sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Brutal, deplorável e condenável!


Seguranças de uma igreja, em Porto Alegre, aparecem em vídeo, espancando um morador de rua, que estava sentado em frente a escadaria de um supermercado. Veja em reportagem da RBS. O ato é brutal, deplorável e condenável.

Brutal porque são três seguranças espancando a chutes e golpes de cassetetes uma pessoa, mais fraca e vulnerável. Não usem o argumento, para defender os criminosos agressores, de que cumpriam ordens. Podem até cumprir ordens, que fazem com gosto.

Deplorável porque são seguranças de uma igreja da Assembleia de Deus. Quem faz segurança privada de um tempo protege o bem material em detrimento do ser humano? A indústria da fé preocupa-se mais com os ganhos materiais e menos com os espirituais.

Condenável sob quaisquer aspectos. No entanto, este não é um caso isolado e, infelizmente, episódios desse tipo continuarão sendo registrados, graças à insanidade que tomou conta de parte do Brasil. Amarrar bandido em postes, espancar morador de rua e acusados de assalto não são efeito colateral, mas sintoma do caráter dessa parte do Brasil. Justiça com as próprias mãos não é justiça; é vingança rasteira.

Isso fica claro quando se vê gente aplaudindo e justificando assassino machista e misógino que mata 12, incluindo o próprio filho; gente arrotando discurso de violência do tipo bandido bom é bandido morto. Essa gente tem seus modelos que deveriam ser exemplo de civilidade, compaixão e humanidade. 

Afinal essa gente costuma idolatrar regime militar que tortura, mata e esconde o corpo; aplaudir deputado (Jair Bolsonaro) que diz que não estupra a deputada (Maria do Rosário) porque ela não merece; concordar com governador (do Amazonas, José Melo) que diz que entre 56 presos assassinados, sob a custódia do Estado, não há santos. 

O Brasil do século XXI revela-se um Brasil do século XIX. O pensamento conservador - do tipo higienista e excludente - ganha cada vez mais terreno porque porque o conservador saiu do armário perdeu a vergonha de defender causas higienistas e excludentes. Os cidadãos de bem costumam defender não o bem, mas os bens, mesmo que estes sejam dos outros.

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