sábado, 7 de janeiro de 2017

Criminosamente incorreto

Reprodução: O Globo.

O secretário Nacional de Juventude do governo federal, Bruno Júlio, caiu ontem por fazer comentários criminosos, ao repercutir o massacre no presídio de Manaus quando cerca de 60 presidiários, sob a custódia do estado, foram mortos, muitos decapitados.

"Eu sou meio coxinha sobre isso. Sou filho de polícia, né? Tinha era que matar mais. Tinha que fazer uma chacina por semana". A declaração - criminosamente infeliz - foi publicada pelo jornalista Ilimar Franco, do jornal O Globo.

O ex-secretário Nacional de Juventude do Governo Temer, que se assume sua coxinhice - uma espécie de ideologia de direita que prega uma política excludente - comparou o massacre no presídio de Manaus com o feminicídio de Campinas.

"Isso que me deixa triste. Olha a repercussão que esse negócio que o presídio teve e ninguém está se importando com as meninas que foram mortas em Campinas. Elas, que não têm nada a ver com nada, que se explodam. Os santinhos que estavam lá dentro, que estupraram e mataram: Coitadinhos, oh, meu Deus, não fizeram nada! Para, gente! Esse politicamente correto que está virando o Brasil está ficando muito chato. Obviamente que tem de investigar, tem que ver..."

Reparou como - atualmente - muita gente invoca críticas ao politicamente correto para continuar sendo criminosamente incorreto? Tem sido muito comum, este tipo de gente acusar o politicamente correto de deixar o país chato. Se os corretos são chatos, os incorretos não agradáveis? Decididamente não! 

Bruno Julio, ao incentivar a matança de presidiários - "uma chacina por semana" - não á apenas incorreto; é criminosamente incorreto porque ele faz apologia à violência e ao crime.

Quem argumenta que o politicamente correto deixa o Brasil e o mundo chatos são os mesmos que querem continuar discriminando e ofendendo o outro, segundo a cor da pelo, o sexo, a orientação sexual, o gênero, a classe social. Esses são machistas, misóginos, racistas, sexistas e pobrefóbicos. 

Que coisa! Eles não podem mais fazer apologia à violência e ao crime, sem repercussão; não depreciam mais as mulheres, em paz; não conseguem mais -  sossegadamente - serem racistas; não xingam, sem reação, os viados.

O politicamente correto não é chato, é uma necessidade para combater os incorretos que flertam com o crime e gostam de se esconder sob o manto da liberdade de expressão (que pode muito, mas não tudo). Defender uma chacina por semana - isso sim, um comportamento chato - é criminosamente incorreto!

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