terça-feira, 11 de abril de 2017

É brincadeira!


Reprodução: Veja São Paulo.


No ódio cultivado nos últimos anos, a polarização política fez emergir o que já estava dividido. Com isso ganhou corpo o discurso machista, sexista, racista e homofóbico. Acentuou-se o preconceito de classe, que sempre existiu.

Esse discurso não é homogêneo e, por isso, há mulheres machistas e sexistas, negros racistas, homossexuais homofóbicos. A vida não é mesmo linear, mas precisa ser tão embaralhada?

A jornalista Rachel Sheherazade passou por uma saia justa, ao vivo, com o patrão Silvio Santos, no último domingo. Ele disse que ela - se quiser dar opinião política - que compre uma estação de TV; que foi contratada para ler notícias.

O empresário ressaltou a beleza da apresentadora e também questionou se o noivo a deixa trabalhar. Ainda persiste a noção da mulher como propriedade do homem que precisa dar permissão para que ela faça algo.

Silvio Santos, com essa postura, resvala no machismo e no assédio moral. No machismo porque ele destaca a sua beleza e não a sua capacidade intelectual. No assédio, porque está em posição hierárquica superior. Ele é o patrão que manda, e ela, a empregada que obedece.

Com a repercussão, a empregada minimizou a grosseria do patrão, a quem defendeu. "Há que haver um mínimo de inteligência para entender nossas brincadeiras!" Ok! Ela tem o direito de achar que foi apenas uma brincadeira.

Que mania! essa militância tem de estrilar com as brincadeiras! Afinal mandar a mulher pilotar um fogão e cuidar da casa, comparar o negão a um tição e rir da sexualidade do viado é só uma brincadeira, não é mesmo? Não! Não é! É machismo, é racismo, é homofobia. Você pode ser conivente ou não com isso.

Sheherazade foi humilhada ao vivo e não se deu conta. Caso tenha se dado, preferiu minimizar o ocorrido e atacar quem a defendeu do machismo sofrido (
Há que haver um mínimo de inteligência...). Ao ficar do lado do patrão, ela torna-se cúmplice do machismo que ele promoveu.

Como se vê, o feminismo ainda tem muito chão para percorrer e precisa mesmo proteger as mulheres, muitas - inclusive - do machismo delas próprias.

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