domingo, 30 de abril de 2017

Mar é


Seja bem-vindo!


Banditismo

O mercado chantageia, ameaça e quer continuar bebendo do sangue do brasileiro. Em entrevista à Folha de S. Paulo, economista-chefe do Itaú Unibanco afirma que juros vão subir se não houver a reforma da Previdência. Itaú é aquele banco privilegiado com o perdão de uma dívida de mais de 20 bilhões de reais. Quem vai enfrentar o banditismo do mercado financeiro?

Inquietudes (368) do Rei

Ainda leio e ouço gente criticando greve durante o expediente. Isso é discurso de empregador, repetido por trabalhador que se acha patrão. Vamos combinar? que fazer greve no dia da folga é o mesmo que fazer greve de fome entre as refeições ou fazer greve de sexo depois de uma rapidinha.

Notas sobre a Greve Geral

Greve Geral! Nenhum direito a menos.

Luta de classes
Reforma trabalhista e da Previdência. A modernização que a elite prega (discurso repetido pela parte tonta da classe média), nas relações de trabalho, não vai transformar o Brasil na Europa, mas em uma China. E você acreditava que tirar Dilma era combate à corrupção. Há! É a luta de classes e muito empregado prefere ficar do lado do patrão.

Greve é greve
Este recado é para você, trabalhador, e não para empregador (enquanto categoria). Se você acha que greve geral atrapalha o transporte, o atendimento em serviço público e que deveria ser feita fora do horário de expediente, então eu digo: isso não seria greve. E lembre-se de que você não precisa parar manhã. Se você for solidário e apoiar quem parar - para lutar inclusive por direitos que você usufrui - já estará fazendo uma grande coisa.

Midia minimiza
A mídia tradicional inflou os protestos contra Dilma e minimiza a Greve Geral. Que aquele um não tenha paz. Vem pra luta!

Tudo, menos jornalismo
Vi uma reportagem na Band News que é de doer. Em Goiânia, a repórter começa dizendo que o dia - 28 de abrol - foi de caos para quem precisou de transporte. Entrevista só com quem reclamava. O texto destacava ainda que era manifestação de sindicalista, MST. Não houve uma frase sobre o motivo da greve: reformas trabalhistas. Nada sobre os projetos que retiram direitos do trabalhador. NADA. Isso é tudo, menos jornalismo. 

Estatísticas
No UOL, estimativa dos organizadores (centrais e sindicatos) dizia que os protestos reuniram 40 milhões pelo Brasil. Acho que é chute. No entanto, não tendo estatísticas nas matérias significa que o número é grande e a mídia tradicional não vai avalizar o sucesso que foi a greve. Se fosse um número negativo para os movimentos, seria capa. PS. Nem a PM divulga estimativas.

Verdade e mentira

Em tempos de pós-verdade, a verdade e a mentira não interessam. A tal pós-verdade está associada ao debate político. Atribui-se um fato a alguém e foda-se! Não vem ao caso se é verdadeiro ou mentiroso. Basta sustentar, independentemente do método, a afirmação inicial. Quem perde com isso? Todos, mas sempre haverá aquele a viver na ilusão de ter saído vencedor.

Inquietudes (367) do Rei

O procurador Deltan Dallagnol e outros dois membros do MPF divulgaram vídeo nas redes sociais convocando a população para se manifestar contra o projeto de lei que pune abuso de autoridades. Na peça, os três fazem política e confundem mais que esclarecem. Eles não explicam algumas questões como:

- Autoridade que não abusa e cumpre a lei será punida se o projeto for aprovado?
- Autoridades da polícia, do MP e da Justiça que cometem abusos (ilegalidades) não podem ser punidas?
- Autoridades devem ter carta branca para agir e imunidade para não serem punidas?

Quem tem poder demais tem de ter ainda mais responsabilidade.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Mexeu com um, não mexeu com todos!


Mexeu com uma mulher, mexeu com todas!
Não!
Só se mexeu com uma das nossas; com uma das outras, problema delas.

Mexeu com uma criança, mexeu com todas!
Não!
Só se mexeu com uma criança das nossas; com uma criança dos outros, problema deles.

Mexeu com um gay, mexeu com todos!
Não!
Só se mexeu com um gay dos nossos; com um gay dos outros, problema deles.

Mexeu com um idoso, mexeu com todos!
Não!
Só se mexeu com um idoso dos nossos; com um idoso dos outros, problema deles.

Mexeu com um negro, mexeu com todos!
Não!
Só se mexeu com um negro dos nossos; com um negro dos outros, problema deles.

Mexeu com uma pessoa com deficiência, mexeu com todas!
Não!
Só se mexeu com uma pessoa das nossas; com uma pessoa dos outros, problema deles.

O combate seletivo ao preconceito e à discriminação não combate o preconceito nem a discriminação, apenas a parte que se quer.

Afinal, como disse Nicolau Maquiavel "os preconceitos têm raízes mais profundas que os princípios."

Fonte da imagem: 
 https://br.pinterest.com/pin/84935142952515361/

É brincadeira!


Reprodução: Veja São Paulo.


No ódio cultivado nos últimos anos, a polarização política fez emergir o que já estava dividido. Com isso ganhou corpo o discurso machista, sexista, racista e homofóbico. Acentuou-se o preconceito de classe, que sempre existiu.

Esse discurso não é homogêneo e, por isso, há mulheres machistas e sexistas, negros racistas, homossexuais homofóbicos. A vida não é mesmo linear, mas precisa ser tão embaralhada?

A jornalista Rachel Sheherazade passou por uma saia justa, ao vivo, com o patrão Silvio Santos, no último domingo. Ele disse que ela - se quiser dar opinião política - que compre uma estação de TV; que foi contratada para ler notícias.

O empresário ressaltou a beleza da apresentadora e também questionou se o noivo a deixa trabalhar. Ainda persiste a noção da mulher como propriedade do homem que precisa dar permissão para que ela faça algo.

Silvio Santos, com essa postura, resvala no machismo e no assédio moral. No machismo porque ele destaca a sua beleza e não a sua capacidade intelectual. No assédio, porque está em posição hierárquica superior. Ele é o patrão que manda, e ela, a empregada que obedece.

Com a repercussão, a empregada minimizou a grosseria do patrão, a quem defendeu. "Há que haver um mínimo de inteligência para entender nossas brincadeiras!" Ok! Ela tem o direito de achar que foi apenas uma brincadeira.

Que mania! essa militância tem de estrilar com as brincadeiras! Afinal mandar a mulher pilotar um fogão e cuidar da casa, comparar o negão a um tição e rir da sexualidade do viado é só uma brincadeira, não é mesmo? Não! Não é! É machismo, é racismo, é homofobia. Você pode ser conivente ou não com isso.

Sheherazade foi humilhada ao vivo e não se deu conta. Caso tenha se dado, preferiu minimizar o ocorrido e atacar quem a defendeu do machismo sofrido (
Há que haver um mínimo de inteligência...). Ao ficar do lado do patrão, ela torna-se cúmplice do machismo que ele promoveu.

Como se vê, o feminismo ainda tem muito chão para percorrer e precisa mesmo proteger as mulheres, muitas - inclusive - do machismo delas próprias.