miriam Leitão, da Rede Globo!


Esse é o deputado federal - réu no STF por incitação ao crime de estupro - impulsionado, inclusive, pela mídia-negócio da qual Miriam Leitão faz parte.

Jair Bolsonaro, machista/misógino, homofóbico e racista não teria o peso que tem se não fosse o vale-tudo contra a esquerda, Lula e Dilma.

Bolsonaro arrasta multidão, também, porque existe mais gente igual a ele do que gostaríamos, mas ele presidenciável é efeito colateral - perverso - da direita que não aceita o resultado das urnas nem tem apreço pela democracia.

domingo, 12 de novembro de 2017

Inquietudes (385) do Rei


Liberdade de expressão que flerta com a incitação à violência não é opinião. É crime. Muitos vão dizer que se trata de figura de linguagem, mas nesses tempos de ódio, censura a artistas, perseguição judicial a adversários, agressão física a quem pensa diferente, pregação para queimar filósofa na fogueira, o que falta para um demente ler as palavras desse colunista da Istoé literalmente? Pior que o ódio de classe, só o ódio da própria classe.

sábado, 11 de novembro de 2017

Não fale em crise...

Charge: Aroeira

"Não fale em crise... trabalhe.” Do (ilegítimo) presidente Michel Temer, em 12 de maio de 2016.

Não fale em crise...? trabalhe, se encontrar um emprego sem direitos e garantais trabalhistas.
Não fale em crise...? trabalhe em postos terceirizados e precarizados até em atividades fins.
Não fale em crise...? trabalhe em postos intermitentes, por hora, sem vale-transporte nem vale-refeição.

Não fale em crise...? o seu deputado federal, que votou para tirar Dilma - sob pretexto de corrupção - salvou Temer duas vezes de denúncia oficial de corrupção.
Não fale em crise...? Lula está negociando com muitos golpistas visando as eleições de 2018.
Não fale em crise...? Temer muda o comando da Polícia Federal para estancar a porra da sangria.

Não fale em crise...? o STF não estava acovardado; é cúmplice mesmo.
Não fale em crise...? a justiça é parcial e seletiva.
Não fale em crise...? parte da justiça usa o lawfare contra seus adversários.
Não fale em crise...? procuradores e juízes têm salários altíssimos que extrapolam o teto constitucional.

Não fale em crise...? o governo Temer vende o que resta do Brasil atendendo a pedidos de estado mínimo. 
Não fale em crise...? o pré-sal que renderia recursos para a educação e a saúde está sendo entregue a multinacionais.
Não fale em crise...? os investimentos sociais estão congelados por 20 anos.

Não fale em crise...? tenha o filho de um estupro porque homens brancos, que não engravidam, estão tentando mudar a lei.
Não fale em crise...? o racismo nas palavras de William Waack é relativizado por jornalistas como Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes e Rachel Sheherazade.
Não fale em crise...? as artes e os artistas querem acabar com a família tradicional brasileira.

O pensamento médio da sociedade brasileira – o da classe média por excelência - é menor do que se imaginava. 

Inquietudes (384) do Rei

"Não fale em crise... trabalhe” (Temer, 12/05/2016), sem direitos nem garantias trabalhistas (11/11/2017).

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Inquietudes (383) do Rei

É didático ver jornalistas como Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes reclamarem da pressão contra o racismo do também jornalista William Waack. Não são jornalistas como os três que incentivaram o ódio contra adversários políticos, especialmente os da esquerda? Quando o ódio sai do armário, qualquer um pode ser a vítima, inclusive os que abriram a sua porta.

REINALDO AZEVEDO: "William Waack, o jornalista mais importante do país, não é racista! Os covardes se assanham". 

AUGUSTO NUNES: "Não é surpreendente que por um punhado de frases sem importância, ele vire alvo de seitas especialmente repulsivas: os politicamente corretos, os fanáticos extremistas, os que odeiam olhar-se no espelho, os perdedores congênitos, os patrulheiros esquerdopatas, os cretinos fundamentais e os idiotas em geral."

Na roça


domingo, 29 de outubro de 2017

Inquietudes (382) do Rei

Fim do Promic - Programa Municipal de Incentivo à Cultura? O que esperar de um prefeito (Marcelo Belinati, de Londrina) que, quando deputado, votou pelo congelamento de investimentos sociais por 20 anos?

Depressão, luz e esperança. Há!

Fico deprimido quando vejo o ilegítimo Temer escapar duas vezes de ser investigado porque comprou o Congresso Nacional. Fico deprimido ao ler e ver a destruição dos direitos trabalhistas, das políticas públicas e da volta do trabalho escravo. Fico deprimido com a volta da miséria e da fome. Fico deprimido em ver a parcialidade e a perseguição do judiciário aos adversários dos plutocratas. Fico deprimido com o ataque, conservadoramente burro, às artes e aos artistas. Fico deprimido com o discurso de ódio cada vez mais crescente. Para combater minha depressão vejo o vídeo abaixo e, de repente, sou tomado por luz e esperança. Há!


sábado, 21 de outubro de 2017

A escola não é neutra nem quando quer ser

Reprodução: Jornal O Globo.

Escola do município catarinense de Lages – ai esse Sul Maravilha que tanto orgulho proporciona aos separatistas - suspendeu uma aluna que criticou decisão da direção da instituição de proibir  o ensino sobre alguns temas. 

Segundo a direção da Univest, em comunicado para alunos e pais, "NA ESCOLA NÃO se aprende sobre:

01 - Sexo
02 - Ideologia de gênero
03 - Ativismo LGBT
04 - Comunismo
05 - Esquerdismo
06 - Religião"

A direção da escola defende que os professores devem ensinar conteúdos formais de disciplinas como Matemática, Português, História, Geografia, entre outras. Por que não aprender sobre os temas censurados?

i) NA ESCOLA NÃO se aprende sobre sexo. Por quê? A escola não se importa com assédio nem com a cultura do estupro?

ii) NA ESCOLA NÃO se aprende sobre ideologia de gênero. Por quê? A escola não é espaço de diversidade e pluralidade?

iii) NA ESCOLA NÃO se aprende sobre ativismo LGBT. Por quê? A escola é adepta do ativismo machista e sexista que leva à violência contra mulheres, gays e outros?

iv) NA ESCOLA NÃO se aprende sobre comunismo. Por quê? A escola reza na cartilha do deus mercado e não estimula a reflexão sobre as diversas doutrinas político-econômicas?

v) NA ESCOLA NÃO se aprende sobre esquerdismo. Por quê? A  escola é filiada ao direitismo e ao conservadorismo?

vi) NA ESCOLA NÃO se aprende sobre religião. Por quê? A escola não quer admitir que existe mais de um Deus e a fé pode ser plural?

Como se vê, a escola não é neutra nem mesmo quando pretende ser. 

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Condição humana

Imagem: Reprodução. 

Então quer dizer que quem defende a liberdade de expressão, também, pode censurar a opinião alheia quando esta não está alinhada aos seus pensamentos?

Então quer dizer que quem acha chato o comportamento politicamente correto acaba, também, sendo politicamente correto quando a performance artística tem um corpo nu masculino?

Então quer dizer que quem defende a liberdade religiosa pode, também, passar a perseguir religiosos que não comungam com a sua fé?

Então quer dizer que religioso que prega o amor de Deus pode, também, fazer discurso de ódio, discriminando, excluindo e segregando?

Então quer dizer que quem empurra a educação dos filhos para a escola pode, também, reclamar e perseguir professores que educam seus filhos em assuntos dos quais lhe desagrada?

Então quer dizer que muita gente contrária ao aborto e favorável à vida pode, também, apoiar pena de morte e defender que bandido bom é bandido morto?

A contradição é uma condição humana, mas somente é um problema quando identificada no outro.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Terror é terror!

Terrorista vem de terror. E o que é terror? Segundo o dicionário Michaellis (online): "1 Qualidade do que é terrível. 2 Perturbação grave, trazida por perigo imediato, real ou não; medo, pavor. 3 O que amedronta ou aterroriza." 

Essas características estão presentes no caso do norte-americano que abriu fogo contra a multidão em Las Vegas, Estados Unidos, nesta segunda-feira (dia 2)? Sim. Portanto, trata-se de um terrorista e não um atirador.

No entanto, o termo terrorista tem outro sentido. Do ponto de vista discursivo,  está associado a quem pratica o terror com objetivos políticos, na relação dominantes/dominados.

A cara do terrorismo, no contexto atual, é a do Oriente Médio, usa turbante e fala em nome de Alá. Durante a Guerra Fria, a cara do terrorismo vinha da Rússia, tomava vodka ou tinha sotaque do leste europeu.

O que aconteceria se o terrorismo assumisse os sentidos descritos no dicionário? Os inimigos do Ocidente seriam pulverizados, descaracterizados. E isso não pode acontecer. Afinal, a guerra também é produzida a partir da linguagem e seus sentidos.

Inquietudes (381) do Rei

Branco, norte-americano - quando abre fogo contra a multidão - não é terrorista. É atirador!

Inquietudes (380) do Rei

Muitos que atacam o pelado do museu são os mesmos que aplaudem o ensino religioso confessional. Isso não é mera coincidência!

Inquietudes (379) do Rei

Nem todo corpo nu incomoda. 
Nem toda criança vulnerável causa empatia.
Por que?
Porque a indignação é de ocasião e o moralismo é seletivo.

sábado, 30 de setembro de 2017

Brasil pelado

O Brasil
-está com investimentos sociais congelados por 20 anos;
-sofre cortes absurdos de programas no orçamento para 2018;
-assiste à entrega do resto do patrimônio brasileiro a multis;
-acompanha a destruição de direitos trabalhistas;
-percebe o sucateamento das universidades públicas;
-sente o enfraquecimento do SUS;
-testemunha o caos institucional entre os poderes;
-observa a justiça seletiva e parcial;
-presencia a compra do Congresso Nacional para Temer se manter no poder;
-verifica o aumento do desemprego;
-constata o crescimento da desigualdade e da miséria,
mas a indignação semanal fica por conta do pelado do museu.
Ah... então tá!
A maioria dos brasileiros está nu faz tempo e ainda não percebeu.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Poder a quem precisa

Obra "Left, Right, Left, Right", de Annette Lemieux.

Em vez de empoderar as mulheres, parte do Brasil continua dando poder aos (e às) machistas e aos misóginos.

Em vez de empoderar os negros, parte do Brasil continua dando poder aos racistas.

Em vez de empoderar os gays, parte do Brasil continua dando poder aos homofóbicos.

Em vez de empoderar as minorias para construir uma sociedade igualitária, parte do Brasil continua dando poder à maioria exclui e segrega.

Em vez de empoderar o trabalhador, parte do Brasil continua dando poder ao patrão que explora.

Em vez de empoderar os indígenas, parte do Brasil continua dando poder aos latifundiários que invadem reservas e massacram comunidades inteiras.

Em vez de empoderar os artistas, parte do Brasil continua dando poder à ignorância, que destila preconceito.

O empoderamento deve ser dado a quem sofre, a quem precisa. 

Afinal, dar mais poder a quem tem poder é deixar a vida ainda mais desigual.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Sobre Deus

Se Deus é amor, por que muitos religiosos promovem o ódio?
Se Deus é compaixão, por que muitos religiosos pregam a segregação?
Se Deus é inclusão, por que muitos religiosos cultuam a exclusão?
Se Deus é tolerância, por que muitos religiosos disseminam a intolerância?
Se Deus é acolhimento, por que muitos religiosos praticam a discriminação?

Muitos argumentarão que o homem e a mulher são humanos e cometem erros, não são perfeitos, são contraditórios.
Isso é verdade, mas não devemos relevar o ódio, a segregação, a exclusão, a intolerância e a discriminação que são disseminadas em nome Dele.
É por isso que não devemos confundir Deus com religião e - muito menos - com atuação religiosa.

domingo, 24 de setembro de 2017

Inquietudes (378) do Rei

Em nota de falecimento, muitos oferecem seus sentimentos, na melhor das intenções. A pessoa que perdeu alguém querido - na dor, no luto - não está aguentando os próprios sentimentos e tem de pegar os dos outros? Ah vá!

sábado, 23 de setembro de 2017

O futuro não está na educação, se...

Charge: Latuff
Discurso que proferi hoje (23/09) como orador da Turma 10, na Solenidade de Formatura do Programa Especial de Formaçãp Pedagógica (Profop), da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) Câmpus Londrina.


Bom dia, autoridades da mesa já nominadas.
Bom dia, colegas das turmas 9 e 10.
Bom dia, a todos e a todas.

É um prazer imenso fazer parte da turma 10 do Profop, conhecer gente comprometida, interessada, crítica, inteligente, divertida e barulhenta. Afinal, muitos sábados foram embalados com aprendizado e gargalhadas.

“O futuro está na educação”. Em tempos de crise, sempre ouvimos esta frase. “O futuro está na educação”. 

Mas de qual educação estamos falando? Educação que serve a quem? Educação para quê? 

O futuro não está na educação, se ela não servir para transformar a realidade dos estudantes e de suas famílias.

Uma educação – geradora apenas de certificado – não gera conhecimento. E sem conhecimento, certificado serve apenas para garantir – quando garante – mão de obra barata. 

O futuro não está na educação. O futuro está na educação de qualidade. Na educação comprometida socialmente. Na educação que gere conhecimento para emancipar o indivíduo e a coletividade.

Nesse contexto, para que serve um curso de formação pedagógica - este no qual estamos nos formando - em tempos de ataque à educação, aos professores e à escola? 

Infelizmente – meus amigos – a escola, os professores, a educação estão sob – incessante e lamentável – ataque.  

Quando o governo Temer reforma o ensino médio, flexibilizando o currículo, revendo a carga horária, alterando o ensino técnico, entre outros itens - sem debater com a sociedade - promove um ataque à educação. 

E quando esse mesmo governo corta investimentos de programas para alunos e professores, reduz recursos de universidades federais, ataca a educação mais uma vez.

Quando o governo Beto Richa usa a PM, solta cães e joga bombas nos professores – para impedir protestos por direitos legítimos da categoria – promove um ataque aos professores. 

E quando a justiça isenta esse mesmo governador do massacre de 29 de abril, promove novo ataque aos professores. 

Quando gente - que se diz bem esclarecida - apoia o projeto Escola sem Partido, promove um ataque à liberdade de expressão e à escola em um dos seus pilares mais sagrados: a capacidade de gerar alunos críticos.

Muitos vão desqualificar este texto afirmando que se trata de um discurso político, partidário. E daí? É mesmo. Este discurso é político porque defender a escola é uma atitude política. 

Este texto e seu autor tomam partido por uma escola pública de qualidade, que deve resistir aos ataques, sejam dos governos, sejam de parte da sociedade.

Mas se a educação sempre sofre ataque, por que fazer um curso de formação pedagógica e ter uma licenciatura em língua portuguesa? Matemática? Física? Química? e áreas profissionalizantes?

A resposta é mais simples do que pensamos. Porque se trata de uma estratégia. Se acreditamos realmente na educação, temos de investir na nossa própria formação para fazer diferença na formação do outro.

Durante o Profop, aprendemos que o currículo não é neutro e que representa a cara do segmento que manda. Essa cara é elitizada e, geralmente, promotora da exclusão.

Vimos que no cotidiano escolar, os problemas sociais não ficam no portão – esperando o sinal – para voltar com os alunos pra casa.

Que o processo de ensino e aprendizagem é dinâmico em uma relação de troca entre professor e aluno. 

Que cada geração aprende de um jeito e a tecnologia – que veio para ficar – interfere cada vez mais nesse processo.

Que a diversidade – raças, cores, deficiências, gêneros, estilos, manias – ocupam os corredores da escola e as salas de aula.
Os alunos nos desafiam o todo tempo. E é este desafio que nos motiva a ensinar e a aprender.

Para finalizar, recorro a um texto que parodiei, ano passado.

Creio na escola libertadora, todo poderosa,
criadora de cidadãos pensantes e críticos
e no professor, um elo forte, nosso provocador 
que foi concebido pelo poder do conhecimento;
nasceu da vontade de aprender e de ensinar.

Padece sob a falta de recursos materiais e de valorização profissional,
é crucificado quando foge do padrão estabelecido
desce à mansão da suspensão da "escola sem partido",
renasce no dia seguinte, voltando à sala de aula,
está sentado ao lado de livros, roteiros de aula, exercícios e provas
de onde vai julgar o ensino e a aprendizagem.

Creio no espírito livre da escola,
na capacidade do estudante,
na comunhão do conhecimento,
na superação da ignorância,
na transformação da realidade
e na vida autônoma.
Amém!

A todas e a todos, meu muito obrigado.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Educar e ensinar andam juntos

Armandinho: autor Alexandre Beck.

Quando se fala em educação sexual e gênero nas escolas, a reação de muitos fundamentalistas é relegar a escola ao papel de ensinar um conteúdo e reivindicar a educação para si e a família. Vale destacar o Dicionário Aurélio, em sua primeira edição nos anos 1970 (p.532). Para o verbete ensino, cabem vários significados.

"1.transmissão de conhecimentos, de informações ou esclarecimentos úteis ou indispensáveis à educação. 4.esforço orientado para a formação ou a modificação da conduta humana; educação: Esqueceu o ensino que os pais lhe deram."

Isso significa afirmar que educar e ensinar andam juntos e, portanto, educar e ensinar são tarefas da família e, também, da escola. Tanto é que muitos teimam em chamar o professor de educador, mesmo que não valorize a carreira docente, nem defenda melhores condições de trabalho e infraestrutura.

Se a família educa é possível a escola interferir na educação de uma criança mal educada? Aqui temos um componente extremamente subjetivo: o que é educar bem? O que é para um pode não ser para o outro. No entanto, a escola não é apenas um espaço de ensino de matemática, português, história, geografia e outras disciplinas. Nunca foi assim! 

Quando se ataca, por exemplo, a proposta de gênero para debate em sala de aula, os fundamentalistas de sempre abordam a introdução dessa ideologia como se a escola fosse neutra até outro dia. A escola sempre foi ideológica e sempre teve partido. O currículo nunca foi neutro. 

A escola, enquanto instituição social, sempre representou o pensamento de sua elite, tida como branca, masculina, heterossexual e rica. Quando a diversidade bateu no portão da escola, quem sempre doutrinou com base neste perfil desesperou-se. Passaram a atacar a escola e sua doutrinação, como se a escola nunca tive sido doutrinadora. E ela sempre foi. 

A partir do início da democratização do acesso à escola a partir dos anos 1980, a escola tornou-se um ponto de encontro de diversidade e ignorar isso não faz bem. Se a criança educada em casa não respeita o diferente, na escola ela também não vai respeitar os diferentes, vai discriminar, excluir, gerar violência.

Isso significa afirmar que o estrago - com a intolerância e o desrespeito à diversidade - a serem promovidos pela família, muitas que enchem a boca para se dizer de bem, é muito maior que o provocado por professores durante o processo de ensino.

Escola e fracasso escolar

Por que no debate sobre indicadores da educação, um viés que se sobressai - quando a escola fracassa - é a atuação do professor?

Indicadores de baixo desempenho do alunado são proporcionais aos investimentos na área. 

Que tal, discutirmos? e analisarmos? - seriamente, entre outros:

i) as condições de ensino-aprendizagem,
ii) infraestrutura da escola,
iii) (des)valorização do professor,
iv)participação da família no processo de aprendizado.


A escola não fracassa sozinha.
Ela é fruto direto da própria sociedade.

Inquietudes (377) do Rei

O problema não é ser conservador. O problema é o conservador ser estúpido. O Movimento Brasil Livre (MBL) acusa a esquerda de ser ditadora, mas apoia medidas ditatoriais como cancelamento de exposição, censura a espetáculo teatral, porque não gosta do tema. Liberdade de expressão boa, para os fascistas, só a deles. Os outros que se calem! 

Inquietudes (376) do Rei

De que tipo de arte se fala, quando a maioria dos críticos de arte das redes sociais, guiados pelo moralismo e potencializados pelo preconceito, quer combinar o quadro famoso com o sofá?

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Da mesma cepa

"Cenas do Interior II", de Adriana Varejão
Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

O moralismo da família tradicional que fechou a exposição “Queermuseu”, em Porto Alegre, é da mesma cepa do moralismo que não se incomoda com pais e mães da família tradicional que mantêm amantes e vidas duplas.

O moralismo que reage à pedofilia em obras da “Queermuseu”, não comprovada por promotor público, é da mesma cepa do moralismo que não se incomoda com trabalho escravo infantil nem com criança fora da escola.

O moralismo que ataca cenas de zoofilia em obra da “Queermuseu” é da mesma cepa do moralismo que se diverte com causos de iniciação sexual com éguas barranqueiras.

O moralismo que se defende de agressões à fé cristã é da mesma cepa do moralismo que chuta imagens de santos e destrói terreiros de mães e pais de santo.

O moralismo que defende o fechamento de uma exposição de arte é da mesma cepa do moralismo que define o que é arte boa e quem deve ter direito à liberdade de expressão.

O moralismo é um bom parceiro quando se trata de ditar o comportamento do outro, mas quando é para regular a própria conduta... veja bem... não é bem assim.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

O voo


Um dia após o outro e no meio...


Reportagem do jornal Folha de S.Paulo, de ontem dia 27, revela que "o advogado Rodrigo Tacla Duran, que trabalhou para a Odebrecht de 2011 a 2016, acusa o advogado trabalhista Carlos Zucolotto Junior, amigo e padrinho de casamento do juiz Sergio Moro, de intermediar negociações paralelas" com a Operação Lava Jato.

Sergio Moro - juiz da mesma Lava Jato que abusou de acusações usando a imprensa para formar opinião contra acusados, em vazamentos seletivos e direcionados - defendeu o amigo e padrinho. 

Ele disse que é "lamentável que a palavra de um acusado foragido da Justiça brasileira seja utilizada para levantar suspeitas infundadas sobre a atuação da Justiça". A Lava Jato não usa a palavra de bandidos para acusar políticos, contribuindo para o caos institucional e a polarização política atual? Ah, mas nesse caso, pode. Ahan!

E mais. Segundo Moro, "a alegação de Rodrigo Tacla Duran de que o sr. Carlos Zucolotto teria prestado alguma espécie de serviço junto à força-tarefa da Lava Jato ou qualquer serviço relacionado à advocacia criminal é falsa."

Esse episódio tem que ser investigado e dado ao advogado Zucolotto Junior - e ao próprio juiz Sergio Moro - a presunção da inocência. Afinal, essa é uma garantia individual - própria do estado democrático de direito - que a Lava Jato costuma passar por cima. Mas um erro não justifica o outro.

Mesmo assim, esse caso não deixa de expor uma ironia desconcertante. Não é Moro que "idolatra" a palavra de bandido em delação premiada quando esses acusam, mesmo sem provas? Isso sem contar que a Operação Lava Jato é acusada de cometer abusos. Por exemplo, reportagem do UOL, de 2016, apresenta documentos que mostram que a operação teve início em grampo ilegal

Moro divulgou ilegalmente - lembra-se? - o grampo da conversa de Dilma e Lula, inflando ainda mais as ruas contra a presidenta. Nada como um dia após o outro e, no meio, acusações sem provas. Quando se estimula o vale-tudo para atacar os adversários, qualquer um pode ser a vítima. Até o amigo do juiz. E o próprio juiz.

sábado, 26 de agosto de 2017

Por que a surpresa?


O comandante Ricardo de Mello Araújo, da Rota/PM/SP, disse, nesta semana, que a PM tem de fazer abordagens diferentes em bairros ricos (que a imprensa teima em chamar de nobres) e na periferia. Isso significa ser um ponei nos Jardins e um cavalo na favela.

A declaração causou espanto, mas diga aí. Qual é mesmo a surpresa se a sociedade brasileira, em maior ou menor escala conforme a classe social, faz exatamente igual? Pobre não costuma ser bem atendido em lugar algum, seja por autoridades, seja por gente comum. Claro que isso não deve ser obstáculo para se combater a discriminação institucionalizada e o comandante deve ser investigado, por pregar tratamento conforme o bolso do cidadão.

Mas voltando ao espanto... experimente ir "mal vestido" a uma loja num shopping, que tem atendente pobre ou de classe média, e veja o que acontece. Use esse mesmo figurino para ir a um restaurante caro. E o tratamento dado a rico e pobre pela justiça? Todos são iguais perante a lei? Compare o trâmite, na prefeitura, do pedido da associação comercial da cidade com o da associação de moradores do fundão de qualquer lugar. Qual é mais rápido? 

As instituições brasileiras, e por consequência o tratamento dispensado ao cidadão, são a cara do brasileiro médio. Nem mais, nem menos.

Racismo e ódio


Ele ameaça queimar jornalista, mas afirma não ser racista.
Ele diz que “matamos seis milhões de judeus da última vez. Onze milhões [de imigrantes] não são nada”.
Ele diz que sua organização não é de ódio, mas cristã.
Em nome de qual Cristo falam os que fazem discurso de ódio e pregam a exclusão e a morte?

Perdão biblionário


Aquele um - delatadamente corrupto - congela e reduz investimentos sociais, destrói programas públicos, precariza o trabalho, detona direitos do trabalhador, retira aumento real do salário mínimo, quer esvaziar a previdência, mas perdoa dívidas bilionárias do empresariado, o mesmo que ajudou a derrubar Dilma. Entendeu porquê o impeachment é golpe e não era pelo combate à corrupção?


Inquietudes (375) do Rei

Um país que destrói suas políticas sociais e seus programas de transferência de renda, com a ajuda da mídia tradicional, precisa de celebridades para arrecadar uns troquinhos e aliviar a própria consciência. Criança Esperança e congêneres? Nem 20 centavos!

Inquietudes (374) do Rei



O que é ter cara de miss: ser loira e branca? 
Miss negra enlouquece os racistas. Sorry!

Inquietudes (373) do Rei

O que esperar de uma sociedade que afirma ser a educação o futuro do país, mas justifica a agressão de um aluno a uma professora por suas opiniões políticas de esquerda? Não, meus caros, o futuro não está na educação se não ficar claro a quem a ela serve. Como dizia Paulo Freire, "quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor".

domingo, 16 de julho de 2017

Mais protestos, por favor!

Não são condenáveis os protestos no casamento da deputada Maria Victória, filha de Ricardo Barros e Cida Borghetti. 

Condenável é o uso da Polícia Militar como segurança privada no casamento. 

Condenável é o uso de um patrimônio histórico para ostentação. 

Condenável é a destruição do SUS promovido pelo pai da noiva, como ministro protetor dos interesses privados na saúde. 

Condenável é a mãe da noiva ser vice de um governador investigado por fraudes no porto de Paranaguá e na Operação Publicano. 

Condenável é a atuação da deputada do camburão no apoio, entre outras, à destruição da educação básica e das universidades estaduais. 

Quem destrói o Paraná e o Brasil não merece ter paz. Mais protestos, por favor!

Todos, mas nem tanto

Todos os políticos corruptos têm de ser punidos, mas Lula solto incomoda mais que Aécio solto.

Todos os governos têm de respeitar a lei, mas as panelas relinchavam contra Dilma e emudecem contra Temer.

Todos são iguais perante a lei, mas contra os adversários não é necessária prova cabal, basta convicção.

Todos os partidos são iguais, mas o PT é o mais corrupto de todos os tempos.

Político não presta, mas os do campo ideológico oposto prestam menos ainda.

O meu partido é o Brasil, mas não me incomodam a destruição da CLT, a demolição da Previdência, a desvastação das políticas sociais.
   
As jornadas de junho de 2013 mostraram que movimento político apolítico e apartidário é tomado e usado por quem faz política partidária da pior espécie.
   
E você continua acreditando que política não se discute?

Alma de patrão

Faz sentido o governo ilegítimo daquele um demolir a CLT. Afinal, o impeachment de Dilma foi para colocar Temer na Presidência para - além de estancar a porra da Lava-Jato - destruir direitos trabalhistas e políticas públicas.

Não é surpresa ver a elite comemorar esse quadro porque é da natureza perversa de quem domina. Agora, ver dominados repetindo o discurso da modernização das leis é de uma tristeza sem fim.

Empregado com alma de patrão continua sendo empregado (ou desempregado), mas sem direitos e qualidade de vida. Quem aplaude o desmonte do estado de bem-estar social pode acabar vítima do próprio aplauso.

O lado do Judiciário

A condenação de Lula por Moro, sem provas cabais conforme o próprio MP, quando da apresentação da denúncia em 2016, na coletiva-show do procurador Deltan Dallagnol. Lembram-se do power point?

A absolvição de Claudia Cruz porque Moro não tinha a convicção de que ela sabia que gastava dinheiro sujo do maridão Eduardo Cunha.

A soltura de Rocha Loures e de Geddel Vieira. 

A devolução do mandato de Aécio Neves, pelo STF (ministro Marco Aurélio).

 Esses fatos mostram que o Judiciário tem lado e está a serviço da plutocracia.

Subemprego

A reforma trabalhista vai gerar mais emprego. Isso é verdade.

Emprego com salários mais baixos; o acordado sobre o legislado vai repor a inflação e dar aumento real?

Aumento da jornada de trabalho para até 12 horas diárias, ou você acredita que a flexibilização vai reduzir a carga horária?

A terceirização "infinita" faz questionar por que contarar se pode terceirizar até atividades fins?

As condições de trabalho vão piorar. Se hoje um funcionário faz trabalho de muitos, com a reforma fará de muitos mais ainda.

A tendência é o desemprego ser substituído pelo subemprego. 

Essa política não foi aprovada nas urnas em 2014. 

O ilegítimo conspirou e traiu. Entendeu, agora, o porquê de ter sido golpe?

Inquietudes (372) do Rei

Segundo o Ministério Público do Trabalho, a reforma trabalhista - patrocinada pelo ilegítimo, após parte do Brasil se fantasiar de amarelo-CBF - é inconstitucional. A constitucionalidade das leis deve ser garantida pelo STF. Vixi! Então... ferrou de vez!

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Ai... as celebridades

"Eco e Narciso", de John William Waterhouse, 1903. 

Quando um chef de cozinha se torna maior que seus pratos, ele deixa de ser chef e vira celebridade.

Quando um professor se torna maior que o ato de ensinar, ele deixa de ser professor e vira celebridade.

Quando um padre e pastor se tornam maior que Deus, eles deixam de ser padre e pastor e viram celebridade.

Quando um jornalista se torna maior que a informação, ele deixa de ser jornalista e vira celebridade.

Quando um advogado se torna maior que a sua causa, ele deixa de ser advogado e vira celebridade.

Quando um juiz se torna maior que o processo, ele deixa de ser juiz e celebridade.

Quando um promotor se torna maior que a acusação que faz, ele deixa de ser promotor e vira celebridade.

Quando um empresário se torna mais que a sua empresa, ele deixa de ser empresário e vira celebridade.

Quando um político se torna maior que a política, ele deixa de ser político e vira celebridade.

E celebridade vive do que mesmo?

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Inquietudes (371) do Rei

Seria divertido não fosse trágico, mas o fim de Aécio, cuja ficha corrida foi escondida por muito tempo, é merecido por causa do fogo que ele ajudou a acender quando não respeitou as urnas em 2014. E o apoio do PSDB ao governo Temer mostra que os tucanos fazem exatamente o que condenavam nos petistas: o poder pelo poder.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Inquietudes (370) do Rei

Charge: Amarildo.

O tal Joesley Friboi Batista corrompeu, corrompeu e corrompeu, mas está livre e leve. No mundo da delação premiada, recurso usado e abusado na Lava Jato, o delator bandido vira herói. Isso mostra também a incompetência/incapacidade dos órgãos de investigação (PF, MP...) em provar a culpa do corruptor. Como não provam, precisam dele para pegar - pelo menos - o corrupto. Assim, o bandido delator ganha um bom acordo, inclusive com dinheiro sujo para gastar de forma limpa. O crime, para o bandido delator, compensa.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

De políticos a cidadãos comuns

Foto: Jose Lucena/Futura Press. Reprodução: Estadão.

A Operação Bullish da Polícia federal (PF), deflagrada hoje em Brasília, entre os diversos atos, conduziu coercitivamente funcionários do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES). Segundo a Agência Brasil, a operação "investiga irregularidades em aportes de R$ 8,1 bilhões da BNDES Participações (BNDESPar) ao grupo JBS".

A Associação de Funcionários do BNDES (AFBNDES) divulgou nota na qual seu presidente, Thiago Mitidieri, condena a condução coercitiva de funcionários da instituição. “O funcionário do BNDES não tem nada a esconder. Todas as informações que foram perguntadas, a gente vai fornecer isso.” A declaração consta na matéria da Agência Brasil. 

Como repercussão contra a condução coercitiva dos funcionários do banco, durante esta sexta-feira, colegas de trabalho do BNDES fizeram manifestação em defesa do corpo funcional da instituição. Veja galeria de fotografias no site da Associação dos Funcionários.

A condução coercitiva é uma medida em que pessoas são levadas pela polícia para depor. O instrumento é uma previsão legal do Código de Processo Penal (CPP), quando a testemunha, vítima, suspeito ou perito se recusa ou não comparece para depor diante de intimações anteriores. Ou seja, conduzir coercitivamente - sem intimação anterior - é ilegal.

A estratégia ficou famosa em outra operação, a Lava Jato, que banalizou o recurso, tendo na condução coercitiva do ex-presidente Lula, em março de 2016, o seu ápice. Parte do Brasil comemorou a decisão do juiz Sérgio Moro, condenada por advogados e juristas. A medida de Moro foi criticada, inclusive, pelo juiz do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello.

A medida de Moro expôs ainda mais a polarização política que vem sendo alimentada no Brasil, nos últimos anos. Nas redes sociais, desafetos desancam a Lava Jato e fãs a entronizam. Coisa típica de uma sociedade que precisa de heróis e vilões. Não devemos confundir justiça com justiçamento.

A condução coercitiva, sem intimação anterior, é uma prática ovacionada orgasticamente contra políticos e empresários acusados de corrupção. Agora, a medida atinge cidadãos comuns. Este é o efeito prático quando a sociedade aplaude a ilegalidade contra seus adversários. Ela própria - a sociedade - também se torna vítima.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Inquietudes (369) do Rei



As capas das revistas "Veja" e "Isto é", desta semana, são reveladoras. Ambas colocam Lula e Moro em um ringue como oponentes.

Para a "Veja", Lula e Moro estão em luta livre; para a "Isto é", ambos são boxeadores tentanto acertar o outro. 

Uma pergunta básica. ?Se Moro fosse imparcial, ele não seria retratado como um juiz a mediar e julgar as acusações do Ministério Público Federal?

Uma conclusão óbvia. Um juiz na condição de adversário pode promover tudo. Menos justiça.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Onde você está?

Charge: Joel Almeida.

Então... quer dizer que quem não trabalha é vagabundo!

Onde você está quando grandes corporações demitem setores inteiros e quem fica faz trabalho de vários?

Onde você está quando trabalhadores são resgatados de condições análogas à escravidão?

Onde você está quando mulheres ganham menos que homens para fazer a mesma coisa?

Onde você está quando empregadores assediam moralmente seus funcionários? 

Onde você está quando o governo envia projeto de lei ao Congresso que destrói a CLT?

Onde você está quando o governo envia projeto de lei ao Congresso que destrói a Previdência?

Onde você está quando governos doam terrenos e isentam de impostos grandes empresas que, mesmo beneficiadas com recursos públicos, demitem?

Mesmo assim, você repete que quem não trabalha é vagabundo.
E isso diz muito mais sobre o seu caráter, do que você gostaria.

domingo, 30 de abril de 2017

Mar é


Seja bem-vindo!


Banditismo

O mercado chantageia, ameaça e quer continuar bebendo do sangue do brasileiro. Em entrevista à Folha de S. Paulo, economista-chefe do Itaú Unibanco afirma que juros vão subir se não houver a reforma da Previdência. Itaú é aquele banco privilegiado com o perdão de uma dívida de mais de 20 bilhões de reais. Quem vai enfrentar o banditismo do mercado financeiro?

Inquietudes (368) do Rei

Ainda leio e ouço gente criticando greve durante o expediente. Isso é discurso de empregador, repetido por trabalhador que se acha patrão. Vamos combinar? que fazer greve no dia da folga é o mesmo que fazer greve de fome entre as refeições ou fazer greve de sexo depois de uma rapidinha.

Notas sobre a Greve Geral

Greve Geral! Nenhum direito a menos.

Luta de classes
Reforma trabalhista e da Previdência. A modernização que a elite prega (discurso repetido pela parte tonta da classe média), nas relações de trabalho, não vai transformar o Brasil na Europa, mas em uma China. E você acreditava que tirar Dilma era combate à corrupção. Há! É a luta de classes e muito empregado prefere ficar do lado do patrão.

Greve é greve
Este recado é para você, trabalhador, e não para empregador (enquanto categoria). Se você acha que greve geral atrapalha o transporte, o atendimento em serviço público e que deveria ser feita fora do horário de expediente, então eu digo: isso não seria greve. E lembre-se de que você não precisa parar manhã. Se você for solidário e apoiar quem parar - para lutar inclusive por direitos que você usufrui - já estará fazendo uma grande coisa.

Midia minimiza
A mídia tradicional inflou os protestos contra Dilma e minimiza a Greve Geral. Que aquele um não tenha paz. Vem pra luta!

Tudo, menos jornalismo
Vi uma reportagem na Band News que é de doer. Em Goiânia, a repórter começa dizendo que o dia - 28 de abrol - foi de caos para quem precisou de transporte. Entrevista só com quem reclamava. O texto destacava ainda que era manifestação de sindicalista, MST. Não houve uma frase sobre o motivo da greve: reformas trabalhistas. Nada sobre os projetos que retiram direitos do trabalhador. NADA. Isso é tudo, menos jornalismo. 

Estatísticas
No UOL, estimativa dos organizadores (centrais e sindicatos) dizia que os protestos reuniram 40 milhões pelo Brasil. Acho que é chute. No entanto, não tendo estatísticas nas matérias significa que o número é grande e a mídia tradicional não vai avalizar o sucesso que foi a greve. Se fosse um número negativo para os movimentos, seria capa. PS. Nem a PM divulga estimativas.

Verdade e mentira

Em tempos de pós-verdade, a verdade e a mentira não interessam. A tal pós-verdade está associada ao debate político. Atribui-se um fato a alguém e foda-se! Não vem ao caso se é verdadeiro ou mentiroso. Basta sustentar, independentemente do método, a afirmação inicial. Quem perde com isso? Todos, mas sempre haverá aquele a viver na ilusão de ter saído vencedor.

Inquietudes (367) do Rei

O procurador Deltan Dallagnol e outros dois membros do MPF divulgaram vídeo nas redes sociais convocando a população para se manifestar contra o projeto de lei que pune abuso de autoridades. Na peça, os três fazem política e confundem mais que esclarecem. Eles não explicam algumas questões como:

- Autoridade que não abusa e cumpre a lei será punida se o projeto for aprovado?
- Autoridades da polícia, do MP e da Justiça que cometem abusos (ilegalidades) não podem ser punidas?
- Autoridades devem ter carta branca para agir e imunidade para não serem punidas?

Quem tem poder demais tem de ter ainda mais responsabilidade.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Mexeu com um, não mexeu com todos!


Mexeu com uma mulher, mexeu com todas!
Não!
Só se mexeu com uma das nossas; com uma das outras, problema delas.

Mexeu com uma criança, mexeu com todas!
Não!
Só se mexeu com uma criança das nossas; com uma criança dos outros, problema deles.

Mexeu com um gay, mexeu com todos!
Não!
Só se mexeu com um gay dos nossos; com um gay dos outros, problema deles.

Mexeu com um idoso, mexeu com todos!
Não!
Só se mexeu com um idoso dos nossos; com um idoso dos outros, problema deles.

Mexeu com um negro, mexeu com todos!
Não!
Só se mexeu com um negro dos nossos; com um negro dos outros, problema deles.

Mexeu com uma pessoa com deficiência, mexeu com todas!
Não!
Só se mexeu com uma pessoa das nossas; com uma pessoa dos outros, problema deles.

O combate seletivo ao preconceito e à discriminação não combate o preconceito nem a discriminação, apenas a parte que se quer.

Afinal, como disse Nicolau Maquiavel "os preconceitos têm raízes mais profundas que os princípios."

Fonte da imagem: 
 https://br.pinterest.com/pin/84935142952515361/

É brincadeira!


Reprodução: Veja São Paulo.


No ódio cultivado nos últimos anos, a polarização política fez emergir o que já estava dividido. Com isso ganhou corpo o discurso machista, sexista, racista e homofóbico. Acentuou-se o preconceito de classe, que sempre existiu.

Esse discurso não é homogêneo e, por isso, há mulheres machistas e sexistas, negros racistas, homossexuais homofóbicos. A vida não é mesmo linear, mas precisa ser tão embaralhada?

A jornalista Rachel Sheherazade passou por uma saia justa, ao vivo, com o patrão Silvio Santos, no último domingo. Ele disse que ela - se quiser dar opinião política - que compre uma estação de TV; que foi contratada para ler notícias.

O empresário ressaltou a beleza da apresentadora e também questionou se o noivo a deixa trabalhar. Ainda persiste a noção da mulher como propriedade do homem que precisa dar permissão para que ela faça algo.

Silvio Santos, com essa postura, resvala no machismo e no assédio moral. No machismo porque ele destaca a sua beleza e não a sua capacidade intelectual. No assédio, porque está em posição hierárquica superior. Ele é o patrão que manda, e ela, a empregada que obedece.

Com a repercussão, a empregada minimizou a grosseria do patrão, a quem defendeu. "Há que haver um mínimo de inteligência para entender nossas brincadeiras!" Ok! Ela tem o direito de achar que foi apenas uma brincadeira.

Que mania! essa militância tem de estrilar com as brincadeiras! Afinal mandar a mulher pilotar um fogão e cuidar da casa, comparar o negão a um tição e rir da sexualidade do viado é só uma brincadeira, não é mesmo? Não! Não é! É machismo, é racismo, é homofobia. Você pode ser conivente ou não com isso.

Sheherazade foi humilhada ao vivo e não se deu conta. Caso tenha se dado, preferiu minimizar o ocorrido e atacar quem a defendeu do machismo sofrido (
Há que haver um mínimo de inteligência...). Ao ficar do lado do patrão, ela torna-se cúmplice do machismo que ele promoveu.

Como se vê, o feminismo ainda tem muito chão para percorrer e precisa mesmo proteger as mulheres, muitas - inclusive - do machismo delas próprias.

terça-feira, 28 de março de 2017

Inquietudes (366) do Rei

Então... você afirma o tempo todo que o futuro do Brasil está na educação. No entanto, você não se importa (e até aplaude) quando o governo reduz carga horária, corta benefícios dos professores, reduz investimento em infraestrutura e precariza as condições de trabalho. Além disso, você xinga a categoria quando ela se mobiliza para reivindicar. Quando há greve, você reclama porque não tem onde deixar os filhos, como se o professor fosse babá. Quando falar, novamente, que o futuro está na educação, não se esqueça de que não existe ensino sem professor valorizado, sala de aula adequada e condições dignas de trabalho.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Inquietudes (365) do Rei

Quando alguém tem poder demais - cedo ou tarde - abusa dele.

Inquietudes (364) do Rei

Gente do céu! Por onde anda Marina Silva? A mulher tinha opinião sobre tudo no governo Dilma. Com o governo Temer, nada. E olha que aquele um está com lama até o pescoço; quer promover a destruição da Previdência e da CLT; operação da PF detona setores da economia; juiz manda confiscar equipamentos de blogueiro. Não falta assunto para a presidenciável. Será que ela pegou uma carona no avião do Teori e ninguém ficou sabendo? Há!

Estamos perdendo a briga

Com a aprovação da terceirização irrestrita, o empregador poderá contratar empresa e não vai precisar pagar 13o salário, férias, FGTS, INSS. Você acredita que ele vai repassar esses valores para o salário de quem contratar ou vai aumentar seus lucros? 

Pobres já vivem a precarização da terceirização em serviços como portaria, recepção e limpeza. Agora é a vez da classe média. Imagine um hospital em que todas as categorias (enfermeiros, auxiliares de enfermagem, fisioterapeutas, técnicos de raio x, psicólogos, assistentes sociais...) sejam terceirizados ou uma escola em que os professores estejam na mesma condição. 

E você pensava que tirar Dilma era para combater a corrupção. No próximo domingo, movimentos que apoiaram a derrubada dela, que não protestarão contra Temer, voltam às ruas para defender, entre tantas causas, as reformas trabalhista e previdenciária. Você trabalhador de classe média vai fazer papel de tonto novamente, fantasiado de amarelo-CBF? Isso se chama luta de classes. E nós trabalhadores estamos perdendo esta briga.

Aí, meu Deus

Aí... a Creide tem uma amiga que está agitada, se preparando para as manifestações do dia 26, aquela que reúne a massa cheirosa.

__Ai meu Deus! Tem protesto no domingo e não estou achando minha camiseta de manifestação amarelo-CBF, nem minha faixa de protesto "Vai pra Cuba". Ai meu Deus! Onde a Maria guarda as panelas. 

A Creide informa a amiga e explica di-da-ti-ca-men-te o que vai acontecer com os trabalhadores com a aprovação da terceirização irrestrita, que atinge em cheio a classe média. Os mais pobres, que são terceirizados, sofrem há tempos com a precarização em serviços como portarias, recepções e limpeza. 

__Você consegue imaginar uma escola ou universidade que terceiriza professores?

__O quê? Aprovaram a terceirização irrestrita que vai ferrar ainda mais a classe média. Vi que Temer e Meirelles querem aumentar impostos. Ai meus Deus! 

A Creide não é tonta e decreta o fim da conversa.

__Volta, querida! 

quarta-feira, 15 de março de 2017

Inquietudes (363) do Rei

No país da verdade alternativa e da justiça seletiva, caixa 2 tucano é limpinho e caixa 2 petista é sujinho. Crime é crime. O que difere é a pena, apenas. O resto é interpretação para blindar o próprio aparelho excretor.