domingo, 12 de março de 2017

Sobre legitimidade e reducionismo

Tenho medo do discurso dos que carimbam como legítima apenas a ação daquele que vive o que defende, o beneficiário direto de uma causa.
Isso é reducionismo e ajuda em nada a luta de quem luta.

Eu não preciso viver na favela para defender o direito à moradia e à qualidade de vida.
Eu não preciso morar em um assentamento do MST para defender o direito do sem terra à terra. 

Eu não preciso ser doente de aids para defender o direito do paciente ao tratamento.
Eu não preciso morrer nem estar na fila por um rim para defender a doação de órgãos.

Eu não preciso ser negro para defender a luta pela igualdade e combater o racismo.
Eu não preciso ter uma xoxota para defender o direito das mulheres à igualdade e combater o machismo.
Eu não preciso dar a bunda para defender o direito dos homossexuais ao casamento e à adoção.

Os oportunistas que se aproveitam de um discurso para promoção pessoal têm de ser combatidos.
E é fácil reconhecê-los.
Basta ver o histórico das defesas que eles fazem.

Deslegitimar a legitimidade dos que defendem uma causa, por não serem beneficiários diretos desta causa, não é inteligente.
E pode ainda condenar a guetos aqueles que lutam.

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